Léxico: «criossauna»

Uns inventores

      «A criossauna é uma das técnicas da crioterapia e a escolha de muitos futebolistas. “É uma câmara que usa o vapor do nitrogénio para o arrefecimento muito rápido do corpo e que ajuda na recuperação muscular. Pode ir a temperaturas de menos 196 graus, mas o ideal é que esteja entre os menos 140 e os menos 160 graus. O tratamento dura no máximo três minutos e é mais agradável do que tomar um banho de um minuto com a água a cinco graus”, diz ao DN Luís Cunha, especialista em recuperação de atletas» («Ronaldo faz recuperação com temperaturas de 160 graus negativos», Ana Maia, Diário de Notícias, 22.10.2013, p. 37).
      O Observatório de Neologismos ainda existe? E está a trabalhar? (É outra pergunta.) O mais provável é que os cortes o ceifassem. Assim, de repente, não sei se isso é assim tão mau.
[Texto 3421]

«Rendibilidade», vá lá

Nem todos se renderam

      Não tenho culpa que confundam «incredulidade» com «incredibilidade»... Ah, desculpem, já estamos no ar. «A rendibilidade das empresas não financeiras caiu para metade entre 2006 e 2012, apesar de ter recuperado ligeiramente no final do primeiro semestre deste ano» («Rendibilidade das empresas caiu para metade em seis anos», Diário de Notícias, 22.10.2013, p. 31).
[Texto 3420]

Léxico: «teleconsulta»

Mas sem abusos

      «O Ministério da Saúde vai usar a telemedicina para dar acesso a consultas e cuidados em zonas com falta de médicos e a doentes que esperavam anos para ter uma resposta. Há dias arrancaram os telerrastreios na dermatologia na zona Norte (Bragança), mas o objetivo é levar as teleconsultas às áreas da cirurgia vascular, oftalmologia e neurologia ainda este ano, abrangendo unidades de todo o País» («Ministério ‘finta’ falta de médicos com telemedicina», Diana Mendes, Diário de Notícias, 22.10.2013, p. 12).
      É fácil: pega-se no elemento tele- e lá vai disto. Se «telemedicina» já faz parte do nosso léxico há anos, não me parece mal que se lhe junte «teleconsulta». O resto pode ser excessivo.
[Texto 3419]

Linguagem desbragada

Mas há quem goste

      «Tudo naquela entrevista era bom, começando pelas fotografias de playboy cinquentão e acabando na linguagem desbragada, que Marcelo Rebelo de Sousa classificou como “tom infeliz”. [...] Tratar o alemão Wolgang Schäuble por “aquele estupor do ministro das Finanças”, classificar uma posição do primeiro-ministro da Holanda como “calvinismo reles”, afirmar de si próprio que “sempre fui a merda de um moderado”, disparar uns “pulhas” para aqui e uns “bandalhos” para acolá, e despachar os seus opositores políticos como “os filhos da mãe da direita portuguesa”, só está ao alcance de alguém para quem “a dureza encenada não é nenhuma dureza. Ou se tem ou não se tem.” E Sócrates, claro, é um duro» («O verdadeiro macho político», João Miguel Tavares, Público, 22.10.2013, p. 44).
[Texto 3418]

Como se escreve nos jornais

Provavelmente

      «Ao fim de sete semanas, em cinco dos sete casos, surgiram novos folículos capilares e pequenos cabelos começaram a surgir. Resultados que levaram um dos coordenadores do estudo, Colin Jahoda, da Universidade de Durham, a afirmar à BBC que a calvície “será eventualmente inteiramente tratável”» («Cientistas garantem que ‘fim’ das carecas está próximo», P. S. T., Diário de Notícias, 22.10.2013, p. 26).
      Duplamente errado. Porque, no contexto («Yeah I think it [baldness] will eventually be treatable, absolutely.»), eventually não se traduz por «eventualmente» e porque dois advérbios em -mente assim seguidos é de uma grande inépcia.
[Texto 3417]

O defunto verbo «pôr»

Não apenas os jornalistas

      «Segundo o médico Filipe Gomes, o novo protocolo compreende uma cláusula que “coloca em causa a autonomia pedagógica da direção do MIM [Mestrado Integrado em Medicina da Universidade do Algarve], de forma inaceitável”» («Demissão ameaça curso de Medicina», Diário de Notícias, 22.10.2013, p. 21).
[Texto 3416]

Ortografia: «multiúso»

Pelo menos isso

      «A Nave da Estufa Fria [construída na década de 1950 e com 800 metros quadrados, da autoria do Eng. Edgar Cardoso], espaço que sofreu uma remodelação, é hoje inaugurada pelo presidente da Câmara Municipal de Lisboa, António Costa. Este espaço é agora um multiúsos disponível para a realização de qualquer evento» («Nave da Estufa Fria passa a ser um multiúsos», Diário de Notícias, 21.10.2013, p. 21).
      É uma barbaridade, bem o sabemos, mas pelo menos agora já lhe põem o necessário acento agudo.

[Texto 3415]

«Recriar/recrear»

Da pressa, hem?

      «Sob um céu cinzento, os soldados avançam em linha enquanto decorrem escaramuças de cavalaria e se ouvem disparos de artilharia. Foram cerca de seis mil figurantes a recrearem no fim de semana, nos arredores de Leipzig, o confronto que ditou o fim da influência de Napoleão na Europa: a Batalha das Nações, que opôs 185 mil franceses a 320 mil alemães, russos, austríacos e suecos entre 16 e 20 de outubro de 1813» («Alemanha. 200 anos da Batalha das Nações», Diário de Notícias, 21.10.2013, p. 8).
      Quando têm de escrever «recrear», escrevem «recriar». Eles dirão que é da pressa; alguns até me perguntam, estocada final, se já trabalhei num jornal.
[Texto 3414]

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