Pronúncia de «euro»

Orgulhosamente poucos     

      A jornalista Isabel Gaspar Dias, da Antena 1, deve ser dos poucos portugueses que pronunciam a palavra «euro» com «o» a soar, dada a posição de átona final, como «u» (à semelhança de qualquer palavra grave, como «cinco», «lado»...). E nisto segue alguns dos nossos melhores especialistas da língua portuguesa. E claro que «euro» tem plural — dizer «cem euro» é tão irracional como dizer «língua banto», por exemplo.


Pleonasmos

Enfrentar como deve ser
 
      De vez em quando, os jornalistas saem-se com estes pleonasmos risíveis: «Para grandes males, grandes remédios. Um grupo de mais de 500 autores literários britânicos — Ian Rankin, Nick Hornby, Jackie Collins ou Andrew Motion, entre outros — apelou por carta ao primeiro-ministro inglês, Gordon Brown, para enfrentar de frente o problema da iliteracia infantil» («A “leitura” do problema», Meia Hora, 19.12.2007, p. 21). Como é que o jornalista queria que se enfrentasse — pelas costas, talvez? Quanto às criancinhas britânicas, algumas serão mais tarde professores de Inglês, sobretudo no estrangeiro.

Latinismos

Buscador de latinismos

      Não é, seguramente, o mais completo, mas tem outras potencialidades: não precisamos de introduzir a locução latina completa para fazer a busca. Tem actualmente 512 expressões. Aproveito a oportunidade para relembrar que também tenho no blogue um Glossário das coisas romanas, até ao momento com 314 entradas. Aqui.

Próclise

Sucessos e desventuras

      Pode ler-se na edição de hoje do jornal Meia Hora: «O Presidente russo anunciou ontem que será candidato a primeiro-ministro se o candidato que apoia para o suceder no Kremlin, Dimitri Medvedev, ganhar as presidenciais» («Putin candidata-se a PM se Medvedev ganhar o Kremlin», Meia Hora, 18.12.2007, p. 9). Por coincidência, uma das consultas publicadas hoje no Ciberdúvidas — que continuo a ler, apesar de já me ter visto descaradamente plagiado por um dos consultores — incidia nesta matéria, sendo a resposta da consultora Sara Leite muito esclarecedora, propondo uma útil forma de saber se se deve usar o pronome lhe, por o complemento ser indirecto, ou o/a, por o complemento ser directo. No caso em apreço, «suceder a alguém», logo, «suceder-lhe» (ou «lhe suceder», como no caso, porque a presença da preposição «para», sem ser atractora de próclise, nos deve levar a preferir esta redacção).
      Em contrapartida, no Diário de Notícias pode ler-se: «Visto como um dos mais liberais homens de Putin, Medvedev, de 42 anos, foi a escolha do Presidente para lhe suceder no Kremlin» («Putin será primeiro-ministro se Medvedev for presidente», 18.12.2007, p. 27)

Pronúncia: «orago»

Ora, ora…

      Acabei de ouvir, na Antena 1, o escritor, ensaísta e antigo director do Jornal de Sintra João Rodil falar sobre a história de Sintra. A determinada altura, falou no «primeiro orago de Sintra». E esdruxulizou ostensivamente a palavra «orago»: /órago/. Fez mal. A palavra «orago» é grave, paroxítona — e não esdrúxula, proparoxítona. A jornalista prometeu nova aparição, para a próxima semana, do Dr. Rodil. Estou em pulgas.

Léxico contrastivo: «eletro»

Reduções

      «Para Barros, que tem a experiência de 25 anos no varejo de móveis e eletro, o diferencial das lojas cearenses é o atendimento, é a entrega rápida» («Concorrência acirrada, móveis e eletros mais acessíveis», Artumira Dutra, O Povo, 9.11.2007, p. 28). É esta plasticidade tão brasileira que admiro: reduzir uma palavra comprida, tornando-a curta, apelativa, incisiva. E claro: o «varejo» é o nosso «retalho».

Blogues de 2007


Distinção

      Digo… Não digo… Digo mesmo. O Assim Mesmo foi distinguido com o Pelourinho de Bronze como blogue do ano 2007 pelo Praça da República, de João Espinho. Entre ser imodesto e ingrato, prefiro ignorar o dilema. E esperar pelas nomeações de 2008.

Léxico: «hagi»

Vai a Meca

      Começa hoje o Hadj (ou Hajj, como grafa o Diário de Notícias, por exemplo), a peregrinação a Meca, um dos cinco pilares do Islão que qualquer muçulmano deve cumprir pelo menos uma vez na vida — a não ser que seja menor, louco ou escravo. É a oportunidade para dizer que o muçulmano que faz essa peregrinação se chama hagi, vocábulo registado nos dicionários de língua portuguesa.

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