Dicionários

Pega chapéu!

      «Bom dia. CTT Expresso.» Chegou o Dicionário de Falares dos Açores – Vocabulário Regional de Todas as Ilhas, de J. M. Soares de Barcelos (Coimbra: Edições Almedina, 2008, 614 pp.).
      Na última LER, Francisco Belard escreve sobre um glossário que também nos interessa: Variantes Cariocas da Língua Portuguesa, de António Correia de Pinho (Lisboa: Chiado Editora, 2012, 744 + 768 pp.).
[Texto 2328]

Como se escreve nos jornais

Só faltam os coronéis

      «O objetivo do Grupo de Ações Táticas (GAT) da Polícia Marítima (PM) era resgatar um fazendeiro sequestrado pelo seu capataz insatisfeito com a vida e que o ameaçava matar. O incidente situava-se [sic] numa herdade na zona de lezírias banhada pelo rio Tejo» («Polícia Marítima resgata com motos de água», Diário de Notícias, 15.11.2012, p. 26).
[Texto 2327]

Como se escreve nos jornais

É da pressa, dizem eles

      «“Há muitas perguntas que não me foram permitidas [sic] fazer”, disse. “A menos que haja critérios duplos, isso não deve ser permitido.” A procuradora e o juíz discutiram durante alguns minutos, mas as diferenças terminaram quando FitzGerald disse: “Um dia, Ms. Rosenthal, vai usar esta batina negra. Mas, por agora, sou eu que faço as regras e, quer goste, quer não goste, terá de cumpri-las”» («Seabra ausente de julgamento devido a cansaço», Alexandre Soares, Diário de Notícias, 15.11.2012, p. 23).
      Senhor jornalista, na América os juízes (atenção: juiz/juízes) vestem batina? Também têm 33 botões como aquelas que nós conhecemos, ou são de outro modelo?
[Texto 2326]

Chuteiras, pitões, ‘pitons’, grampões

Estas por 89,95 euros

      «O encontro de Luís Figo e Murilo Benício até podia ter acontecido por causa de Avenida Brasil, a novela da TV Globo que a SIC emite de segunda a sexta-feira à noite, e em que o ator surgiu a jogar futebol nos primeiros episódios. Mas a trama já terminou no Brasil e Tufão, nome do personagem, também arrumou cedo as chuteiras» («Luís Figo e Tufão de ‘Avenida Brasil’ inauguraram juntos loja de luxo», Filomena Araújo, Diário de Notícias, 15.11.2012, p. 53).
      Está, como bem sabemos, em todos os dicionários. No Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora: «calçado próprio para jogar futebol; bota de futebolista». E como se chama cada uma das peças pontiagudas que este calçado costuma ter nas solas? Para aquele dicionário, «pitão». Tal como para o Dicionário Priberam da Língua Portuguesa, que o define como «travessa de chuteira». Travessa? Sempre tenho ouvido, para referir o mesmo, o galicismo piton, que podemos e devemos evitar. Se formos à Decathlon, trazemos sapatilhas com grampões.
[Texto 2325]

Ortografia: «dignitário»

Lá isso é verdade

      «Perante este quadro, qual o papel da Maçonaria e do seu grão-mestre? “E o que dizem os dignatários do GOL? Nada! E o que tem dito o nosso grão-mestre? Nada. Não tem dito nada”, afirmam os maçons da Loja Pátria. Contactado pelo DN, Fernando Lima limitou-se a dizer que não comenta, uma vez que esta loja não é reconhecida pelo GOL» («Loja Pátria critica grão mestre [sic] do GOL», Carlos Rodrigues Lima, Diário de Notícias, 14.11.2012, p. 13).
      Independentemente do que registem alguns dicionários, certo é que de dignitas não podia sair «dignatário», mas já todos vimos coisas igualmente estranhas.
[Texto 2324]

Léxico: «prancha»

Monomania

      «“Os portugueses estão a pagar muitos milhões de euros, grande parte em juros escandalosos, pelas más ações de poderosos que levaram bancos ao descalabro”, lê-se na última “prancha” (comunicado) dos maçons da Loja Pátria, acrescentando que, para “os erros dos políticos”, “propõe-se como receita o desemprego, incentiva-se a emigração, alienam-se setores estratégicos e vendem-se os ativos lucrativos do País”. [...] Entretanto, a direcção [sic] do GOL já emitiu uma “pracha” [sic] pelas lojas, dizendo que irá investigar a autoria do comunicado da Loja Pátria, que “O [sic] GOL não reconhece”, lê-se no texto» («Loja Pátria critica grão mestre [sic] do GOL», Carlos Rodrigues Lima, Diário de Notícias, 14.11.2012, p. 13).
      Ora, e para quê as aspas? Galhos inestéticos. Está nos dicionários. No Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, lê-se que prancha é a «circular enviada por uma seita, nomeadamente uma loja maçónica, aos membros de outras seitas». Talvez nenhuma acepção, das que constem no mesmo dicionário, assente muito bem na Maçonaria. Não sei, digo eu. Para o Houaiss, «prancha» é a «circular que uma loja maçónica envia às outras».
[Texto 2323]

Os irmãos e as aspas

Incongruências

      «Depois de ter pedido uma investigação no seio da Maçonaria à conduta do irmão Miguel Relvas, a Loja Pátria, uma espécie de loja clandestina criada no Grande Oriente Lusitano, critica agora o papel do grão-mestre, Fernando Lima, pelo silêncio deste sobre a atual crise financeira do País. [...] Os “irmãos” da Loja Pátria recordaram ainda o pedido feito a uma averiguação à conduta do irmão Miguel Relvas: “Decorridos três longos meses, mantemos os nossos pedidos e continuamos a aguardar resposta, conscientes de ser fundamental separar o trigo do joio”» («Loja Pátria critica grão mestre [sic] do GOL», Carlos Rodrigues Lima, Diário de Notícias, 14.11.2012, p. 13).
[Texto 2322]

«Arco governativo»

Devia, pois

      Acabei de ler que a expressão «arco governativo» é uma herança do 25 de Novembro. Bem, até pode ser, contanto que com isso não se pretenda afirmar que saiu daquelas cabeças exaltadas. Em inglês diz-se governmental arch; em francês, arc gouvernemental; em espanhol, arco gubernamental; em italiano, arco governativo. Não me parece que tenha sido exportada para estas línguas. Também se usa entre nós, mas talvez menos, «arco governamental». Depois de ter perguntado a mim próprio, pergunto aos meus leitores: a expressão não devia estar nos dicionários?
[Texto 2321]

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