Voz da coruja

Mais específico

      O autor pôs uma coruja a cantarolar. E até podia tê-la posto a trautear o hino, mas a voz da coruja é outra: a coruja chirria.
[Texto 2176]

Léxico: «cagarrão»

Nunca a viram

      «De ladrão não passas para toda a gente... e qualguer [sic] coisa que haja por aqui, já sabes: metem-te no cagarrão» (A Barca dos Sete Lemes, Alves Redol. Lisboa: Publicações Europa-América, 1986, p. 250).
      Se apenas consultarmos o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, não ficaremos a saber que cagarrão significa prisão.
[Texto 2175]

Cuidados editoriais

Ligatura

      É raríssimo ver semelhante cuidado: nas provas, logo no primeiro título corrente, uma indicação para o paginador: «Ligatura. MUDAR TODOS.» Sim, o traço, na escrita, que une uma letra a outra, em certos caracteres. No caso, entre o f e o i. Fim.
[Texto 2174]

Léxico: «acolar e encolar»

Pobres dicionários

      «Acolar. — Usa-se nas Beiras, com o mesmo sentido de encolar. Acolar uma criança é pegar nela ao colo, ou trazê-la ao colo. Alguns dicionários, justamente considerados modernos e copiosos, não trazem a forma acolar» (Glossário de Incertezas, Novidades, Curiosidades da Lingua Portuguesa e também de Atrocidades da Nossa Escrita Actual, Agostinho de Campos. Lisboa: Livraria Bertrand, [1938], 2.ª ed., p. 32). É o caso do Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, que só regista «encolar» nesta acepção. E na versão digital nem sequer têm a desculpa da falta de espaço.
[Texto 2173]

Sinónimos, essa riqueza

É usá-los

      Podemos escrever solho, ou soalho, ou assoalho. São os três sinónimos. Podemos escrever cuspe ou cuspo. Como podemos escrever vergasta ou verdasca. Gole ou golo. São milhares. A grande riqueza de sinónimos é um tesouro da nossa língua que não podemos desperdiçar.
[Texto 2172]

«Babygrow» ou «babygro»?

Do inglês?

      E a propósito de palavras estrangeiras... será babygro ou babygrow? Numa revisão, acabo de ver babygrow, como já vi várias vezes. «Babygro», regista o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora. «Fato de bebé, constituído por uma peça única, geralmente feito de tecido extensível». E, como étimo, isto: «Do inglês Babygro®, “idem”». Discordo: se é uma marca registada, não é do inglês, nem do malaio, nem do francês. Começou por ser uma marca registada, na década de 1950, por Walter Artzt, norte-americano. Depois, como muitas vezes sucede, a palavra, num processo de derivação imprópria, tornou-se comum.
[Texto 2168]

Léxico: «vintil»

Ora, parece-me que sim

      Se o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora acolhe o termo «centil» — aliás muito mal explicado: «denominam-se decis 0, 1, 2, ... 10 os valores da variável estatística, tais que 0%, 10%, 20% ... 100% das observações lhe são inferiores» —, não devia acolher também o termo «vintil»? O mais próximo que regista, porém, é «vinil»...
[Texto 2099]

Sobre «saibro»

É difícil explicar...

      «Foi durante a remoção de quatro altares barrocos da capela de Santa Comba, em Baião, que se descobriu um verdadeiro tesouro: uma pintura do final do século XV numa delicada película sobre o saibro da parede» («Pintura mural de valor incalculável achada em capela», Ana Carla Rosário, Jornal de Notícias, 17.09.2012, p. 22).
      Parece-me, a avaliar pela amostra de meia dúzia que consultei, que os dicionários não se põem inteiramente de acordo sobre o que é saibro.
[Texto 2098]

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