Definição: «sinapse»

Qual teoria...


      «The human brain takes a different approach. Every synapse – the junctions where neurons communicate – both stores and processes information locally, which means memory and processing are fused inside the same biological hardware. This is one reason the human brain can run roughly 10¹⁴ synaptic operations per second on about 20 W of power (less than a dim household light bulb), but an Al model running in a data centre will need at least hundreds to thousands of times more power for the same number of operations» («New brain-inspired ‘memristors’ promise to reduce AI energy use», Shamim Haque Mondal, The Hindu, 16.04.2026, p. II). 

      É um bom contributo para uma nova definição de «sinapse». Já a do Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora padece de vários problemas, como a formulação ser datada («teoria neurónica»), o núcleo funcional da noção não estar bem captado e a divisão em duas acepções ser totalmente artificial. Apenas a referência à região de contacto e à transmissão apontam na direcção certa. Aprofundemos um pouco apenas dois aspectos. Primeiro, a teoria neurónica é uma formulação do fim do século XIX, hoje tão básico, que deixou de ser teoria no sentido activo, é conhecimento estabelecido. Segundo, para teres duas acepções, Porto Editora, separas neurónio-neurónio de neurónio-músculo. Mas a segunda não é um significado diferente: é apenas um caso particular da primeira. Trata-se sempre do mesmo tipo de entidade, uma junção funcional especializada entre um neurónio e outra célula excitável ou efectora. Logo, induz em erro, mas não é meramente dispensável: é errado. 

      Assim, proponho ➜ sinapse ANATOMIA região especializada de comunicação entre um neurónio e outra célula (geralmente outro neurónio, mas também uma célula muscular ou glandular), onde o impulso nervoso é transmitido por mecanismos electroquímicos, com libertação de neurotransmissores e modulação da intensidade do sinal; desempenha papel essencial na integração, no processamento e na plasticidade da actividade nervosa.

[Texto 22 835]

Definição: «desporto»

É que nem pensar, Pepe


       De manhã, estavam dois badamecos comentadores na Cadena COPE a discutir acaloradamente o que é, como se define desporto. Um defendia uma posição, digamos, próxima da que expressa a definição da Porto Editora: «exercício físico praticado de forma metódica, individualmente ou em grupo, e com diversos objectivos (competição, recreação, terapia, etc.)». É que nem pensar. O que justificava até a irritação do outro, que subscreveria, tenho a certeza, esta minha proposta ➜ desporto actividade correspondente à prática de modalidades codificadas, geralmente de natureza física (podendo, em certos casos, ter componente predominantemente mental), realizada individual ou colectivamente, de forma informal ou em contexto competitivo, segundo regras estabelecidas, que exige treino, destreza e controlo técnico.

[Texto 22 834]

Tradução: «lactante»

Vê-se de tudo


      «Dos agentes de la Guardia Civil fuera de servicio salvaron la vida a una niña de 16 meses que se encontraba en parada cardiorrespiratoria en el municipio de Alhama de Murcia. Los agentes practicaron primeros auxilios, aplicando la maniobra de Heimlich adaptada para lactantes. Gracias a ello, la niña comenzó a ventilar de forma autónoma antes de la llegada de la ambulancia. En la imagen, los guardias, con la menor» («Dos guardias civiles fuera de servicio salvan la vida a una niña», La Razón, 16.04.2026, p. 45). 

      Vamos pôr as coisas assim: muitos desses que julgam que estão habilitados a traduzir do castelhano apenas porque, antes do 25 de Abril, os avós iam comprar caramelos a Badajoz iam espalhar-se aqui. É que em castelhano lactante tanto designa o bebé, a criança que mama, como a mulher que amamenta. Em português, precisamos de duas palavras: lactante é a mulher que amamenta, e à criança que mama damos o nome de lactente. Por um daqueles acasos em que a minha vida (ou a de todos?) é pródiga, justamente na semana passada revi uma obra em que a autora usava o termo errado.

