Definição: «víscera(s)»

No século XXI, não é assim


      «Devido a questões pragmáticas e uma preferência genuína, culturas de todo o mundo têm longos e famosos historiais de cozinhar vísceras – um termo que inclui todas as partes de um animal que não sejam carne de músculo. No entanto, apesar de todo esse historial, o consumo de vísceras diminuiu em todo o mundo nas últimas décadas, diz o cientista alimentar Carlos Álvarez, investigador no Centro de Investigação Alimentar, em Ashtown, Dublin» («Conheça os estudos em defesa de um maior consumo de carne de órgãos», Mark Hay, National Geographic Portugal, 2.03.2026, 16h14). 

      Aproveitemos para melhor — na verdade, corrigir — a definição no dicionário da Porto Editora. Há muito por onde pegar, mas falar em «órgão desenvolvido» deixa-nos logo de pé atrás. O que define as vísceras é serem órgãos internos situados nas grandes cavidades do corpo, não o serem «desenvolvidos» ou «importantes» ou seja o que for. Trata-se simplesmente de uma formulação herdada da lexicografia do século XIX e do início do século XX. Hoje, porém, a terminologia anatómica já não reconhece a categoria «órgão desenvolvido». Assim, proponho ➔ 1. víscera ANATOMIA órgão interno situado nas grandes cavidades do corpo, especialmente nas cavidades torácica, abdominal ou pélvica, como o coração, os pulmões, o fígado ou os intestinos; 2. (no plural) conjunto desses órgãos internos; 3. (no plural) interior ou parte mais profunda de algo; entranhas.

[Texto 22 556]

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