Léxico: «sala de guerra»

Pode ser a mais importante


      Até aparece nos meios de comunicação social — «Taiwan assiste à COP30 numa “sala de guerra”…» (Salomé Fernandes, Expresso, 12.11.2025, 13h30) —, mas vou citar o filme Dr. Estranhoamor, que vi ontem. Quando o general Buck Turgidson se envolve à pancada com o embaixador russo, diz o presidente: «Gentlemen, you can’t fight in here! This is the War Room!» Comédia é comédia, ainda que negra. Então temos tantas salas nos dicionários e não encontramos lá esta? Assim, proponho ➜ sala de guerra MILITAR, POLÍTICA espaço físico ou virtual onde se centralizam e expõem informações relativas a um ou mais teatros de operações ou a uma situação crítica, e no qual se reúnem os elementos de comando (nomeadamente o estado-maior) para analisar dados, planear, decidir e acompanhar a execução de acções; por extensão, estrutura de coordenação intensiva usada em contextos não militares para gerir crises ou projectos complexos.

[Texto 22 685]

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P. S.: Estranho, lamentável, é que se encontre de quando em quando a forma «Dr. Estranho-amor», com hífen, como se se tratasse de uma simples combinação adjectivo + substantivo. Ora, no filme Dr. Strangelove or: How I Learned to Stop Worrying and Love the Bomb, o nome é apresentado como uma unidade lexical, tradução directa (e já de si humorística) do pseudo-alemão Merkwürdigliebe, forjado para imitar a composição germânica. Tal como em inglês se fixou Strangelove e não Strange Love, também em português a forma coerente é Estranhoamor, aglutinada e assumida como apelido, não «Estranho-amor».


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