Léxico: «microtécnica | macrotécnica»

Em várias áreas


      «La fédération d’entreprises Acrotec, née il y a 20 ans dans le Jura, est une référence dans les domaines de l’horlogerie et de la microtechnique. Le nouveau directeur, Didier Deltort, arrivé en début d’année, rassure: le bas du cycle semble avoir été atteint» («“Les premiers signes de confiance sont là”», Stéphane Gachet, Le Temps, 11.06.2026, p. 13).
      Termo que nós também temos e usamos em várias áreas, evidentemente, mas que os dicionários ignoram. Assim, proponho microtécnica 1. ramo da engenharia e da indústria dedicado à concepção, fabrico e controlo de componentes, mecanismos e sistemas de reduzidas dimensões e elevada precisão, abrangendo áreas como a micromecânica, a relojoaria, a instrumentação e outras tecnologias miniaturizadas; 2. técnica experimental realizada com pequenas quantidades de amostras e reagentes, geralmente em recipientes ou dispositivos de reduzidas dimensões, utilizada em análises microbiológicas, virológicas, imunológicas e afins.

[Texto 23 133]

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P. S.: Como também existe a macrotécnica técnica experimental realizada segundo procedimentos laboratoriais convencionais, com quantidades relativamente elevadas de amostras e reagentes; opõe-se a microtécnica.


Como se escreve por aí

Valha-nos Deus...


      Ao que isto chegou, esta forma de escrever: «Justiça coloca à solta cabecilha do PCC e a mulher» (Magali Pinto, Correio da Manhã, 28.05.2026, p. 14).

[Texto 23 132]

Léxico: «reichsmark»

E isso de que serve?


      Aqui numa tradução, cuja acção decorre quase toda na Alemanha, vejo o termo reichsmark, que a Porto Editora promete dicionarizar brevemente. Assim sendo, proponho reichsmark ECONOMIA unidade monetária oficial da Alemanha entre 1924 e 1948, subdividida em 100 reichspfennigs. 
      Quanto à etimologia, vem do alemão Reichsmark, «marco do Reich», de Reich, «império; Reich», + Mark, «marco».

[Texto 23 131]

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P. S.: O Dicionário de Alemão-Português da Porto Editora acolhe o termo Reichsmark: «[moeda alemã em vigor de 1924 a 1948]». Mas então um dicionário bilingue não serve para estabelecer equivalências entre duas línguas? Ora, apresenta uma explicação enciclopédica mínima, mas não uma verdadeira tradução nem uma equivalência lexical. Bastava assim: «Reichsmark s. f. marco do Reich (moeda alemã em vigor de 1924 a 1948).»

Léxico: «chefe-adjunto | bandeira roxa»

Dupla calha


      Nem fui eu, mas uma tradutora, que precisou aqui de um chefe-adjunto («deputy head», lia-se no original), e acertou em tudo, até na hifenização. Ora, calha bem porque o vejo na calha para ser dicionarizado.

[Texto 23 130]

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P. S.: Oh, Porto Editora, então a época balnear começou no mês passado e ainda não tens todas as bandeiras? Valha-me Deus, que imprudência. Mais uma, a ➠ bandeira roxa (praia) bandeira de cor roxa que indica a presença de organismos marinhos potencialmente perigosos, nomeadamente medusas, alforrecas ou caravelas-portuguesas.


Léxico: «jejuante»

Toma este


      «O recife surgia logo ali diante. Para lá de um areal feito desse coral, triturado pelos tempos. Vindas da imensidão do Oceano Pacífico, nuvens carregadas e velozes ameaçavam a tranquilidade e a resplandecência matinal. Demasiado ocupados com instalarmo-nos na cabana que nos calhava e, logo, a recuperar energias do despertar ensonado e jejuante, fazemos-lhes pouco caso» («Uma maré, em pleno mar de coral», Marco C. Pereira, «Versa»/Nascer do Sol, 22.05.2026, p. 30).

[Texto 23 129]

Léxico: «petrino»

É outro Pedro


      «O Papa rezou o terço junto da antiga e famosa Imagem da Virgem com o Menino. No final da oração, manifestou a sua alegria por ter vindo aos pés da Virgem negra “confiar-lhe o meu serviço petrino e a missão da Igreja no mundo que clama pedindo justiça e paz”» («Abadia de Monserrat: Papa confia à Virgem o seu serviço petrino e a missão da Igreja pela paz», Aura Miguel, Rádio Renascença, 10.06.2026, 12h55).
      Só te esqueceste do czar Pedro, o Grande (ou, como também é possível e por vezes uso, Pedro-o-Grande). Assim, proponho ➠ petrino 3. HISTÓRIA relativo a Pedro I da Rússia, dito Pedro, o Grande (1672-1725), ao seu reinado ou ao conjunto das reformas políticas, administrativas, militares, económicas e culturais por ele promovidas no processo de modernização e ocidentalização do Estado russo.

