Tradução: «separator»

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Anúncio do Diário da Madeira de 8 de Março de 1925

Separador?

Caro A. M. L.: pelo contexto, parece tratar-se de uma desnatadeira, que é uma máquina para separar (daí o nome em inglês) a matéria gorda do leite, isto é, a manteiga. O creme que fica é depois batido, separando-se a parte sólida, a manteiga (mas também para o fabrico de outros produtos lácteos, como iogurte), da líquida, o soro ou leitelho (buttermilk, em inglês). Assim, traduzir simplesmente por «separador» deixa o leitor na dúvida. É esse o objectivo?

«Podiatra», «podólogo» ou «podologista»?


Sem pés nem cabeça

Cara Luísa Pinto: optaria por escrever «podólogo». Nem todos os dicionários registam a forma «podologista». «Podiatra» (em inglês podiatry) nem pensar. É correcto, sim, não se pode negá-lo. E até está registado em alguns dicionários, como o Houaiss. Contudo, a semelhança com «pediatra» levar-me-ia a afastá-lo, por prudência. Não é uma boa razão? Afinal, escrevemos para que nos entendam, não para que nos decifrem.

Léxico: «meixão»

Mei… quê?

      «A Brigada Fiscal da Figueira da Foz apreendeu cinco indivíduos e quase 30 quilos de meixão (enguia bebé), numa operação realizada na madrugada de ontem, no Mondego» («Apreensão», Metro, 7.3.2008, p. 4). Numa notícia datada de 2003, o Correio da Manhã escrevia: «O meixão é uma enguia-bebé quase transparente, com cinco centímetros de comprimento, muito procurado para petiscos em Espanha, sendo vendido pelos pescadores a 200 euros/kg, o que faz dele o ‘caviar português’.» O vocábulo não está registado nos dicionários.

Novos pecados capitais

Os 13 pecados

«O Vaticano publicou, no domingo, uma lista com seis novos pecados capitais. Assim, aos outros sete tradicionais — gula, luxúria, avareza, ira, inveja, soberba e vaidade — juntam-se a modificação genética, a poluição do ambiente, provocar injustiça social, causar pobreza, tornar-se extremamente rico e por fim consumir drogas. Tudo para que a antiga lista se adapte à “realidade da globalização”, avança a BBC» («Vaticano apresenta uma lista com seis novos pecados capitais», Maria Nobre, Meia Hora, 11.3.2008, p. 4). Aliás, a jornalista não sabe se é uma lista se uma «listagem»: «Contudo, esta listagem da Santa Sé é vista com algumas reservas por parte de figuras da Igreja ouvidas pelo Meia Hora.» Dada a época que vivemos, é lembrada a definição de pecado (definição mais completa e clara do que a que se lê em alguns dicionários): «Transgressões de princípios religiosos, éticos ou morais, que podem acontecer por palavras, acções ou omissões.»

Casco velho

Zona histórica

      «A Câmara de Lisboa quer contrair um empréstimo para financiar a recuperação urbana do casco velho da cidade, “um buraco” financeiro e social, com bairros como Alfama e Castelo a definharem há anos sem população nem comércio» («Câmara faz empréstimo para reabilitar “casco velho”», Meia Hora, 10.3.2008, p. 7). É claro que vem do espanhol casco viejo — mas não é razão para escrever a expressão entre aspas. Para agravar, as aspas do título não chegaram ao corpo da notícia. De resto, esta é pecha de muitos jornais: escrever desnecessariamente palavras e expressões entre aspas. Quando são absolutamente necessárias, não as usam.

Definição: «carjacking»

Outros perigos

Ninguém mais do que eu apela à sensatez dos jornalistas quanto ao uso e explicação de estrangeirismos. Hoje, o Meia Hora usa o vocábulo carjacking e ensaia uma definição. «O Relatório Anual de Segurança Interna aponta como prioridade o combate ao roubo de carros na estrada com ameaça de armas de fogo (carjacking), revelou o responsável pelo Gabinete Coordenador de Segurança em entrevista à TSF» («Roubo violento de carros vai ser a prioridade», Meia Hora, 10.3.2008, p. 6). E se não for usada uma arma de fogo, mas uma arma branca, já não será carjacking? E se for já dentro da garagem ou na rampa de acesso?

O termo «nação»

O dedo na ferida

A propósito do termo «nação», escrevia ontem Javier Ortiz na sua crónica habitual, «El dedo en la llaga», no Público: «O termo “nação” não apenas recebeu desde antigamente usos muito diversos, como cada dia que passa ganha sentidos mais imprecisos e subjectivos. O que desagrada muito aos que identificam “nação” com “Estado” ou não vêem na ideia de “nação” outra dimensão possível que não a jurídico-política. Para estes, falar da “nação árabe” — expressão muito comum entre os interessados — não tem sentido. Ultrapassa-os tanto o muito grande como o muito pequeno: tão-pouco compreendem que haja ameríndios que falem da “nação sioux”, por exemplo. Nos EUA, muitos afro-americanos definem-se como “nação”. E o mesmo acontece com não poucos latinos» («Las nuevas naciones», Público, 7.3.2008, p. 18, tradução minha).

RevPar e pax

Como?

«De acordo com um estudo da consultora imobiliária [Cushman & Wakefield], o preço médio por quarto disponível (RevPar) em Lisboa é de 58,74 euros, assente numa taxa de ocupação de 6,58 %» («Lisboa tem dos hotéis mais baratos do mundo», Global, 5.3.2008, p. 4). Desta vez, o jornal explicou o acrónimo que usou, o que ainda não é, como devia ser, prática corrente. Outras fontes indicam que o RevPAR é o rácio entre a receita dos quartos ocupados e os quartos disponíveis num determinado período. Como era de esperar, RevPAR vem do inglês: «revenue per available room». Estranho? Tanto ou tão pouco como pax para designar o passageiro aéreo ou o hóspede de hotel. São termos usados em todo o mundo.

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