12.3.11
De pé atrás
Abel Coelho de Morais traçou hoje, no Diário de Notícias, o perfil (mais um termo com uma definição deficiente no Dicionário Priberam da Língua Portuguesa) de Jacques Chirac. Eis um excerto: «Noutra ocasião, menosprezou a gastronomia britânica ao dizer que um povo que cozinha assim “não é de confiar”. O que, cum grano salis, não deixa de ter algum fundo de verdade» («Um presidente francês sem vergonha nem glória», Abel Coelho de Morais, Diário de Notícias, 12.03.2011, p. 44).
Posso estar a avaliar mal, mas creio que o jornalista apenas quis alardear que conhece uma expressão latina, mas saiu-se mal. Cum grano salis traduz-se, literalmente, por «com um grão de sal». Dito por outras palavras, significa que se deve temperar o que alguém disse ou escreveu, porque revela um exagero de qualquer natureza. Ou seja, sem ser falso, é conveniente que seja visto com algumas reticências. Aderir, da forma que o jornalista o fez — «não deixa de ter algum fundo de verdade» — mesmo que com tais arrevesadas cautelas, à afirmação de Chirac é inconcebível.
[Post 4554]
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