Tradução de «background»

Música em… diz!

      «(Sounds odd unless, like me, you’ve had the experience of staying up all night grading a tall stack of papers with Star Trek reruns playing in the background to break the monotony.)» Assim justifica o autor, que hoje não posso revelar quem é, e isto não é um jogo, que outro professor tivesse atribuído a dois trabalhos escolares exactamente iguais, porque copiados, duas notas diferentes: a um 79, ao outro, 90. Só me pergunto é como é que alguns consultores do Ciberdúvidas traduziriam aquele background. Agora estão de férias.

Escala de avaliação

Escala AE

Não sei se é a primeira vez, mas reparei que as notas das provas de aferição deste ano estão numa escala de A a E. Numa pauta de classificações que tenho à minha frente, leio: «Observações: A=Muito Bom, B=Bom, C=Satisfaz, D=Não Satisfaz, E=Não Satisfaz». E a que corresponde cada um dos níveis? Quais os intervalos? Os professores correctores saberão, naturalmente, mas não os pais nem, a avaliar pelo que ouvi, os restantes professores. E, este é o cerne da questão, isto não é macaquear a escala de avaliação escolar norte-americana? Pelo menos em relação aos EUA, sabemos que os níveis de classificação nas escolas são os seguintes: A (90-100), B (80-89), C (70-79), D (60-69), F (menos de 60). Caro Telmo Bértolo, ajude-nos.

«Skiff»? «Esquife»!

O esquife da língua

«A skiff com oito piratas da Somália que ontem tentou atacar o navio de Singapura, chegando a disparar para a ponte do navio, já tinha sido registada pela Corte-Real» («Fragata acaba missão a impedir ataque pirata», João Pedro Fonseca, Diário de Notícias, 23.06.2009, p. 9). Só um lamentável desconhecimento da língua portuguesa pode explicar que um jornalista escreva, sem explicar, «skiff» em vez de «esquife». A língua inglesa terá recebido a palavra do francês — e nós também. O Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora em linha define esquife como uma embarcação pequena, semelhante à baleeira. (Talvez o nosso leitor Paulo Araujo nos possa explicar se é assim.) Vejam como o Estadão escreve: «O tenente comandante da Otan Alexandre Fernandes afirmou que o petroleiro norueguês MV Kition solicitou ajuda por rádio na tarde de sexta-feira depois que um esquife cheio de piratas armados com rifles e granadas se aproximou» («Forças da Otan evitam ataque a petroleiro norueguês», Alison Bevege, Estadão, 2.05.2009). Na legenda de uma imagem que ilustrava o artigo, lia-se também a variante Côrte-Real. No sítio da Marinha, contudo, lê-se sempre Corte-Real. A anteceder o nome dos navios da Marinha, está sempre a abreviatura N. R. P., que não é de nosso reverendo padre, mas de Navio da República Portuguesa, como a anteceder o nome dos navios da Marinha inglesa está a abreviatura HMS. A propósito, os Brasileiros têm um Dicionário de Formas de Tratamento, da autoria de Luiz Gonzaga Paul, publicado pela AGE em 2008.

Anglicismo sintáctico

À flor da pele

«As gueixas debruçavam-se das janelas e das varandas, as compridas mangas de seda flutuando como bandeiras vermelhas e roxas» (Madame Sadayakko, Lesley Downer. Tradução de Maria José Figueiredo e revisão de Luís Milheiro. Lisboa: Bertrand Editora, 2004, p. 292). Isto é português? Bem, não exactamente. Na segunda oração, com o verbo no gerúndio, a sintaxe inglesa, com o sujeito em posição pré-verbal, está lá toda, mal disfarçada. Nesta obra concretamente, os exemplos são mais que muitos (mas podia apontar exemplos de dezenas de traduções): «A zona era atravessada por avenidas, percorridas por centenas de riquexós que se deslocavam a alta velocidade, as rodas produzindo o ruído típico do metal enquanto os condutores berravam advertências aos transeuntes que se lhes atravessavam à frente» (p. 38). Os tradutores acham e os revisores aprovam, submissos. O que acha o Fernando?

Tradução de «fret»

Imagem: http://www.andrewshearman.com/

Don’t fret

Parece ter sido Blaise Pascal (1623–1662), quando especulava com uma ideia para uma máquina de movimento perpétuo, o inventor da roleta (em francês, roulette, «pequena roda»). O que me interessa agora é saber o nome que se dá à divisória entre cada uma das 36 casas, mais o 0 (e 00 na roleta americana), alternadamente vermelhas e pretas. Em inglês é fret, por causa, imagino, da semelhança com cada um dos filetes metálicos que, no braço dos instrumentos de corda, orientam a posição dos dedos. A estes filetes damos nós o nome de trastos, que vem do latim transtrum, «travessa; viga transversal; banco do remador» (de onde também poderá derivar o inglês thwart, «banco de remador; bancada de embarcação»). E na roleta?

Caracteres especiais


No Algarve!?


      A propósito desta notícia, alguns jornais afirmam que a residência do falecido realizador sueco era na ilha báltica de Faro. Noutros, entre os quais destaco o Público (P2, 23.06.2009, p. 8), desta vez cuidadoso, o nome da ilha aparece grafado correctamente: Fårö. Quando, a propósito do nome do futebolista Nemanja Vidić, aqui publiquei um texto em que defendia o uso dos caracteres originais, um ignorante furibundo deixou-me um comentário virulento e insultuoso em que dizia que só um ignorante — no caso, eu — não tinha noção de que nos jornais era impossível grafar os nomes, topónimos ou antropónimos, da forma original. Pois, pois… As letras å e ö são, no alfabeto sueco, vogais, a par de a, e, i, o, u, y e ä. Logo, o sinal que encima o carácter não é um diacrítico, mas uma espécie de ligatura, até porque, historicamente, å veio a determinada altura substituir aa.

Quem faz estatísticas

Profissão?...

Não, não: ao indivíduo que se ocupa de trabalhos estatísticos não se dá o nome de especialista em estatística. Ou dará? Para espanto meu, dizem-se, pelo menos alguns, estaticistas e outros, estatísticos. E estaticista é, há ainda esse risco, quase parónimo de esteticista… O Dicionário Houaiss não regista «estaticista», mas estatista. Em inglês, é statistician; em francês, statisticien; em espanhol, estadístico. Prefiro a forma «estatista», por ser um substantivo comum de dois (o/a estatista) e ser mais curto.

«Auto-recreação», outra vez

Como disse?


      Maria Flor Pedroso esteve a entrevistar Tavares Moreira, antigo governador do Banco de Portugal e antigo secretário de Estado de Miguel Cadilhe, na Antena 1. O motivo, julgo, pois não ouvi desde o início, é a publicação de um livro, Processo Indecente, em que conta que o processo judicial de que foi alvo visava impedir que fosse nomeado para a Caixa Geral de Depósitos, no tempo de Durão Barroso. Às tantas, disse que qualquer coisa tinha sido feita por «auto-recreação». Já vimos aqui esse erro. Também disse, em relação a certa matéria, que não tinha sido «nem ouvido nem achado», o que parece ser a recriação de «nem visto nem achado».

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