Léxico: «gaivota-comum | larídeo»
31.3.26
O comum é sempre deixado para trás
As gaivotas que mais vejo aqui em Cascais pertencem às espécies gaivota-de-patas-amarelas (Larus michahellis), que predomina, logo seguida da gaivota-argêntea (Larus argentatus). Mas depende da altura do ano: no Inverno, aparece muito a gaivota-comum (Larus canus). Em Lisboa, era sempre da primeira espécie que via, não nas zonas costeiras, como se lê na definição da Porto Editora, mas em meio urbano, a quilómetros da costa. Era cada vez mais frequente pousarem no pátio do meu condomínio, em Benfica. Primeiro aspecto a corrigir na definição. Mas há mais: «Para lá desse comportamento sazonal, o que muitos interpretam como agressividade é, nalguns casos, uma resposta aprendida por alguns indivíduos da população. A capacidade de aprendizagem é um traço marcante desta espécie, que pode viver 20 a 30 anos e acumular experiência ao longo da vida» («As gaivotas estão a ficar mais agressivas? Não, são é muitas», Andréia Azevedo Soares, Público, 29.03.2026, p. 17).
Tudo aspectos que ajudam a melhorar a definição de ➜ gaivota-de-patas-amarelas ORNITOLOGIA (Larus michahellis) ave caradriforme da família dos Larídeos, comum no litoral português e amplamente adaptada a ambientes urbanos, de grande porte (até cerca de 60 cm), com plumagem branca e cinzenta, extremidades das asas negras e bico e patas amarelos; apresenta comportamento oportunista, alimentando-se frequentemente de resíduos de origem humana; espécie longeva, podendo atingir cerca de 20 a 30 anos.
Mas esperem, não se vão já embora: a Porto Editora nem sequer acolhe ➜ gaivota-comum ORNITOLOGIA (Larus canus) ave caradriforme da família dos Larídeos, de médio porte, menor e mais esguia do que a gaivota-de-patas-amarelas, com dorso cinzento-claro, cabeça branca e bico relativamente fino, geralmente sem manchas marcadas nas asas; ocorre em Portugal sobretudo no Inverno, frequentando zonas costeiras, estuários e áreas urbanas próximas de água.
[Texto 22 716]
edit
3 comentários:
O vocábulo gaivota-comum foi hoje registado no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora. Ficou assim: «ORNITOLOGIA (Larus canus) ave palmípede, da família dos Larídeos, raramente encontrada em Portugal, atinge cerca de 45 centímetros de comprimento e tem patas esverdeadas, dorso acinzentado, peito branco e cabeça também branca, de formato arredondado, com bico curto que, nos espécimes adultos, se distingue por uma marca preta característica; famego, gaivota-parda».
A definição do vocábulo gaivota-de-patas-amarelas foi hoje corrigida e melhorada no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora. Ficou assim: «ORNITOLOGIA (Larus michahellis) ave caradriiforme, da família dos Larídeos, comum no litoral português e amplamente adaptada a ambientes urbanos, pode viver mais de 20 anos e atingir cerca de 60 centímetros de comprimento e apresenta bico e patas amarelas e plumagem branca, cinzenta no dorso e nas asas, que apresentam extremidades negras; gaivota-argêntea».
O vocábulo larídeo foi hoje registado no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora. Ficou assim: «adjectivo ORNITOLOGIA relativo aos Larídeos (família de aves palmípedes) | nome masculino ORNITOLOGIA espécime dos Larídeos».
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