Léxico: «etnozoologia | etnozoológico»

Aos pares é mais depressa


      «As espécies vegetais medicinais utilizadas na medicina tradicional são inventariadas e avaliadas de acordo com padrões fármaco-epidemiológicos e atestadas quanto à segurança. Com a adopção da Convenção para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial (2007), o tratado da Unesco passa a contemplar os conhecimentos, saberes-fazeres, competências, práticas e representações desenvolvidas e perpetuadas pelas comunidades em interacção com o seu meio natural, incluindo os conhecimentos ecológicos tradicionais, os saberes autóctones, a etnobiologia, a etnobotânica, a etnozoologia, as farmacopeias e as medicinas tradicionais» («Dependentes de plantas», Carlos Reis, Além-Mar, Maio de 2026, pp. 41-42).

[Texto 22 843]

Léxico: «clarone»

Dou-te música


      «“Ele me pediu uma peça para clarone, que, em Portugal, aliás, é clarinete baixo, que se chama Azulejaria. Eu quis trabalhar com a ideia dos azulejos portugueses, com toda a história e a importância cultural que eles têm. Em Curitiba, onde eu moro, o artista Poty Lazzarotto (1924-1998) fez vários painéis com azulejos. Então, fiz uma espécie de trajetória musical da viagem do azulejo de Portugal para o Brasil”, conta ele, que também é um pesquisador da música brasileira do período colonial. “Essa peça fará sua estreia mundial em Paredes”» («Harry Crowl faz recital no Porto inspirado na azulejaria portuguesa», Elizabete Antunes, Público, 18.04.2026, 10h07). 

      Pois, não o acolhes, Porto Editora, apenas o prometes, pelo que ➜ clarone MÚSICA Brasil instrumento de sopro da família das madeiras, correspondente ao clarinete baixo do português europeu, de tubo mais comprido do que o do clarinete soprano, geralmente com campânula recurvada e tudel metálico, de registo grave e timbre escuro, usado em orquestra, bandas e música de câmara.

[Texto 22 842]

Como se escreve por aí

Desta linda maneira


      «Um estúdio e uma escola que também conta com um museu e uma loja. Fernando Daniel acaba de inaugurar Nagana, um megaprojeto em Ovar dedicado à música, à gravação e ao ensino. O projeto abrange uma área de 1000 metros quadrados e assume-se já como um dos maiores e mais relevantes espaços do género a norte do País. O investimento é exclusivo do cantor e ronda os 2 milhões de euros. “Investi aqui quase todo o dinheiro que ganhei em oito anos na minha carreira. Abdiquei de muita coisa em prole deste projeto, em termos pessoais e profissionais, mas sinto que precisava de um espaço como este porque é isto que acredito que vou fazer para o resto da minha vida”, diz ao CM» («“Investi o que ganhei em oito anos de carreira”», Miguel Azevedo, Correio da Manhã, 18.04.2026, p. 35). 

      Ah, que desgosto, Miguel Azevedo. Já percebemos que faltou a esta aula. E agora já é tarde. Ou não, não sei, depende do brio.

[Texto 22 841]

Léxico: «hepatoprotecção | hepatoprotector»

É o que se diz


      Já me esquecia, Porto Editora: o alcaçuz também apresenta propriedades hepatoprotectoras, o que quer dizer que em afecções relacionadas com o fígado, como na hepatite, pode ajudar a reduzir os danos causados. 

[Texto 22 840]

Léxico: «biscoito champanhe»

Não gosto muito, mas ei-los


      «Se você pensa em biscoito champanhe e não pensa em tiramisú, você precisa saber que faz parte de uma minoria. Base de uma das sobremesas mais amadas do mundo, esse biscoito leve, aerado e delicadamente adocicado é curinga na confeitaria» («Confeiteiros renomados avaliam requinte crocante do biscoito champanhe», Fernanda Meneguetti, O Estado de S. Paulo, 19.04.2026, p. C7). 

      Estão outros biscoitos nos dicionários, pelo que proponho ➜ biscoito champanhe CULINÁRIA biscoito seco e leve, de forma alongada, preparado à base de ovos, açúcar e farinha, com interior areado e superfície seca e crocante, frequentemente polvilhado com açúcar; caracteriza-se pela estrutura porosa que lhe permite absorver líquidos sem se desfazer de imediato, sendo usado sobretudo em sobremesas como tiramisu, pavês e charlottes, ou servido acompanhado de café, chá ou bebidas alcoólicas.

[Texto 22 839]

Léxico: «memrístor»

Esta é prometedora


      E ali está, no texto sobre a sinapse, um termo que promete muito para a evolução da inteligência artificial. Afinal, não temos «transístor» e «termístor», por exemplo? No teu caso, Porto Editora, também prometes, e espero que seja promessa de político, «termistor» e «transistor». Assim, proponho ➜ memrístor ELECTRÓNICA dispositivo electrónico passivo cuja resistência varia em função da corrente eléctrica que o atravessou anteriormente, conservando essa variação mesmo na ausência de alimentação; funciona assim como um elemento com memória incorporada, sendo por isso considerado análogo funcional das sinapses biológicas e estudado no âmbito da computação neuromórfica.

[Texto 22 838]

Léxico: «diamante-mandarim»

Nas nossas gaiolas


      «Um pequeno pássaro nativo da Austrália – o diamante-mandarim – é famoso pela sua capacidade de aprender novas canções e é um dos favoritos dos cientistas para estudar a forma como os animais conseguem assimilar novas capacidades» («Regeneração cerebral em algumas aves pode inspirar reparações no cérebro humano», Rádio Renascença, 18.04.2026, 1h30). 

      Pois, é o Taeniopygia guttata, e como tem vários nomes e está nas gaiolas de algumas casas portuguesas, Porto Editora, já sabes o que tens de fazer. 

[Texto 22 837]

Como se fala por aí

Ou é a prosa que é adormecente?


      «Quanto à difusão, Bacelar Gouveia enfrenta sentimentos contraditórios. Por um lado, está satisfeito, porque o livro (lançado em Fevereiro, com chancela da Almedina) “tem vendido bem”, mas por outro está convencido de que este tema “não interessa às pessoas”: “Nós não temos em Portugal uma questão linguística, reconheço, mas temos pequenas questões linguísticas: o acordo [ortográfico] é uma questão controversa; o modo de escrever; a linguagem inclusiva, que tem muito que se lhe diga; ou a parte da informática, que aqui não está tratada. O problema é que em Portugal há pouco diálogo científico e as elites universitárias, aqui tenho uma visão muito pessimista, são muito frágeis e estão muito adormecentes.” Há, segundo Bacelar Gouveia, razões para isso: “O processo de Bolonha veio burocratizar o trabalho universitário, os professores gastam metade do seu tempo a preencher relatórios e a fornecer estatísticas, e não têm tempo para ler, escrever e pensar”» («“O uso generalizado e até abusivo do inglês começa a ser inadmissível”», Nuno Pacheco, Público, 17.04.2026, p. 30). 

      As elites universitárias, seja lá isso o que for, «são frágeis e estão adormecentes»... O que me parece é que é muito má ideia usarmos palavras que não conhecemos bem.

[Texto 22 836]

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