Definição: «tromba»

Não estamos de trombas, mas


      «A sensibilidade quase sobrenatural das trombas dos elefantes depende, em parte, de um componente inesperado: a presença de uma densa rede de vibrissas ou “bigodes”, muito semelhantes aos que estão presentes em gatos ou ratos, de acordo com uma nova pesquisa. Os cerca de mil “fios de bigode”, analisados por pesquisadores na Alemanha em elefantes-asiáticos (Elephas maximus) bebês e adultos, possuem variações funcionais em sua estrutura dependendo da posição em que se encontram na tromba e também da proximidade em relação ao corpo do animal (na ponta ou na base)» («Supersensível, ‘bigode’ em tromba de elefante funciona como espécie de sensor tátil», Reinaldo José Lopes, Folha de S. Paulo, 15.02.2026, p. A32). 

      A Porto Editora consegue a nada elogiável proeza de, ao definir «tromba», não se referir ao elefante. Deve ser dos poucos dicionários que o fazem. Ora, só em relação à tromba do elefante podíamos ter um verbete inteiro. Mas que seja acepção ➔ tromba ANATOMIA, ZOOLOGIA órgão muscular alongado, tubular, extremamente flexível e preênsil que resulta do prolongamento e fusão do nariz com o lábio superior dos elefantes (família Elephantidae), constituído por cerca de 90 mil feixes musculares e ricamente inervado; apresenta numerosas vibrissas (à volta de mil), distribuídas ao longo da superfície, que reforçam a sensibilidade táctil; desempenha funções de respiração, olfacto, tacto fino, manipulação de objectos, sucção e projecção de água, comunicação e expressão comportamental; probóscide.

[Texto 22 458]

Léxico: «skiathlon»

Eu perguntei primeiro


      Depois do muro-cortina, vamos para Milão-Cortina: «Na prova de skiathlon terminou em 64.º lugar, cruzando a meta... em festa» («Stevenson, o carpinteiro do Haiti que está nos Jogos Olímpicos de Inverno», Diogo Cardoso Oliveira, Público, 10.02.2026, p. 38). 

      Como é que o nome de um desporto não está no dicionário? Pois, mas não está, pelo que proponho ➔ skiathlon DESPORTO (esqui de fundo) prova de esqui de fundo disputada com partida em massa, em que metade do percurso é feita em técnica clássica e a outra metade em técnica livre, com mudança de esquis a meio.

[Texto 22 457]

Definição: «mandarim»

Porque é bem mais do que afirmas


      Explicaria de uma penada porquê o nome mandarim para a língua e para o alto funcionário, mas isso ficará para outra ocasião. Agora, e com urgência, importa corrigir e enriquecer a definição de «mandarim» no dicionário da Porto Editora. Assim, proponho ➔ mandarim HISTÓRIA designação europeia dos altos funcionários da administração dos antigos Estados da China, do Vietname e da Coreia, pertencentes à classe letrada e recrutados por exames públicos, integrados numa hierarquia burocrática ao serviço do monarca, com funções administrativas, judiciais, fiscais ou, em certos casos, militares.

      Quanto à etimologia, deverá dizer-se que já estava atestado em português desde 1514; do malaio menteri, «ministro, conselheiro», do sânscrito mantri, «conselheiro»; a forma portuguesa terá sido influenciada pelo verbo mandar, difundindo-se depois do português para outras línguas europeias.

[Texto 22 456]

Como se fala por aí

Prefiro ouvir, mas


      Estive surdo mais de um mês, e senti-me muito mal. Agora, já totalmente recuperado, ouço coisas extraordinárias. No sábado, no Notícias 21, da RTP Notícias, a pivô Carolina Freitas perguntou ao comentador Ricardo Jorge Pinto qual a sua «visão» da semana. A propósito da demissão da ministra da Administração Interna, respondeu ter-se «dificuldade em compreender como é que Luís Montenegro resistiu tanto tempo a permanecê-la no lugar». Ora, este comentador aparece sempre com um fundo virtual a simular uma biblioteca repleta de livros do chão ao tecto. Reais ou virtuais, não há ali, não pode haver, gramáticas.

[Texto 22 455]

Léxico: «forint | fillér»

Preparemo-nos


      «Péter Magyar, o adversário político de Viktor Orbán, lançou a campanha para as eleições de 12 de abril um dia depois do primeiro-ministro húngaro, com a aposta no combate à corrupção, na saúde e nos transportes, mas sobretudo com uma mensagem pró-europeia, e que inclui preparar o país para adotar o euro em 2030» («Magyar quer Hungria na moeda única em 2030», C. A., Diário de Notícias, 17.02.2026, p. 23). 

      Ainda falta algum tempo, mas parece-me quase inevitável. Entretanto, podemos e devemos melhorar a definição do nome da unidade monetária e enriquecer a etimologia. Assim, proponho ➔ forint ECONOMIA unidade monetária da Hungria, introduzida em 1946, subdividida em 100 fillér, subunidade entretanto retirada de circulação. 

      Quanto à etimologia, vem do húngaro forint, e este do italiano fiorino, «florim», do latim medieval florenus, «(moeda) de Florença». 

      Ora bem, disseram-no a tempo: isso obriga-nos a dicionarizar também ➔ fillér ECONOMIA antiga subunidade monetária da Hungria, correspondente a 1/100 de um forint, retirada de circulação em 1999. Vem do húngaro fillér, e este do alemão Heller, designação de pequena moeda de baixo valor corrente na Europa Central, originalmente ligada à cidade de Hall (na actual Alemanha).

[Texto 22 454]

Léxico: «zé-prequeté»

Um zé-ninguém ainda mais obscuro


      «Questão melindrosa é averiguar como um zé-prequeté, o apagado Bolsonaro, aparece em arquivos privativos a chefes de Estado, príncipes europeus e magnatas. Plausível é considerar o neofascismo ascendente não como “onda” nebulosa, e sim como estrutura complexa, embora sem bases materiais delineadas. A ela se ajusta o conceito reflexivo de “máquina” como fluxo de energia produtor de realidade» («Bolsonaro nos arquivos de Epstein», Muniz Sodré, Folha de S. Paulo, 15.02.2026, p. A3).

[Texto 22 453]


Léxico: «esteroidogénese | esteroidogénico»

Não os deixemos escapar


      «Ao monitorizar a atividade neuronal durante o exercício físico, verificaram também que um grupo específico de células nervosas no hipotálamo ventromedial, denominadas neurónios do fator esteroidogénico 1 (SF-1), eram ativadas quando os animais corriam na passadeira» («Quer saber porque se sente tão bem depois de fazer exercício? A ciência explica», Rádio Renascença, 13.02.2026, 16h05).

[Texto 22 452]

A ver se nos entendemos

O nome certo


      «Era um “media mujahideen” (combatentes da luta armada pela jihad), descreve o Ministério Público que a partir de uma investigação da Unidade Nacional de Contraterrorismo da PJ, em dezembro do ano passado, o acusou de quatro crimes de terrorismo: dois incitamentos e duas glorificações» («Filho de testemunhas de Jeová tornou-se terrorista islâmico em cadeia britânica», Tiago Rodrigues Alves, Jornal de Notícias, 14.02.2026, p. 16). 

      Parece-me que é a primeira vez que me deparo com esta tipificação, que não é a da lei. Há legislação especificamente contra o terrorismo, mas o tipo geral do Código Penal, o artigo 298.º, «Apologia pública de um crime», chega e sobra.

[Texto 22 451]

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