Nem o que é nosso prezamos
«Das mãos de Ana Paula sai um pão de água grande, com dois quilos, que recebeu o nome de “pão guloso”, depois de clientes terem dito: “Até o comemos sem nada, é tão bom que, quanto mais comemos, mais apetece comer”. Mas não só. Faz também pão de centeio, pão da avó, broa de milho, regueifa de canela, entre outros que marcarão presença no certame, onde a padeira estará a trabalhar ao vivo» («Ana Paula assume: “Gosto imenso de fazer pão. Tudo o que faço, faço com amor”», Zulay Costa, Jornal de Notícias, 10.04.2026, p. 16).
Não sei porque não temos tudo isto nos dicionários, por difícil que seja (e é) definir certos tipos de pão. Por acaso, é mesmo pão da avó que comemos, há vários anos, cá em casa, pelo que proponho ➜ pão da avó pão de fabrico artesanal, geralmente de formato rústico e miolo denso, preparado com farinhas tradicionais (frequentemente de trigo ou misturas), levedação lenta e cozedura prolongada, muitas vezes em forno a lenha, evocando receitas caseiras antigas; caracteriza-se por crosta espessa e estaladiça e sabor pronunciado, associado à tradição rural e doméstica.
Isto, é claro, nas padarias tradicionais, nas poucas que restam, não o que sai de supermercados e hipermercados, mal amassados, malcozidos, mal-amanhados.
[Texto 22 800]