19.6.07
Só para mestres
Um consulente do Ciberdúvidas, Leonel Mayer, quis saber se a construção «intime-se-a» é errónea. Trata-se, pois, da conformidade de se com outros pronomes. O consultor Carlos Rocha afirma categoricamente que «o pronome se, seja qual for o seu valor (partícula apassivante, sujeito indeterminado, pronome reflexo), não é compatível com o pronome átono de obje(c)to dire(c)to da 3.ª pessoa (o/a, os/as)». Conclui dizendo que «a frase em questão é, portanto, agramatical (*«intime-se-a»)».
Um consulente do Ciberdúvidas, Leonel Mayer, quis saber se a construção «intime-se-a» é errónea. Trata-se, pois, da conformidade de se com outros pronomes. O consultor Carlos Rocha afirma categoricamente que «o pronome se, seja qual for o seu valor (partícula apassivante, sujeito indeterminado, pronome reflexo), não é compatível com o pronome átono de obje(c)to dire(c)to da 3.ª pessoa (o/a, os/as)». Conclui dizendo que «a frase em questão é, portanto, agramatical (*«intime-se-a»)».
Invulgar, sim, mas sempre a tive como correcta. Se um argumento de autoridade servir, leia-se Fernando Venâncio na obra Maquinações e Bons Sentimentos (Campo das Letras, 1.ª ed., 2002): «Tome-se um português, observe-se-o de todos os lados, por dentro e por fora, da ponta dos pés ao cimo da alma» (da crónica «O português em quatro volumes», p. 65). Distracção do autor, acha Carlos Rocha? Mais um exemplo, ao virar da página: «Apreciando distanciadamente os hábitos gerais, pegava-se de quando em quando um indivíduo pelo chumaço, e deixava-se-o ir logo depois, amarrotado, desconjuntado, ávido de que chegasse a vez de outro.» Continuaria por aqui fora, com exemplos deste e de outros bons autores — mas tenho ali o pequeno-almoço à minha espera.
➤
1 comentário:


