Léxico: «gandura | albornoz»
25.3.26
Nossas, e temos de as importar
«O andaluz José María Cantal Rivas é membro da Sociedade dos Missionários de África, ou dos Padres Brancos, assim chamados, não pela cor da pele, mas pela alvura do hábito inspirado em trajes típicos do Magrebe, composto de uma gandura (túnica) e um albornoz (manto com capuz), símbolos de pureza e simplicidade» («A Igreja “quase invisível” que não esconde a fé», Margarida Santos Lopes, Além-Mar, Abril de 2026, p. 18).
Temos de importar (está no VOLP da Academia Brasileira de Letras, por exemplo) ➜ gandura ou gandoura peça de vestuário tradicional do Norte de África e de regiões islâmicas, constituída por uma túnica comprida, larga e de corte recto, geralmente sem mangas e confeccionada em tecido leve, usada sobretudo por homens em climas quentes; pode apresentar decote simples ou decorado e ser usada sobre outras peças ou directamente sobre o corpo.
Vem do árabe magrebino gandūra, forma do árabe dialectal do Norte de África, relacionada com vocábulos árabes que designam túnicas ou vestes amplas, com possível influência de substratos berberes.
Assim como temos de corrigir a definir de «albornoz» e esquecer isso de ser árabe ou ser muçulmana, porque não é nem uma coisa nem outra. Assim, proponho ➜ albornoz peça de vestuário tradicional do Magrebe (Norte de África) que consiste num manto comprido de lã, amplo, com capuz pontiagudo e sem abertura frontal, usado sobre o corpo ou sobre outras vestes como protecção contra o frio e as intempéries; por extensão, casaco comprido com capuz ou gola alta e envolvente, de inspiração semelhante.
Vem do árabe hispânico alburnúz, e este do árabe clássico al-burnus, por sua vez do grego tardio birros (ou birrus), «manto curto com capuz», vocábulo de provável origem latina (birrus), designando uma capa de lã com capuz difundida no mundo romano e bizantino, de onde passou ao árabe e, por via deste, às línguas românicas peninsulares.
[Texto 22 680]
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