20.8.07
Quem diria
Dá que pensar a importância que as palavras têm. Quando o imperador Gia Long (1762-1820) optou por denominar o seu país unificado de Nam Viêt, não sabia que o imperador da China não iria permitir tal designação, pois, em sua imperial e celeste opinião, evocava — ó sacrilégio! — o reino chinês do século III a. C. Nam Viêt Dong. Gia Long, que foi decerto um monarca inteligente, resolveu inverter os termos: Viêt-Nam. Oficialmente, agora, Cộng hoà Xã hội Chủ nghĩa Việt Nam.
No campo dos gentílicos, o termo «polaco» é paradigmático do peso cultural dos vocábulos. Tido entre nós, Portugueses, como mais uma mera idiossincrasia brasileira, a variante «polonês» explica-se pelo facto de, no começo do século XX, o proprietário do Cas(s)ino da Urca (onde Carmen Miranda usou pela primeira vez, em 1938, o traje de baiana), no Rio de Janeiro, ter levado prostitutas europeias para trabalhar no seu estabelecimento. Como estas mulheres eram, na sua maioria, loiras como as «polacas» do Sul do Brasil, a população começou a chamar-lhes polacas. «Filho da polaca» passou a ser o mesmo que «filho da puta». Em 1927, o embaixador da França no Brasil terá sugerido ao cônsul-geral da Polónia em Curitiba o uso do termo «polonês» (do francês polonais) para designar o natural da Polónia, evitando assim o pejorativo «polaco».
Dá que pensar a importância que as palavras têm. Quando o imperador Gia Long (1762-1820) optou por denominar o seu país unificado de Nam Viêt, não sabia que o imperador da China não iria permitir tal designação, pois, em sua imperial e celeste opinião, evocava — ó sacrilégio! — o reino chinês do século III a. C. Nam Viêt Dong. Gia Long, que foi decerto um monarca inteligente, resolveu inverter os termos: Viêt-Nam. Oficialmente, agora, Cộng hoà Xã hội Chủ nghĩa Việt Nam.
No campo dos gentílicos, o termo «polaco» é paradigmático do peso cultural dos vocábulos. Tido entre nós, Portugueses, como mais uma mera idiossincrasia brasileira, a variante «polonês» explica-se pelo facto de, no começo do século XX, o proprietário do Cas(s)ino da Urca (onde Carmen Miranda usou pela primeira vez, em 1938, o traje de baiana), no Rio de Janeiro, ter levado prostitutas europeias para trabalhar no seu estabelecimento. Como estas mulheres eram, na sua maioria, loiras como as «polacas» do Sul do Brasil, a população começou a chamar-lhes polacas. «Filho da polaca» passou a ser o mesmo que «filho da puta». Em 1927, o embaixador da França no Brasil terá sugerido ao cônsul-geral da Polónia em Curitiba o uso do termo «polonês» (do francês polonais) para designar o natural da Polónia, evitando assim o pejorativo «polaco».
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