Léxico: «papel-tojal»

Vamos lá ajudar os leitores


      Lendo, relendo, revendo obras (entre as quais de Eça, onde se encontra) do século XIX, encontro várias ocorrências de «papel Tojal». Reparem na ausência de preposição. Dado que nas edições modernas dessas obras nunca vejo uma nota de rodapé a explicar o que é, podíamos presumir que todos os leitores sabem do que se trata — menos eu, justamente. Só saberão, palpita-me, enquanto não se lhes perguntar. Pois bem, esta inércia muito portuguesa e muito estúpida vai levar agora um abanão: não apenas vou passar a grafar «papel-tojal», sendo consequente com o início de lexicalização que a ausência de preposição pressupõe, como proporei a dicionarização do termo. Assim, já o leitor moderno passará a dispor de uma forma fácil e fiável de saber o que é ➔ papel-tojal papel de escrita fabricado na antiga Fábrica de Papel do Tojal (São Julião do Tojal, Loures), tradicionalmente produzido com trapos de linho ou algodão, usado em Portugal sobretudo no século XIX em correspondência e expediente administrativo do Estado.

[Texto 22 604]

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