25.12.10
Imagem tirada daqui
Paratonnerre A propósito da adaptação de estrangeirismos, e concretamente do galicismo abat-jour, de que o mesmíssimo Garrett também se ocupou, Vasco Botelho de Amaral mostrou, no seu Glossário Crítico de Dificuldades do Idioma Português, ter seguido a lição camiliana de aprender no «dicionário inédito do povo». Assim, certa vez, ouviu de um gaiato (palavra, infelizmente, pouco usada hoje em dia) «apara-raios». E eu também já a ouvi da boca de gente simples. «Ora», justifica Vasco Botelho de Amaral, «o gaiato que disse apara-raios desviou-se do falar geral e talvez incurável (que adoptou pára-raios), mas deu-me lição de aportuguesamento analógico admirável. Na verdade, se os pára-raios aparam os raios que atraem, que melhor aportuguesamento haveria do que este de apara-raios, com semelhança fonética e de esplêndida precisão descritiva do aparelho?» (Porto: Editorial Domingos Barreira, 1947, p. 15).
[Texto 4226]
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