Tradução: «castor bean»

Ah, está bem

      Hoje, quando atravessava um jardim, duas senhoras cumprimentavam-se. Uma delas queixou-se do colesterol alto. A outra, bem-humorada, recomendou-lhe então que mudasse para GTX. É algo que entrou na linguagem comum. Colesterol, Castrol. O que eu não sabia e só hoje soube é que o principal componente deste lubrificante para automóveis é o óleo do feijão castor (Ricinus communis). Bem, castor beans para os anglo-saxónicos (e, vá lá, para alguns tradutores…), que para nós a designação é rícino, também conhecido por bafureira, carrapateiro, mamona e mamoneiro.
[Texto 657]

Tradução: «cornstalk»

Linhas cruzadas

      E alguns telhados são «reforçados por maçarocas de milho vazias». Hã?! Em inglês é cornstalk (não confundir com crosstalk — que ainda anteontem, como é possível? — me aconteceu). Ora bem, à maçaroca da espiga do milho depois de debulhado não se dá o nome de sabugo ou de carolo?

[Texto 656]

Tradução: «lime»

É pegá-los com visco

      E a nascente vai por ali abaixo, até formar uma bacia, onde se depositam visco e outros minerais. «Visco»! Como lime também é visco e aparece como primeira acepção em alguns dicionários, vá de traduzir assim. Claro, pareceu-lhe muito mais provável que de uma fonte emanasse visco do que óxido de cálcio, cal. CaO.
[Texto 655]

Linguagem

Polícias deitados

      Depois das rotundas, a grande moda são as lombas redutoras de velocidade. Se dissermos apenas lombas, é equívoco, decerto. E já viram que nome lhes dão os anglo-saxónicos? Sleeping policemen.

[Texto 654]

«Before the current era»

Já tinha reparado nisso

      «É pena, porque o livro [A Global History of Architecture] assenta numa ideia interessante: está organizado em “fatias” temporais começando em 3500 a. C. e comparando todas as arquitecturas dentro de cada período (agora já não se escreve a. C. ou d. C.; escreve-se BCE, “before the current era”, ou CE, “current era”; trata-se da estupidez política em todo o seu esplendor: como se o modo de contar o tempo histórico que todos usamos tivesse sido inventado por um senhor chamado Corrente)» («Império global», Paulo Varela Gomes, «P2»/Público, 5.11.2011, p. 3).
[Texto 653]

Como se fala na rádio

Il, Il, Il

      Olívia Santos, nas notícias das 5 da tarde na Antena 1: «Até hoje, El Cavalieri tem-se mantido inflexível, afirmando que ceder significaria trair o país.» Se fosse a primeira vez, eu estaria caladinho. Já chega.
[Texto 652]

Tradução: «autistic savant»

Para já

      Surge o termo autistic savant, que aparece vertido para «sábio autista» — mas sempre o vi traduzido por «idiota sábio». Contudo, na época idiota que vivemos, decerto que é considerado politicamente incorrecto. Paciência. Ah, «deficiente mental sábio», sugerem-me.
[Texto 651]

Tradução: «vasculum»

Esta é nova

      Como se chama a caixa empregada pelos botânicos para recolherem as espécies? Em inglês é vasculum. (O tradutor não viu a frase...) Por acaso, tenho ali uma. Dada a etimologia, «vaso de botânico»? «Caixa»? E se aportuguesássemos — «vásculo»? Já andou um botânico pelo Assim Mesmo, mas ficou muito abespinhado por se lhe apontarem erros.
[Texto 650]

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