Latinismos

Buscador de latinismos

      Não é, seguramente, o mais completo, mas tem outras potencialidades: não precisamos de introduzir a locução latina completa para fazer a busca. Tem actualmente 512 expressões. Aproveito a oportunidade para relembrar que também tenho no blogue um Glossário das coisas romanas, até ao momento com 314 entradas. Aqui.

Próclise

Sucessos e desventuras

      Pode ler-se na edição de hoje do jornal Meia Hora: «O Presidente russo anunciou ontem que será candidato a primeiro-ministro se o candidato que apoia para o suceder no Kremlin, Dimitri Medvedev, ganhar as presidenciais» («Putin candidata-se a PM se Medvedev ganhar o Kremlin», Meia Hora, 18.12.2007, p. 9). Por coincidência, uma das consultas publicadas hoje no Ciberdúvidas — que continuo a ler, apesar de já me ter visto descaradamente plagiado por um dos consultores — incidia nesta matéria, sendo a resposta da consultora Sara Leite muito esclarecedora, propondo uma útil forma de saber se se deve usar o pronome lhe, por o complemento ser indirecto, ou o/a, por o complemento ser directo. No caso em apreço, «suceder a alguém», logo, «suceder-lhe» (ou «lhe suceder», como no caso, porque a presença da preposição «para», sem ser atractora de próclise, nos deve levar a preferir esta redacção).
      Em contrapartida, no Diário de Notícias pode ler-se: «Visto como um dos mais liberais homens de Putin, Medvedev, de 42 anos, foi a escolha do Presidente para lhe suceder no Kremlin» («Putin será primeiro-ministro se Medvedev for presidente», 18.12.2007, p. 27)

Pronúncia: «orago»

Ora, ora…

      Acabei de ouvir, na Antena 1, o escritor, ensaísta e antigo director do Jornal de Sintra João Rodil falar sobre a história de Sintra. A determinada altura, falou no «primeiro orago de Sintra». E esdruxulizou ostensivamente a palavra «orago»: /órago/. Fez mal. A palavra «orago» é grave, paroxítona — e não esdrúxula, proparoxítona. A jornalista prometeu nova aparição, para a próxima semana, do Dr. Rodil. Estou em pulgas.

Léxico contrastivo: «eletro»

Reduções

      «Para Barros, que tem a experiência de 25 anos no varejo de móveis e eletro, o diferencial das lojas cearenses é o atendimento, é a entrega rápida» («Concorrência acirrada, móveis e eletros mais acessíveis», Artumira Dutra, O Povo, 9.11.2007, p. 28). É esta plasticidade tão brasileira que admiro: reduzir uma palavra comprida, tornando-a curta, apelativa, incisiva. E claro: o «varejo» é o nosso «retalho».

Blogues de 2007


Distinção

      Digo… Não digo… Digo mesmo. O Assim Mesmo foi distinguido com o Pelourinho de Bronze como blogue do ano 2007 pelo Praça da República, de João Espinho. Entre ser imodesto e ingrato, prefiro ignorar o dilema. E esperar pelas nomeações de 2008.

Léxico: «hagi»

Vai a Meca

      Começa hoje o Hadj (ou Hajj, como grafa o Diário de Notícias, por exemplo), a peregrinação a Meca, um dos cinco pilares do Islão que qualquer muçulmano deve cumprir pelo menos uma vez na vida — a não ser que seja menor, louco ou escravo. É a oportunidade para dizer que o muçulmano que faz essa peregrinação se chama hagi, vocábulo registado nos dicionários de língua portuguesa.

«Paper», de novo

Ainda andamos aos papers

      «Para tentar entender o fenómeno, Adele e Donna Wood, docente na mesma universidade, desenvolveram um paper dedicado à avaliação da utilização das novas fontes de informação via Internet, procurando distinguir conhecimento científico de outras fontes de comunicação» («Geração Wikipedia», Milena Melo, OJE, 17.12.2007, p. 10). Na semana passada tinha sido no Global; hoje é no Meia Hora. Porquê «paper»? Ainda por cima, estes jornais prescindem do itálico.

Disparates jornalísticos

Língua abortada

      Ana Mesquita até pode pretender ser engraçada — e quase sempre o consegue. Essa é que é essa. Contudo, no que toca a falar correctamente, está muito longe de cumprir o que se espera de um jornalista. Ainda na emissão de hoje do programa O Amor É…, na Antena 1, a propósito de as indianas radicadas no Reino Unido irem abortar à Índia, falava em «abortagem». Terá a noção da responsabilidade de ter um microfone à sua frente? Dizer «abortagem» em vez de «aborto» ou — querendo, à viva força, ser diferente — «abortamento», ainda que com presumíveis intuitos jocosos, não contribui em nada para fazer da rádio, e rádio pública, no caso, um meio de comunicação que, além de informar e entreter, instrui.

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