Segundo o AOLP90

Já não é assim

      «O grupo parlamentar de Os Verdes questionou o Governo sobre a eventual destruição de dunas em Tróia para criar um novo acesso à praia, revelou ontem o partido. José Luís Ferreira disse ter alguns dados sobre conversações “para tornar a zona urbanizada da Soltróia num condomínio de acesso e uso privado”» («Verdes questionam Governo sobre Tróia», Diário de Notícias, 8.10.2012, p. 12).
      Com a adopção do Acordo Ortográfico de 1990, o topónimo Tróia (e o nome comum «tróia», nome de um antigo jogo que simulava um combate) perde o acento agudo, passando a Troia.
[Texto 2178]

Citem-na, pois

O que vale a Wikipédia

      «Para encontrar dados que antes requeriam horas, hoje está-se à distância de um clique e da Wikipédia. Tempos novos, que precisam de novas cautelas, mas de saberes globais e levezinhos. Ontem, o Times prestou com ironia uma homenagem a essa sabedoria instantânea. Em editorial, o diário londrino escreveu sobre o casamento de Jimmy Wales, o fundador da Wikipédia. O casamento foi ontem, com uma antiga colaboradora de Tony Blair, Kate Garvey. Eles conheceram-se em Davos e Wales terá pedido a um subordinado: “Arranja-me o telefone dela, e não vás à Wikipédia, tem de ser um dado exacto.” Noutra página, o Times volta ao casamento. Entre os 23 milhões de artigos da enciclopédia livre na Net (publicados em 285 línguas), o jornal desencantou o texto dedicado ao próprio Jimmy Wales. Na edição inglesa, o patrão da Wikipédia é dado como indo casar-se “no próximo verão.” Casou-se ontem, em pleno outono. E com outro clique eu fui à edição portuguesa e li que “Wales vive em Sampetersburgo (Florida) com sua esposa Christine e sua filha, Kira”... O Times diz que nas suas memórias o antigo primeiro-ministro Blair elogia muito a noiva de ontem. Quando da zanga pública entre Blair e Gordon Brown, Kate Garvey deu-lhe o melhor dos conselhos: que frente aos jornalistas ele comprasse dois sorvetes e oferecesse um a Gordon. Com um só casamento, ontem o Times expôs-nos o enxoval de meias mentiras com que somos diariamente servidos» («Saberes globais e levezinhos», Ferreira Fernandes, Diário de Notícias, 7.10.2012, p. 48).
[Texto 2177]

Voz da coruja

Mais específico

      O autor pôs uma coruja a cantarolar. E até podia tê-la posto a trautear o hino, mas a voz da coruja é outra: a coruja chirria.
[Texto 2176]

Léxico: «cagarrão»

Nunca a viram

      «De ladrão não passas para toda a gente... e qualguer [sic] coisa que haja por aqui, já sabes: metem-te no cagarrão» (A Barca dos Sete Lemes, Alves Redol. Lisboa: Publicações Europa-América, 1986, p. 250).
      Se apenas consultarmos o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, não ficaremos a saber que cagarrão significa prisão.
[Texto 2175]

Cuidados editoriais

Ligatura

      É raríssimo ver semelhante cuidado: nas provas, logo no primeiro título corrente, uma indicação para o paginador: «Ligatura. MUDAR TODOS.» Sim, o traço, na escrita, que une uma letra a outra, em certos caracteres. No caso, entre o f e o i. Fim.
[Texto 2174]

Léxico: «acolar e encolar»

Pobres dicionários

      «Acolar. — Usa-se nas Beiras, com o mesmo sentido de encolar. Acolar uma criança é pegar nela ao colo, ou trazê-la ao colo. Alguns dicionários, justamente considerados modernos e copiosos, não trazem a forma acolar» (Glossário de Incertezas, Novidades, Curiosidades da Lingua Portuguesa e também de Atrocidades da Nossa Escrita Actual, Agostinho de Campos. Lisboa: Livraria Bertrand, [1938], 2.ª ed., p. 32). É o caso do Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, que só regista «encolar» nesta acepção. E na versão digital nem sequer têm a desculpa da falta de espaço.
[Texto 2173]

Sinónimos, essa riqueza

É usá-los

      Podemos escrever solho, ou soalho, ou assoalho. São os três sinónimos. Podemos escrever cuspe ou cuspo. Como podemos escrever vergasta ou verdasca. Gole ou golo. São milhares. A grande riqueza de sinónimos é um tesouro da nossa língua que não podemos desperdiçar.
[Texto 2172]

«Babygrow» ou «babygro»?

Do inglês?

      E a propósito de palavras estrangeiras... será babygro ou babygrow? Numa revisão, acabo de ver babygrow, como já vi várias vezes. «Babygro», regista o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora. «Fato de bebé, constituído por uma peça única, geralmente feito de tecido extensível». E, como étimo, isto: «Do inglês Babygro®, “idem”». Discordo: se é uma marca registada, não é do inglês, nem do malaio, nem do francês. Começou por ser uma marca registada, na década de 1950, por Walter Artzt, norte-americano. Depois, como muitas vezes sucede, a palavra, num processo de derivação imprópria, tornou-se comum.
[Texto 2168]

Arquivo do blogue