[Texto 23 128]

Mais um deus, e David Hockney

Talvez o dos cientistas


      «Mas este é o primeiro mundial da era da Inteligência Artificial (IA) generativa. Os vários modelos, que há quatro anos estavam a nascer, como o ChatGPT, o Gemini e o Claude, têm sido usados das mais diversas maneiras para prever os resultados. Baseiam-se nas séries de dados estatísticos de cada equipa, olhando sobretudo para o comportamento recente («Quem vai ganhar o Mundial?», Carlos Fiolhais, Correio da Manhã, 9.08.2026, p. 2). 
      Um novo deus, a IA, e por isso até um cientista lhe grafa o nome em maiúsculas. É o que temos.

[Texto 23 127]

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P. S.: E por falar em Deus: acabei de saber que David Hockney, uma das figuras mais influentes da arte contemporânea, morreu ontem, em Londres, aos 88 anos. Vejamos o que diz a Infopédia, que ainda não actualizou a entrada: «Artista plástico inglês, nascido em 1937, em Yorkshire, na Inglaterra, associado à fundação da Arte Pop britânica. Na primeira metade dos anos 60 adotou a fotografia como meio de expressão artística. Nesta linha, as imagens de Hockney são compostas por colagens de diversas fotografias instantâneas (Polaroids) em painéis, criando obras que utilizam elementos cubistas. Hockney vive em Londres e Los Angeles, onde mantém ainda uma intensa atividade artística.»
      Hockney quase reduzido à fotografia e às colagens fotográficas, quando ele foi um dos artistas mais influentes da segunda metade do século XX e do início do século XXI? Não pode ser. Falhei a exposição dele na Fundação Louis Vuitton, no ano passado, mas incentivei a minha filha a ir. Uma entrada não muito mais extensa mas mais precisa diria qualquer coisa como isto: «David Hockney. Artista plástico britânico, nascido em 1937, em Bradford, Yorkshire, e falecido em 2026, considerado uma das figuras mais importantes da Arte Pop britânica e da arte contemporânea. Ficou conhecido pelas suas pinturas de cores vivas inspiradas na Califórnia, em particular as célebres representações de piscinas, bem como pelos retratos e paisagens. Trabalhou igualmente em desenho, gravura, fotografia, cenografia e arte digital, destacando-se pela experimentação técnica e pela reflexão sobre a representação do espaço e da perspectiva. É considerado um dos artistas britânicos mais influentes da segunda metade do século XX e do início do século XXI.»

Blá-blá-blá, blá, blá, blá

Porque não é o mesmo


      Vejo muitas vezes, sobretudo em traduções, «blá, blá, blá», quando os dicionários só acolhem o nome «blá-blá-blá». Mas estarão os lexicógrafos a ver bem? Considere-se esta frase: «Tendo em conta a posição preeminente do camarada do partido ***, blá, blá, blá, o caso foi reclassificado como um assunto de segurança interna.» Pretende ser o resumo de uma conversa que alguém teve. Ali, não significa «conversa inútil, sem grande conteúdo» (na definição da Porto Editora), «palavreado», nem desempenha nenhuma função sintáctica nominal. O narrador está simplesmente a omitir uma parte do discurso burocrático, substituindo-a por uma imitação depreciativa do que foi dito. É claramente uma zona cinzenta da língua que ninguém quis tratar até hoje. Uma área crítica. Se fosse fácil, já estava feito. Ou não, dado o incalculável número de omissões que aqui temos comprovado e procurado sanar. Não é, contudo, por ser difícil que vamos ficar de braços cruzados. Assim, proponho blá-blá-blá nome masculino conversa ou discurso considerado vazio, enfadonho, repetitivo ou desprovido de conteúdo relevante; palavreado; 2. interjeição (geralmente grafada «blá, blá, blá») usada para representar, resumir ou omitir ironicamente um discurso, uma explicação ou uma sequência verbal considerados irrelevantes, enfadonhos ou previsíveis.

[Texto 23 126]

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