Já lá vai
«Os jornais contaram que [Annie Girardot] se apaixonou por Renato Salvatori, cara de homem, o boxeur irmão de Rocco. Tivesse ela escolhido Rocco (o bonitinho Alain Delon), eu ficava a saber que eu não teria chances. Há poucos anos, por um comovedor livro da sua filha Giulia Salvatori, A Memória da minha Mãe, eu soube que ela tinha Alzheimer» («A memória que não perco dela», Ferreira Fernandes, Diário de Notícias, 1.03.2011, p. 56).
Para mim, é um dos mais detestáveis galicismos que vieram conspurcar a nossa língua. Felizmente, tudo passa, e este barbarismo tem os dias contados (excepto, talvez, no Brasil). Alternativas: acaso, alternativa, boa sorte, dita, encontro, felicidade, fortuna, ocasião, oportunidade, probabilidade... A determinada altura, alguém veio propor o aportuguesamento em «chança», mas Vasco Botelho de Amaral fez ver que «chança» significa «mofa, zombaria, chalaça», e, como adaptação de «chance», seria inútil.
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