Léxico: «matamba»

Resolvido

      «A esposa, a dona de casa é, regra geral, a cozinheira da família. O fungi, preparado à base de farinha de bombó ou milho, constitui a principal dieta alimentar, que é normalmente acompanhado de carne, peixe, matamba (quizaca), mulembwe (quiabo), temperado com ginguba, semente moída de abóbora ou de girassol» («Lumege Cameia transformada em vila moderna», Adão Diogo, Jornal de Angola, 9.10.2013, p. 39).
      Não sei, pareceu-me mal que o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora registasse «quizaca» e não acolhesse «matamba». Às 9h16 sugeri a inclusão do vocábulo e agora já lá está, para alegria dos Angolanos.
[Texto 3365]

Léxico: «chana»

Isso não é cá

      «O município [de Cameia], tido no passado por celeiro da província, devido às elevadas cifras de produção de arroz, possui chanas em abundância, 25 rios e quatro lagoas, que impulsionam a agricultura e a pesca artesanal» («Lumege Cameia transformada em vila moderna», Adão Diogo, Jornal de Angola, 9.10.2013, p. 39).
      É o nome que se dá em Angola às grandes planícies desprovidas de arvoredo e alagadas na época das chuvas.
[Texto 3364]

«Uma carta adonde»!

Exigem pluralismo

      Armindo Miranda, da Comissão Política do PCP, entrevistado à porta dos Estúdios da Valentim de Carvalho, em Paço de Arcos, enquanto o primeiro-ministro respondia «ao País»: «Vamos entregar uma carta adonde damos a opinião do Partido Comunista Português que não compete ao director de Informação da RTP decidir quem devem ser os próprios governantes do nosso país, os próximos governantes.»

[Texto 3363]

«Por mãos alheiras»!

Aqui mesmo

      Não têm fim os acertos e os desacertos a que podemos assistir na nossa vida. Depois da «faca de dois legumes» de Jaime Pacheco e do «pau de dois gumes» de Nuno Azinheira, eis outro disparate de nos fazer chorar. Ontem, numa reportagem, entrevistavam jovens que estão a aprender a lutar contra o êxodo rural. Em Rio Maior, encontraram Luís, um jovem que está a concluir o mestrado em Psicologia. «Pelo caminho», afirma o repórter, «reinventou o negócio de família.» Demos a palavra ao jovem: «Não quisemos deixar ficar as tradições por mãos alheiras ou quisemos pegar naquilo que nós nos orgulhávamos muito.»
[Texto 3362]

«Quando mais não fosse»

No país da Alice

      «– Não lhe parece então condenável e odioso que uma mulher abandone o marido e dois filhos, para seguir um indivíduo qualquer, sem tão-pouco saber ainda se é digno do seu amor? Pode realmente desculpar um comportamento tão leviano e impensado numa mulher que já não é criança e que devia ter aprendido a respeitar-se, quando mais não fosse, em atenção aos filhos?» (Vinte e Quatro Horas da Vida de Uma Mulher, Stefan Zweig. Tradução de Alice Ogando. Lisboa: Publicações Europa-América, 1972, p. 62).
[Texto 3361]

Iocoama

Porque não é

      «O seu pai estava à frente de uma clínica dentária em Iocoama. Era um homem muito bonito, cujo nariz particularmente bem feito fazia lembrar Gregory Peck em A Casa Encantada» (Sputnik, Meu Amor, Haruki Murakami. Tradução de Maria João Lourenço. Alfragide: Casa das Letras, 2010, 9.ª ed., p. 16).
      Parece pois que, no caso, também ninguém ­— tradutora, revisor (Ayala Monteiro) ou editor — achou ridículo. Porque não é.
[Texto 3360]

Lípsia

Dizem que é ridículo

      «Fiz os meus estudos na Alemanha, formei-me em medicina. Tornei-me até um bom médico, ocupando um lugar nas clínicas de Lípsia e, nessa época, não sei que número do Medizinische Blaetter fêz um grande barulho à volta de uma nova injecção que fui o primeiro a pôr em prática» (Amok (O Doido da Malásia), Stefan Zweig. Tradução de Alice Ogando. Porto: Livraria Civilização, s/d, 4.ª ed., p. 27).
      Agora dizem que é ridículo. Mas lá está ainda no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora lipsiense: «relativo à cidade alemã de Lípsia (Leipzig) no estado da Saxónia (Sachsen)».

[Texto 3359]

«Avante, Camarada»

Agora é assim

      «É uma espécie de “Avante, camarada”: um mero emblema. A meio da conversa, na conferência de imprensa que fechou o Congresso, Cunhal saiu-se de repente com uma extraordinária observação» (Retratos e Auto-Retratos, Vasco Pulido Valente. Lisboa: Assírio & Alvim, 1992, p. 122).
      Como sucede com o título Tanta Gente, Mariana, também neste caso omitem agora a vírgula antes do vocativo. Isso mesmo, tudo raso. Acabei de o comprovar.

[Texto 3358]

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