Definição: «tromba»

Ainda mais relevante


      Já aqui falámos nas vibrissas na tromba dos elefantes, que antes nem sequer eram mencionadas. Sabe-se agora que desempenham um papel ainda mais relevante: «La trompe d’un éléphant peut à la fois soulever un arbre et saisir une chips sans la casser, un alliage de force et de délicatesse possible grâce à ses moustaches, a dévoilé en février dernier une étude parue dans la revue américaine “Science”. Celle-ci détaille comment les propriétés uniques des poils qui couvrent les trompes des éléphants leur permettent une dextérité hors du commun. Ils naissent avec environ 1000 vibrisses, ces organes sensoriels que l’on appelle plus communément moustaches, détaille à l’AFP le principal auteur de l’étude, Andrew Schulz. La plupart de ces poils sont ancrés dans les rides de la trompe et agissent comme des antennes, aidant ces animaux à appréhender leur environnement» («Le secret de la dextérité des éléphants réside dans leurs moustaches», Le Matin Dimanche, 8.03.2026, p. 21). 

      É alguns destes aspectos que temos de mencionar na definição de ➔ tromba ZOOLOGIA órgão muscular alongado, tubular, flexível e preênsil que resulta do prolongamento e fusão do nariz com o lábio superior dos elefantes; constituído por feixes musculares muito numerosos e dotado de vibrissas sensoriais distribuídas ao longo da superfície que reforçam a sensibilidade táctil; desempenha funções de respiração, olfacto, tacto, sucção, manipulação de objectos e expressão comportamental; probóscide.

[Texto 22 584]

Tradução: «to gain traction»

Ouvida na rádio no sábado


      «Uma teoria relacionada a questões climáticas também ganhou tração ao longo do dia. Em um primeiro momento, a REN (Redes Energéticas Nacionais), responsável pela distribuição de energia em Portugal, chegou a dizer que um fenômeno atmosférico raro na Espanha, produzido por variações extremas de temperatura no interior do país, tinha causado o apagão» («Apagão paralisa serviços e leva caos a Portugal e Espanha», Folha de S. Paulo, 29.04.2025, p. A35). 

      Mais um decalque semântico bastante directo do inglês to gain traction, que é comum nos meios de comunicação e no discurso político e empresarial anglófono. Em inglês, gain traction tem origem no sentido físico de traction (aderência ou força de fricção que permite o movimento, por exemplo, de pneus ou rodas), mas passou a ser usada metaforicamente com o sentido de «começar a ter aceitação, apoio ou eficácia». Em português de sempre, dir-se-ia antes que uma ideia ganhou força, ganhou adesão, começou a vingar ou tornou-se mais plausível/aceite.

[Texto 22 583]

Léxico: «cheque-bebé»

Ficou a ideia


      «Esta proposta existiu no programa eleitoral do PS de 2009. Chamava-se “Conta Poupança-Futuro”. A medida ficou conhecida como o “cheque-bebé” e foi uma das promessas do Governo de José Sócrates. A ideia era criar para “cada criança por ocasião do seu nascimento” uma conta poupança a prazo “com um depósito inicial a cargo do Estado” de 200 euros, indicava, à data, o Diário de Notícias» («Urgências, salário mínimo, cheque-bebé e Ventura a citar mal uma frase. Os factos dos debates eleitorais desta semana», Marta Leite Ferreira, Bárbara Baltarejo e Pedro Sales Dias, Público, 20.04.2025, p. 11). 

      Sócrates não a cumpriu em 2009, nem nunca, mas o cheque-bebé existe actualmente, atribuído por algumas autarquias.

[Texto 22 582]

Definição: «feno-das-areias»

Já que lhe vão mexer


      Num texto que aqui publiquei sobre os palheiros da Costa Nova, usei a designação «palha das dunas», que é usada para nomear várias espécies, não apenas o estorno, como naquele caso, mas também o feno-das-areias, cuja definição aparece com uma gralha gigantesca no dicionário da Porto Editora: «BOTÂNICA (Elymus farctus) planta herbácea, vivaz e rizomatosa, da família das Gramíneas, frequente em Portugal em arreias marítimas e arribas litorais, pode atingir cerca de 60 centímetros de altura e tem colmos finos, folhas rígidas e inflorescências em espigas». Mas também podemos melhorar a definição, ninguém se queixará (se bem que não faltam brutamontes que cospem na sopa). Assim, proponho ➔ feno-das-areias BOTÂNICA (Elymus farctus) planta herbácea, perene e rizomatosa, da família das Poáceas, frequente em Portugal nas areias marítimas e nas dunas litorais; pode atingir cerca de 60 centímetros de altura, com colmos finos, folhas rígidas e inflorescências em espiga; desempenha um papel importante na fixação das areias móveis.