[Texto 22 833]

Maiúsculas e minúsculas, a origem

Foi assim


      Já alguma vez pensaram porque são tão diferentes algumas letras nas maiúsculas e nas minúsculas — por exemplo, o a e o g — enquanto outras, como o c ou o s, quase não mudam? A resposta está na sua origem distinta. As maiúsculas vêm da tradição epigráfica romana, isto é, das inscrições gravadas em pedra, de traço geométrico e regular. As minúsculas, pelo contrário, nasceram de escritas cursivas, usadas no dia-a-dia com tinta, em que a rapidez levou à simplificação e transformação das formas. Foi entre os séculos VIII e IX, no contexto das reformas de Carlos Magno, que essas formas se estabilizaram na chamada minúscula carolíngia. Mais tarde, no Renascimento, os tipógrafos combinaram essas minúsculas com capitais inspiradas na epigrafia romana, fixando o alfabeto tal como hoje o usamos.

[Texto 22 832]

Léxico: «antropizado»

Com exemplos


      «Podemos retomar o caminho. Diante de nós estende-se a estrada, em grande parte de terra batida, que atravessa o planalto do Pamir, na região autónoma (e politicamente turbulenta) do Gorno-Badakhshan. Com mais de 1200 quilómetros de extensão, é considerada a segunda estrada mais alta do mundo, a seguir à Karakoram Highway. O seu ponto mais elevado é o passo de Ak Baital, a 4655 metros acima do nível do mar. Percorrê-la de Osh a Dushanbe — é este o plano — permite admirar paisagens espectaculares para quem aprecia uma Natureza não antropizada» («O senhor do Pamir», Paolo Moiola, Além-Mar, Maio de 2026, pp. 33-34). 

      Não o tens, mas vejo-o por aí, e até em documentos oficiais, pelo que proponho ➜ antropizado modificado pela acção humana, especialmente no que respeita a ambientes naturais; diz-se de paisagem, meio ou território que sofreu transformação por intervenção humana. ⟨paisagem antropizada, meio antropizado, território altamente antropizado⟩.

[Texto 22 831]

Léxico: «anarcolibertário | anarcolibertarismo»

Ou é indefinível?


      Eu perguntei primeiro: por que raio não está a palavra «anarcolibertário» dicionarizada? Não percebo, se as encontramos com alguma frequência. Assim, proponho ➜ anarcolibertário POLÍTICA relativo ou pertencente a uma corrente ideológica que combina princípios do anarquismo com o libertarianismo, defendendo a abolição do Estado e a organização da sociedade com base em relações voluntárias e no mercado livre; adepto dessa corrente. 

      Ao mesmo tempo, não pode faltar também ➜ anarcolibertarismo POLÍTICA corrente ideológica que combina princípios do anarquismo com o libertarianismo, defendendo a abolição do Estado e a organização da sociedade com base em relações voluntárias e no mercado livre.

[Texto 22 830]

Definição: «cocktail molotov»

Viu bem


      «O homem de 39 anos, ex-professor, designer e militante anarco-libertário e do Partido Socialista – que já ontem anunciou que o quer expulsar –, que atirou um cocktail molotov (artefacto incendiário) contra um grupo de manifestantes da Marcha pela Vida, antiaborto e antieutanásia, no dia 21 de março, à frente do parlamento, em Lisboa, foi segunda-feira detido pela unidade antiterrorismo da Polícia Judiciária» («Anarquista e militante do PS detido por ataque à bomba», Miguel Curado, Correio da Manhã, 16.04.2026, p. 18).

      Ainda bem que o jornalista foi beber noutra fonte, Porto Editora, porque na tua definição é um «engenho explosivo». Não é. Assim, proponho ➜ cocktail molotov engenho incendiário artesanal constituído por uma garrafa, geralmente de vidro, com líquido inflamável, fechada com um pano embebido que funciona como mecha e que, após ignição e lançamento, provoca a dispersão do combustível e a sua inflamação ao impacto.

[Texto 22 829]

Léxico: «besouro-jóia | buprestídeo»

Um buprestídeo, dois buprestídeos


      «Besouros são um dos grupos mais bem-sucedidos da história da vida na Terra. São mais de 400 mil espécies conhecidas desses insetos, e essa lista acaba de aumentar. Pesquisadores descreveram em um artigo, publicado em março no periódico Biodiversity Journal, duas novas espécies de besouros do gênero Agrilus, da família Buprestidae, que inclui espécies conhecidas como besouros-joias» («Biólogos identificam duas novas espécies de besouro-joia, uma delas por acaso», Ana Bottallo, Folha de S. Paulo, 16.04.2026, p. A49).

[Texto 22 828]

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