Maus exemplos

VPV, o metafísico

      «O mal deste trio [Seguro, Sócrates e Soares] é que, para além da sua intransigência e vociferação, não oferece nada ao partido ou a Portugal, que, peço licença para lembrar, ainda aqui anda» («A grande zaragata», Vasco Pulido Valente, Público, 27.10.2013, p. 56).

[Texto 3437]

Tradução: «honourable»

Intraduzível, hein?

      Numa tradução de uma obra muito conhecida, feita no Brasil, lê-se: «Se ainda fosse alguma Honourable Edith ou Lady Violet, talvez; mas não aquela Sally maltrapilha sem um tostão de seu, sem pai ou mãe jogando em Monte Carlo.» Na tradução feita em Portugal, lê-se isto: «Ainda se fosse alguma Ilustre Edith ou Lady Violet; mas jamais a farroupilha da Sally, que não tinha um tostão e cujos pais passavam o tempo a jogar em Monte Carlo.»
[Texto 3436]

Plural: «mulherezinhas»

Ainda se usa

      Lê-se numa tradução recente: «Era uma dessas mulherezinhas discretas, obscuras como ratos, e que gostam de homens grandes.» É, vimo-lo no Assim Mesmo, a regra culta. Escrevi então: «Certo é que, ao contrário de outros estudiosos da língua, José Manuel Castro Pinto, no seu excelente Novo Prontuário Ortográfico (Plátano Editora) adverte: “Seria purismo injustificado escrever mulherezinhas e amorezinhos, até porque o plural se forma instintivamente numa relação directa: mulherzinha > mulherzinhas” (p. 60 da 3.ª ed.).»
[Texto 3435]

Tradução: «assistant commissioner»

Fica a dúvida

      «Em comunicado publicado ontem no site da Scotland Yard, o comandante assistente Mark Rowley, responsável pela investigação de crimes especializados e operações, afirma que a reabertura do processo em Portugal é uma “boa notícia”» («McCann, Governo e polícia falam de nova “esperança”», Emanuel Nunes, Diário de Notícias, 25.10.2013, p. 4).
      Será esta a melhor tradução de assistant commissioner — ou a pior? Commisionner não se traduz por «comissário»? Fica a dúvida.
[Texto 3434]

«Perder os nortes»

No plural, não conhecia

      «— Compreende... Estive fora uns pares de anos... Desgarrei-me, ou antes, perdi os nortes ao convívio...» (Um Minuto de Silêncio, João da Silva Correia. Lisboa: Publicações Europa-América, 1962, p. 263).
[Texto 3433]

Sobre «maçon»

E toucinho fumado

      Não me surpreende muito que o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora não registe o vocábulo «maçon». (No entanto, regista «bacon», o toucinho de que quase todos os tradutores gostam.) Já sabem porquê. Mas não registar «maçom»? No plural, «maçons», são iguais, e nem sequer sabemos se é francês, se é português. Apenas acolhe «mação», pouco usado decerto porque parece o masculino de «maçã», não é? «Pedreiro-livre», então.
[Texto 3432]

Príncipe Jorge

Em português, pois claro

      Estão a tomar juízo. «Aos três meses, o príncipe Jorge surge em público pela segunda vez. [...] A escolha dos padrinhos de Jorge mostra bem como Kate e Guilherme levam a sério o desejo de criar o filho da forma mais simples possível. [...] São sete os padrinhos de Jorge Alexandre Luís» (Fátima Silva, Telejornal, 23.10.2013).
[Texto 3431]

Gramática é com eles

Palavreado hiperbólico

      «“Um nada, zero, inútil, traidor, auto-centrado [sic], calculista, contraditório”. Seis adjectivos para o Presidente da República, numa única frase no Facebook», disse no Telejornal de ontem o jornalista Luís Miguel Loureiro. Gramática é com eles. Isabel Moreira, a deputada que, a fingir que era jornalista, descreveu daquela maneira o Presidente da República, disse que o fez «obviamente usando o palavreado hiperbólico do Facebook».
[Texto 3430]

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