[Texto 22 581]

Léxico: «fritilária-dos-lameiros»

Até em decretos-leis a vejo


      Mas mantém-se fora dos dicionários: «A zona acolhe borboletas como a fritilária-dos-lameiros (Euphydryas aurinia) e a espécie nocturna Euplagia quadripunctaria, bem como abrigos importantes para várias espécies de morcegos, alguns deles relevantes para a criação e hibernação do morcego-de-peluche (Miniopterus schreibersii)» («UNESCO considerou a Arrábida uma “jóia costeira», Andréia Azevedo Soares, Público, 28.09.2025, p. 17).

[Texto 22 580]

⋅ ── ✩ ── ⋅


P. S.: Olha, Porto Editora, aproveita e indica os plurais de «decreto-lei». Muitos falantes nos irão agradecer. Até já estou a vê-los, gratos e escarninhos.


Chega aqui

+41


      «Luís Montenegro não fará essa coligação, mas também a nomeação de Luís Neves está longe de significar que vai passar, doravante, a escolher o PS como parceiro preferencial do seu Governo sem maioria. O mais certo é que vá continuar, como até aqui, a jogar ora para um lado, ora para o outro, conforme os assuntos. Ao “contratar” Luís Neves, pode contribuir para diminuir a “percepção de cheguização” do PSD na questão da segurança, mas não é suficiente» («Um novo ministro no Governo AD de que a esquerda gosta», Ana Sá Lopes, Público, 23.02.2026, p. 40). 

      Isto mal começou (e começou mal), mas já temos «cheganos» (a minha preferida, porque a implicação com os ciganos pode proporcionar umas boas frases), «chegopitecos», «cheguização» e decerto outras de que não me lembro agora. Seja como for, nada supera a helvética sigla do partido, CH.

[Texto 22 579]

Definição: «pastinaga»

Tem mais que se lhe diga


      «Corsé, musqué, sucré... le panais est multiple. “On peut l’utiliser en dessert, en pâtisserie, sans ajout de sucre grâce à son côté naturellement sucré”, estime Benjamin Le Maguet, qui l’accorde volontiers à la pomme, plus acide. [...] Le panais est d’une grande richesse nutritionnelle. Il est riche en vitamines B9, C et K, ainsi qu’en potassium et en magnésium. Si on le compare souvent à la carotte, il contient plus de fibres que cette cousine. Parfois considéré comme un féculent, il en possède les glucides complexes, qui génèrent la satiété, mais a un apport calorique bien plus faible que la pomme de terre. Il est donc idéal pour remplacer patates, riz ou pâtes. Autre atout de taille: il est très digeste» («Et si on arrêtait de bouder le panais?», Cécile Collet, 24 heures, 6.03.2026, p. 23).

      Ora, bem podemos mencionar isto na definição de ➔ pastinaga BOTÂNICA (Pastinaca sativa) planta herbácea bienal da família das Apiáceas, cultivada pela raiz branca, fusiforme, carnosa e comestível, de sabor adocicado, rica em fibras e em vitaminas e sais minerais; apresenta folhas grandes e flores amarelas em umbela; cherovia, cheróvia, cheruvia.

[Texto 22 578]

Definição: «caneiro»

Assim não vamos longe


      Só recentemente é que soube que a ribeira de Alcântara, que nasce na Brandoa, passa pela Avenida Gomes Pereira, em Benfica, onde vivi quase vinte e cinco anos, de que nunca terei saudades. Vi uma fotografia datada de 1966, da altura em que a ribeira estava a ser posta em caneiro naquele troço. O que me parece é que «caneiro», nesta acepção, está muito, mas muito mal definido nos nossos dicionários. Assim, proponho ➔ caneiro HIDRÁULICA troço de ribeira canalizado e conduzido em galeria, túnel ou conduta subterrânea, formando um leito artificial fechado, geralmente em meio urbano para permitir a passagem sob ruas ou edificações e regular o escoamento das águas.

[Texto 22 577]

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