Veimar/Weimar

D. Raphael sabia


      Numa folha com anotações, um grande tradutor espanta-se (!) que outro tradutor tenha optado por escrever Veimar em vez de Weimar. E eu ia jurar que já uma vez aqui tinha falado de Veimar. Mas não: foi de Weimar. Numa edição de 1813 da Gazeta de Lisboa, é Veimar que se lê. No Vocabulario Portuguez & Latino, de Bluteau, é também esta forma que se lê. Neste ínterim de 200 anos, foi usada noutras obras, como, por exemplo, Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira.

[Post 4401]

Ensino

Bom por tradição


      Professor universitário muito considerado, mas, pelo que se via, só queria chamar a atenção para pretensas singularidades da língua. A locução «pôr-do-sol» com hífen? «Mas, quando o pastor chegou à beira-mar, o pássaro voou por sobre a água, em direcção ao pôr-do-sol.» As formas monossilábicas do presente do indicativo do verbo haver: hei de, hás de, hão de, etc. (antes da Base XVII, 2.º, do AO90, naturalmente) sem o hífen nas ligações da preposição «de»? «Onde as câmaras mais profundas são reservadas para o que há de mais trivial.» (Uma frase de Walter Benjamin, hem?) Genial...

[Post 4400]

Sobre ADN mitocondrial

E, no entanto


      «[...] but pretty useful as supportive evidence if the mtDNA matched his.» […] seria muito útil como prova de apoio caso o ADNmt fosse coincidente.» Trata-se do chamado ADN mitocondrial. A dúvida é se se deve grafar daquela forma, ADNmt. Quanto a mim, acho que não. Não é uma sigla composta.
      É conhecido, durante o século XIX, o uso exagerado de abreviaturas, e algumas pessoais, não generalizadas. Quem não se lembra do nome dos meses abreviado em Camilo, por exemplo? Setembro era 7bro, Outubro era 8bro, etc. Estas abreviaturas numéricas, de que actualmente só usamos nos numerais ordinais, 1.º, 2.º..., não deixam de ser curiosas, mas nem sempre são claras.

[Post 4399]

Tradução: «exonerate»

Agora não são buchas


      «Still, doubts lingered, and his four-year battle to exonerate his client, George Fox’s lawyer in court claimed that Brown was the killer.» O tradutor quis que aquele exonerate fosse exonerar, mas são falsos amigos (como tantos outros). Como transitivo, é o mesmo que demitir; destituir; tirar o ónus a; desobrigar; dispensar. Em inglês, e neste contexto, é ilibar de culpa.

[Post 4398]

Grande Maçã

Quem os viu


      Ena, até já sabem grafar prosónimos: «De acordo com documentos apresentados ontem naquele tribunal, Renato Seabra viajou para a Grande Maçã na companhia da vítima Carlos Castro no dia 29 de Dezembro do ano passado. Ambos ficaram hospedados no Hotel Intercontinental na Rua 44 West» («Renato Seabra entrou algemado e clamou inocência», Ricardo Durães, Diário de Notícias, 2.02.2011, p. 50).

[Post 4397]

Tradução: «wadding»

Na bucha


      Lia-se no original: «While pellets may disperse, the shotgun wadding will continue on its trajectory, in straight line.» Na tradução, podia ler-se: «Os chumbos podem dispersar, mas a bucha da arma seguirá a sua trajectória, em linha recta.» «Bucha»? O Dicionário Inglês-Português da Porto Editora, de facto, regista: «(armas de fogo) buchas». Cartucho? Cápsula?

[Post 4396]

«Luso-descendente»

Afinal, mudam

      Parece então que o Diário de Notícias passou a escrever «luso-descendente». Parabéns. «Luso-descendente Ronald DePinho conseguiu rejuvenescer grupo de ratos» («Descoberta a ‘nascente’ da fonte da juventude», Bruno Abreu, Diário de Notícias, 4.02.2011, p. 35). «Para lá do percurso natural do processo, este procurador luso-descendente [Tony Castro] levanta o véu sobre a provável estratégia de David Touger: “O advogado de defesa deve continuar a adquirir toda a informação sobre Carlos Castro para ver se consegue descobrir algo sobre a personalidade dele, no sentido de explicar como era antes de suceder o crime”» («Advogado de defesa vai investigar personalidade de Carlos Castro», Carla Bernardino, Diário de Notícias, 4.02.2011, p. 58).
[Post 4395]

Regência verbal

Disposto em forma de cruz


      «Foi isso, e só isso, que aconteceu: assaltos de gente armada contra gente armada. Os assaltos foram gorados, em todos ficaram mortos mais assaltantes que assaltados. Aqueles homens passaram pelas lojas de dezenas de comerciantes brancos indefesos e não os molestaram, terão cruzado mais civis portugueses como o meu pai e nada lhes fizeram» («Os heróis do 4 de Fevereiro», Ferreira Fernandes, Diário de Notícias, 4.02.2011, p. 64).
      No sentido de deparar, encontrar-se a regência não é cruzar(-se) com?

[Post 4394]

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