Ensino do Francês

Bom sinal

      «Todos os jardins-de-infância e escolas do primeiro ciclo do ensino básico da Guarda vão proporcionar aos alunos o ensino do Francês, anunciou o presidente da autarquia. Joaquim Valente assinou um protocolo entre a autarquia, a Escola Superior de Educação da Guarda e a Embaixada de França com vista à implementação de um programa do ensino precoce do francês, e disse ser “possível” que no próximo ano lectivo o Francês seja ensinado em todas as escolas do primeiro ciclo do Ensino Básico e jardins-de-infância do concelho» («Guarda ensina Francês a mais novos», Global, 12.12.2007, p. 9).

Tradução: «paper»

Aos papéis

      Na edição de hoje do jornal Global, podia ler-se: «As instituições académicas portuguesas “não são o número 1”, sublinhou o professor, apesar de as considerar “muito boas e com uma sólida base científica”, embora marcadas por “conservadorismo, demasiada concentração na publicação dos papers e pouca predisposição para a mudança”» («Universidade alheada do meio industrial», Global, 11.12.2007, p. 9). A afirmação é de Yossi Sheffi, um director do Massachusetts Institute of Technology (MIT). Claro que o Global escreve, é uma fatalidade, «Massachussetts». Todavia, é dos «papers» que quero falar. Por acaso não se esqueceram de traduzir esta palavrinha? Ou reputam-na intraduzível? Num dicionário comezinho, que tenho aqui à mão, leio: «Paper: ensaio, dissertação, conferência, comunicação de carácter científico, literário, etc.» Serve?

Dicionário de relojoaria

Novo dicionário

      Com 625 entradas, ilustrado, o novo Dicionário de Relojoaria — O Universo do Tempo e dos seus Medidores, da autoria do jornalista e investigador Fernando Correia de Oliveira, acaba de ser publicado pela Âncora Editora. É sempre de saudar um trabalho desta natureza, especialmente num país em que tão pouco se faz nesta área.

Léxico contrastivo: «tubulação»

Rede

      «A rede de esgoto do Hospital Souza Aguiar voltou a apresentar problemas ontem. A denúncia foi feita pelo presidente do Sindicato dos Médicos do Rio (Sinmed), Jorge Darze. Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde informou que houve um entupimento na caixa de gordura, no estacionamento, nos fundos da unidade. Segundo o órgão, a limpeza da caixa, feita pela manhã, provocou o refluxo do esgoto em alguns pontos do subsolo» («Souza Aguiar volta a sofrer com tubulação de esgoto», Denise de Almeida, Jornal do Brasil, 11.12.2007, p. A16). 
      Parece muito técnico. Em Portugal diríamos, em circunstâncias semelhantes, «Souza Aguiar volta a sofrer com rede de esgotos» ou «Souza Aguiar volta a sofrer com sistema de esgotos», como na própria notícia se escreve. Antigamente, dir-se-ia encanamento.

Léxico: «alcaixa»


What one learns will depend on what one asks to begin with.
À marinheiro

      O leitor, e tradutor, A. M. L. pergunta-me se sei o nome que tem a gola postiça da blusa dos marinheiros. Como ainda ontem li, o que uma pessoa aprende depende do que pergunta. Também eu, por causa de uma dúvida, já uma vez fui ter com um alfaiate para me explicar um termo para uma tradução. A gola postiça, com listas em volta, que sai do decote da blusa dos marinheiros e abre sobre o peito, formando cabeção de cantos nas costas, designa-se alcaxa. Variantes: alcaixa e alcachaz.

Tradução: «massive»

Maciças são as portas

      Nas traduções do inglês, não deixa de ser irritante que o massive seja quase sempre e só traduzido por — maciço. Ou, pior — massivo. Que raio, então e se fosse «grande», «imponente», «imenso», «poderoso», «enérgico», «gigantesco», «esmagador», «pesadíssimo», «enorme», «tremendo», «grosso»… Claro que o metus reverentialis, também ele maciço, dos revisores tem o seu peso.

Léxico: «bruxismo»

Imagem: http://www.ha-channel-88.com/
Santo Ofício


      Pânico no dentista. «O nosso filho tem bruxismo!», bradam os pais à saída. Os outros pacientes, saindo de uma modorra receosa, alarmam-se. Ficam alerta. Escarafuncham os neurónios em demanda da palavra. Só ocorre «bruxa». Uma senhora, ainda jovem, levanta os olhos da Evasões e diz: «Isso não é nada. O meu filho sofre de restlesslegs

Léxico contrastivo: «orelhão»

Imagem: http://www.novomilenio.inf.br/
Escuta

      «A depredação de telefones públicos atingiu no Estado do Rio a marca de 72 mil aparelhos somente no ano passado, informa a Oi, empresa de telefonia que substituiu a Telemar. Nas contas da companhia, todos os meses 6% das unidades são danificados. Ao todo, estão espalhados pelo Estado 100 mil orelhões» («A cada ano, 72 mil orelhões são depredados no Estado», Jornal do Brasil, 9.12.2007, p. A15). Mais uma vez, um objecto ficou conhecido pelo nome que lhe foi atribuído popularmente. No Brasil, os telefones públicos só surgiram nos passeios em finais de 1971. Em Portugal, os telefones públicos que estão no exterior, nas ruas, apenas têm a designação de cabinas telefónicas.

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