Como se escreve por aí
11.3.26
Pois, mas saiu mal
«A Casa Branca bem pode desejar a deposição do feroz regime teocrático iraniano, substituindo-o por um governo submisso aos seus ditames, mas os especialistas no Médio Oriente sustentam que esse cenário é pouco provável e que os dois cenários mais viáveis são bem diferentes: um será o reforço da teocracia, bem musculada com a sua Guarda Revolucionária, e o outro a eclosão da República Islâmica do Irão, mergulhando o país num caos» («Cenários de guerra», Carlos Fiolhais, Correio da Manhã, 10.03.2026, p. 2).
Tenho a certeza, como não, de que o Prof. Carlos Fiolhais sabia muito bem o que queria escrever — mas errou na palavra que escolheu, que se devia reservar, por precaução mínima, para quando nos referimos aos pintainhos. Como seria de esperar, o temor reverencial do revisor impediu-o de corrigir a frase, que, assim, diz exactamente o contrário do que o autor pretendia. Já um pouco atrás o revisor, ou por ignorância ou por temor, deixara passar outro erro: «Os EUA iniciaram a ofensiva invocando a capacidade – não provada! – dos iranianos construírem ogivas nucleares.» Aqui foi a interposição dos parênteses que os obnubilou. Em suma, a língua está a revelar-se mais difícil do que a Física.
[Texto 22 597]
edit
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