Com humanismo
Jorge Fiel entrevistou o director-geral da Servilusa (abrenúncio!), António Balha e Melo. Ora vejam o atendimento: «Após a recepção da chamada no call center, é mobilizado um dos 36 técnicos comerciais, que fardado de fato cinzento, pin da Servilusa na lapela, camisa branca, gravata verde-alface, se desloca ao local do óbito num Ford Focus castanho. Mostra à família o catálogo que leva no portátil e aconselha nas opções. Assinado o contrato, é logo digitalizado e enviado por e-mail para o coordenador do serviço, que destaca uma assistente com formação em Humanísticas para tomar conta da operação até ao fim» («“Ninguém morre duas vezes”», Jorge Fiel, «DN Gente»/Diário de Notícias, 19.02.2011, p. 104).
Aquilo da assistente com formação em Humanísticas é que me deixou, já não digo de pé atrás, porque nestes casos vão os dois ao mesmo tempo, mas intrigado. Como a seguir se lê que «dignidade, respeito e humanismo são o mantra do director-geral da Servilusa», temo que haja aqui confusão. Quanto a Jorge Fiel, que começou por ser revisor no Jornal de Notícias, não teve artes de evitar os estrangeirismos call center, pin e e-mail. No perfil que traçou de António Balha e Melo, porém, teve o bom senso de escrever que o entrevistado, «aos 49 anos, aceitou o desafio de um caçador de cabeças (Rafael Mora) para tentar salvar da morte a Servilusa». Vá lá, evitou o barbarismo headhunter.
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