Léxico: «chicoriácea | Chicoriáceas»

Continuará a ser necessária


      Dantes, o dente-de-leão pertencia à família das Chicoriáceas. Pois, mas, a não ser que haja um cataclismo planetário, continuaremos a ler livros em que se diz que essa planta é uma chicoriácea. Ora, Porto Editora, tu não registas a palavra, pelo que proponho ➜ Chicoriáceas BOTÂNICA designação tradicional de um grupo de plantas angiospérmicas dicotiledóneas, anteriormente tratado como família, hoje integrado como subfamília Cichorioideae da família das Asteráceas; inclui géneros como Taraxacum, Cichorium e Lactuca, caracterizando-se, em geral, por apresentar flores exclusivamente liguladas reunidas em capítulos, presença frequente de látex e folhas muitas vezes em roseta basal.

[Texto 22 763]

Léxico: «betaglucano»

Sem título


      Sabiam que o cogumelo-cauda-de-peru é rico em betaglucanos? Sabiam que o meu carro em 3,7 segundos atinge os 100 km/h? Sabiam que está aqui a chover? Então mas o que é que vocês sabem? Bem, no caso, têm sorte, só uma coisa interessa: a Porto Editora não acolhe «betaglucano». Assim, proponho ➜ betaglucano BIOQUÍMICA polissacarídeo constituído por unidades de glicose ligadas por ligações β-glicosídicas, presente na parede celular de cereais (como a aveia e a cevada), de fungos e de algumas bactérias; forma fibras solúveis.

[Texto 22 762]

Léxico: «antifonal»

Envio a minha sugestão


      «Louve-se ainda a opção pela disposição antifonal de primeiros e segundos violinos ao longo do programa (primeiros à esquerda, segundos à direita), que clarificou o contraponto entre ambos, em termos sonoros e visuais» («Orquestra XXI, Dinis Sousa e um Mendelssohn dos deuses (apesar de Bach)», Pedro Almeida, Público, 7.04.2026, p. 30).

[Texto 22 761]

Léxico: «folear»

Entretanto, no Brasil


      O autor mencionou a «parte folear» da planta, mas isso foi porque não consultou nenhum dicionário uma vez que ainda está compenetrado daquela grande verdade da avozinha de que enquanto se canta não se assobia, e ele estava a escrever. Ora, dá-se o caso de a Porto Editora o anunciar «brevemente disponível» e o verbo ser muito usado no Brasil, da literatura a obras técnicas, e totalmente ignorado cá. Vai daí, proponho ➜ folear Brasil exterminar formigas ou outros insectos aplicando veneno por meio de um fole, insuflando substâncias tóxicas directamente nos formigueiros ou ninhos.

[Texto 22 760]

Léxico: «filigrana | fiar mais fino»

A coisa fia mais fino


      No sábado, o regressado «Boa Mesa, Boa Cama», rubrica do Jornal da Noite, na SIC, esteve na Póvoa de Lanhoso, não apenas para falar de comida e restaurantes, mas de um ex-líbris do concelho, a filigrana. Numa brevíssima reportagem em que mostraram parte do processo de fabrico e entrevistaram Luís Monteiro, da Oficina do Ouro, que definiu assim filigrana: «A filigrana são dois fios que são laminados numa espessura muito fina, estamos a falar de 0,14 milímetros. Depois têm de ser torcidos, esses dois fios, ligeiramente batidos e fazemos uma fita. Essa fita é que é chamada de filigrana.» São referidos, numa tão curta intervenção, três aspectos ignorados pelos dicionários, pelo que proponho ➜ filigrana 1. técnica de ornamentação que consiste na disposição de fios metálicos de secção extremamente reduzida, geralmente de ouro ou prata, obtidos por estiramento, geralmente torcidos dois a dois e levemente aplanados, depois enrolados e entrelaçados em motivos rendilhados que preenchem uma armação ou constituem a própria estrutura da peça, sendo fixados por soldadura; 2. peça de ourivesaria executada segundo essa técnica.

[Texto 22 759]

Léxico: «reidratável | termoestabilizado | irradiado»

Vindos do Espaço


      «A comida a bordo do Orion está pronta a comer, é reidratável, termoestabilizada ou irradiada» («O que comem os astronautas da Artemis II? Entre macarrão e feijão verde, há 189 alimentos a bordo», Diogo Camilo, Rádio Renascença, 6.04.2026, 14h56).

      Ou seja, Porto Editora, ➜ reidratável diz-se de alimento desidratado ao qual se pode restituir água antes do consumo, recuperando, tanto quanto possível, a sua textura e propriedades originais; comum em refeições liofilizadas destinadas a contextos como o espacial, militar ou de emergência; ➜ termoestabilizado diz-se de alimento submetido a tratamento térmico (geralmente aquecimento controlado) com o objectivo de destruir microrganismos e enzimas, garantindo a sua conservação por longos períodos sem necessidade de refrigeração; frequentemente acondicionado em embalagens herméticas; ➜ irradiado diz-se de alimento tratado com radiação ionizante (como raios gama ou feixes de electrões), com o fim de eliminar microrganismos, parasitas ou pragas, prolongando a conservação e assegurando a segurança sanitária, sem tornar o alimento radioactivo.

[Texto 22 758]

Léxico: «desidratador»

Metade da realidade está fora


      Este também só nas lojas (e nos livros) ➜ desidratador aparelho ou dispositivo destinado a remover a água de substâncias ou produtos por meio de aquecimento e circulação de ar, reduzindo o seu teor de humidade; aplica-se, nomeadamente, à conservação de alimentos (fruta, legumes, carnes, ervas) e à secagem de plantas ou outros produtos, em contextos domésticos, laboratoriais ou industriais.

[Texto 22 757]

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P. S.: Deixaste vários para trás, Porto Editora, mas tenho a certeza de que quanto a «larídeo» não foi intencional. Não pode ter sido.



Léxico: «meter/pôr mãos à obra»

Isso mesmo: mãos à obra!


      «Foi aí que os políticos puseram as mãos à obra» («O vício do turismo tem cura: o caso de Dubrovnik», Bárbara Reis, Público, 4.04.2026, p. 11). Tinha pouco por onde errar*, mas há ali um erro: é meter/pôr mãos à obra. E é assim desde meados do século XVIII. Infelizmente, a Porto Editora só regista mãos à obra, «expressão com que se anima alguém a avançar na execução de uma tarefa». Pois, não é o mesmo.

[Texto 22 756]

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* Mas para os jornalistas nada é impossível. Espera, mas não é de Deus que se diz isto? Ou será de Napoleão? «Impossible n’est pas français.»


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