Léxico: «meruja»

Aqui não chove


      «Porque não é fácil resistir – confirmamos – à chouriça mirandesa, à tabafeia, ao cordeiro da raça churra galego-mirandesa, ao butelo, à posta ou medalhão de vitela. Que ainda para mais se fazem acompanhar de variados e belos vinhos que se produzem na região, além de outras iguarias como o puré de grelos ou (sorte nossa, porque são colhidas apenas entre Janeiro e Março e era época delas) a bonita e saborosa salada de merujas» («Miranda do Douro: bien benidos al reino marabilhoso», Patrícia Carvalho, Público, 28.03.2026, 8h33). 

      Peçam à Porto Editora uma salada de merujas, tentem. Iam ficar com fome. Assim, proponho ➜ meruja BOTÂNICA (Montia fontana) planta herbácea silvestre, aquática ou semiaquática, da família das Portulacáceas, que cresce em águas límpidas e frias (nascentes, ribeiros, lameiros encharcados), formando conjuntos de folhas muito pequenas e tenras, de sabor suave e sem acidez marcada, tradicionalmente consumidas cruas em saladas no Interior Centro e Nordeste de Portugal; produto sazonal, colhido sobretudo entre Janeiro e Março.

[Texto 22 705]

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P. S.: Não confundir com morugem (Stellaria media), planta terrestre diferente. Em certos registos lexicográficos, nomeadamente no dicionário da Porto Editora, a forma «meruge(m)» surge associada, quanto a mim, indevidamente, a essa espécie.

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