Ortografia: «pasodoble»

Olé!

      Consultamos o dicionário da Real Academia Espanhola, e lá está: pasodoble. «Marcha a cuyo compás puede llevar la tropa el paso ordinario; baile que se ejecuta al compás de esta música». No Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, encontramos: paso doble. E porquê? «Do espanhol paso doble, “idem»)». Sim, e depois? Esse é somente o ponto de partida, agora os termos estão unidos, soldados.
       «Ao fim da tarde toda a gente se reuniu no salão nobre, e o senhor Camacho mandou parar a música do baile que era o pasodoble Valencia, avançou muito direito, e procedeu à entrega de um sobrescrito fechado à aniversariante, proferindo estas palavras, “Maria do Patrocínio, filha do meu coração, aqui vão cinquenta contos de réis que te ofereço como prenda de anos, e com os votos da maior felicidade”» (Boa Noite, Senhor Soares, Mário Cláudio. Lisboa: Publicações Dom Quixote, 2008, 2.ª ed., p. 22).

[Texto 2169]

«Babygrow» ou «babygro»?

Do inglês?

      E a propósito de palavras estrangeiras... será babygro ou babygrow? Numa revisão, acabo de ver babygrow, como já vi várias vezes. «Babygro», regista o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora. «Fato de bebé, constituído por uma peça única, geralmente feito de tecido extensível». E, como étimo, isto: «Do inglês Babygro®, “idem”». Discordo: se é uma marca registada, não é do inglês, nem do malaio, nem do francês. Começou por ser uma marca registada, na década de 1950, por Walter Artzt, norte-americano. Depois, como muitas vezes sucede, a palavra, num processo de derivação imprópria, tornou-se comum.
[Texto 2168]

As portuguesas não chegam?

É condenável, sim

      «A L’Óreal optou, por agora, por não comentar este assunto. Contactada pelo DN/Dinheiro Vivo, fonte oficial disse apenas: “A marca está a avaliar toda a campanha e fará um statement muito em breve”» («Falsa Diana enganou o País inteiro», Ana Marcela, Diário de Notícias, 3.10.2012, p. 51).
      É uma vergonha que um português fale assim, disso não tenho dúvidas. Como também não tenho dúvidas que a jornalista não tinha necessidade de fazer a citação directa, pelo que podia e devia ter evitado usar a palavra inglesa.
[Texto 2167]

«Megapíxel/megapixel»

Como «nível»

      «O novo iPhone possui agora o novo sistema operativo iOS 6, que inclui “200 novas funcionalidades”, a que se juntam um ecrã Retina com 4" de diagonal, um novo processador (o A6), câmara com sensor de 8 megapixéis e suporte a redes de quarta geração 4G/LTE» («iPhone 5 já chegou», Pedro Freire Alves, Nova Gente, n.º 1881, p. 90).
      Está bem, também pode ser, mas prefiro, se não se importam, com acento no i, e, assim, megapíxel e megapíxeis. Que é, igualmente, a grafia registada no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora.

[Texto 2166]

Botija de gás/bilha de gás

Também eu

      «Felizmente não estava ninguém no apartamento quando a bomba explodiu. Bomba? A polícia, primeiro, negou que tivesse sido uma bomba: fora, dizia, uma botija de gás. Um perito em explosivos, porém, depressa concluiu que havia sido realmente uma bomba» (A Substância do Amor e Outras Crónicas, José Eduardo Agualusa. Lisboa: Publicações Dom Quixote, 2003, 2.ª ed., p. 90).
      Também prefiro dizer e escrever «botija de gás». Nunca escrevi nem disse «bilha de gás».

[Texto 2165]

Judite

Polícia Judiciária

      Porquê em itálico? Não, não estou a ver nenhuma razão. Confundir com uma mulher com o mesmo nome? E com o livro da Bíblia, também se confunde?
      «Agora, o que lhe faz confusão é porque é que eles vieram ter com a Judite quando tinham a Guarda Fiscal à mão» (Balada da Praia dos Cães, José Cardoso Pires. Lisboa: BIS/Leya, 2010, pp. 200-1).

[Texto 2164]

Tradução: «closet»

Arcaica, seja

      Lavatory, WC... Hoje falaremos do closet. Aqui o nosso protagonista foi ao closet e tirou de uma gaveta a roupa que ia vestir. Para o Dicionário Inglês-Português da Porto Editora, closet é, nos Estados Unidos da América, «armário» e, como acepção arcaica, «pequeno gabinete». Ficamos com esta. Embrulhe, se faz favor.
      De facto, muitas vezes (e não apenas nos filmes), é mesmo um quarto, ainda que de pequenas dimensões (e por isso o Michaelis dá como tradução «quartinho, cubículo, despejo, despensa»), onde se guardam roupas e calçado. Porque não quarto de vestir?
      «Sofia estava só, no quarto de vestir, calçando os sapatos, quando a criada lhe entregou o pacote» (Quincas Borba, Machado de Assis. Rio de Janeiro: Ediouro Publicações, 2003, p. 230).
[Texto 2163]

Tradução: «lavatory»

Estão atrasados

      Em inglês é, segundo o Merriam-Webster, «a room with conveniences for washing and usually with one or more toilets». Vamos imaginar que se trata de uma situação intermédia, um compartimento em que há uma sanita e um lavatório, ambos com água corrente. Numa moradia ou num apartamento. Dar-lhe-emos o nome de «lavabo»? Para o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, porém, lavabos (notem o plural) são as «instalações sanitárias em lugares públicos como restaurantes, cafés, etc.». Para o Dicionário Priberam da Língua Portuguesa, nem isso: não é tido na conta de compartimento. Só para o Houaiss é o «recinto em moradia, andar de prédio, estabelecimento etc., onde se encontra este aparelho [lavatório], acompanhado geralmente de uma sanita». E para o Lextec, que regista lavabo, lavabo social e casa de banho social, dando uma só definição para os três: «casa de banho pequena, geralmente próxima da entrada principal de uma habitação, equipada com sanita e lavatório, principalmente para uso das visitas». Há alguma razão para esta resistência dos dicionários?
[Texto 2162]

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