Interjeições «oh» e «ó»: a confusão perpétua

Tu já estás morta


      Elias Santana é apenas polícia, chefe de brigada responsável pela investigação do homicídio do ex-major do Exército Luís Dantas Castro, encontrado morto na praia do Mastro, não tem de saber particularmente de ortografia e gramática. Sim, estou a falar da Balada da Praia dos Cães (1982), de José Cardoso Pires. Quando o chefe Elias vai, acompanhado do agente Roque, a caminho do Forte da Graça, a certa a altura põe-se a cantar: «Oh Elvas, oh Elvas, Badajoz à vista». Havia de cantar bem, mas escrevia mal — e a editora, na 16.ª edição e com três reimpressões (Relógio D’Água, Novembro de 2025), não o ajudou. Não ajudou o autor, que nesta matéria não era propriamente uma sumidade, nem os leitores. E deturparam o cancioneiro: «Ó Elvas, ó Elvas,/ Badajoz à vista, /Já não faz milagres/ S. João Baptista.» Oh sim, senhores revisores (Anabela Prates Carvalho e João Carlos Alvim), a interjeição é mesmo ó, de chamamento ou invocação, que se repete: «Ó Elvas, tu já estás morta,/ Vives muito encolhidinha./ Já se lá foram os tempos/ Em que semeavas sardinha.» Mas não é preciso sair da mesma página para encontrar mais erros.

[Texto 22 668]

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