Como se escreve por aí
5.3.26
Mais uma escolha infeliz
«Araghchi garantiu que o Irão mantém “uma boa relação” com os países do Golfo e que estes “não têm nenhum problema” com Teerão. “Não estamos a atacar os nossos vizinhos nos Estados do Golfo, mas a presença americana nesses países. Sabemos que os países do Golfo estão chateados com estes ataques, mas eles deviam saber que esta guerra nos foi imposta”, declarou, acrescentando que tem mantido o contacto com os seus pares nestes países» («MNE iraniano: países do Golfo estão “chateados” mas “não podem esperar que Irão fique em silêncio”», Madalena Moreira, Observador, 1.03.2026, 14h35).
Procurei na versão em inglês das declarações de Abbas Araghchi algum termo que pudesse, ainda que de forma forçada, justificar o coloquial «chateados», mas em vão. As formulações usadas na imprensa anglófona são, como seria expectável em contexto diplomático, do tipo expressed concern, voiced objections ou were dissatisfied. Traduzir esse registo por «chateados» não é apenas uma opção estilística discutível, é uma descida clara de nível, que trivializa o discurso político e aproxima a linguagem jornalística da conversa de café. Nada que não veja, atenção, nos livros que revejo, mas francamente...
[Texto 22 558]
edit
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