Tradução: «contactless»

Difícil, não haja dúvida

      «Esta teoria está cada vez mais perto de se tornar numa realidade: os primeiros cartões contactless chegam a Portugal já no próximo mês» («Cartão sem código chega a Portugal em outubro», Tiago Figueiredo Silva, Diário de Notícias, 12.09.2012, p. 31).
      É palavra com que iremos topar com frequência nos próximos tempos. Como se fosse impossível traduzi-la.
[Texto 2089]

Com maiúsculas, pois claro

Para os teimosos

      «Desde Tucídides, pelo menos, que a grande História é também grande literatura. Mas não precisamos de recuar até aos Gregos e Romanos da Antiguidade Clássica. Temos excelentes exemplos intramuros, de Fernão Lopes, João de Barros e D. Francisco Manuel de Melo, a Alexandre Herculano, Oliveira Martins, Jaime Cortesão e Magalhães Godinho, isto para não falar dos vivos. Eu gostaria de aproximar a clareza da exposição e a limpidez do estilo conseguidas nesta obra desse exigente nível literário que gera no espírito do leitor o encantamento pela qualidade da prosa e uma equivalente avidez da leitura para saber, não como é que a história “acaba”, mas sim como é que ela continua...» («Uma ‘História de Portugal’», Vasco Graça Moura, Diário de Notícias, 12.09.2012, p. 54).
[Texto 2088]

«Bomba de extracção de água/motobomba»

Mas entretanto

      «O monóxido de carbono é um gás altamente letal e pode ter sido libertado por uma bomba de extração de água, que, soube o JN junto de fonte próxima das equipas de socorro, existe no poço. O qual, sublinhe-se, tapado com uma placa de betão, com uma pequena abertura onde cabe um homem e, também ela, com tampa de ferro, o que dificulta a ventilação. Aquele gás é um veneno silencioso, não detetável pelos sentidos. Uma vez inalado, entra na corrente sanguínea, chega às células e inativa os órgãos» («Autópsias confirmam morte por intoxicação», Eduardo Pinto e Margarida Luzio, Jornal de Notícias, 12.09.2012, p. 30).
      Cá está: neste jornal, não se fala em motobomba, mas em bomba de extracção de água. Entretanto, ainda não veio nenhum entendido esclarecer-nos sobre o funcionamento de uma motobomba, de que falei aqui.
[Texto 2087]

«Dominava 33 línguas»

Hipérboles jornalísticas

      «Ernesto de la Peña. O pensador mexicano que morreu aos 84 anos recebeu, no dia 7, o Prémio Internacional Méndez [sic] Pelayo 2012. Dominava 33 línguas e era conhecido pelo seu humanismo. Foi escritor, filólogo, tradutor e difusor cultural do México» («Ernesto de la Peña», Diário de Notícias, 12.09.2012, p. 30).
      Andamos aqui nós a estudar diuturnamente uma, a nossa, e mal a arranhamos. Este prodígio dominava 33 línguas. Só não desisto porque até aos 84 anos ainda falta muito.
[Texto 2086]

Léxico: «à jeira»

Esta escapou

      «A morte de cinco pessoas que trabalhavam à jeira no interior de um poço de betão armado onde desemboca uma antiga mina continua um mistério para a população de Vilela Seca» («“Se ficava mais um minuto no poço morria”», Margarida Luzio, Jornal de Notícias, 10.09.2012, p. 22).
      À jeira, isto é, a dias. Extraordinário, vendo bem, é que ainda não tenha desaparecido dos dicionários.

[Texto 2085]


Harry, monarca

Não digam disparates

      «Um porta-voz do movimento insurgente afirmou que a chegada do monarca ao Afeganistão é puramente simbólica e prevê que Harry não sairá da base de Camp Bastion» («Talibãs dizem que ida do príncipe Harry é apenas ato de propaganda», Jornal de Notícias, 10.09.2012, p. 30).
[Texto 2084]

«Grupeta»?

O Facebook é uma maravilha

      «Apaixonada pelo hipismo desde que gravou “Feitiço de Amor” (TVI) onde dava vida à tratadora de cavalos Alice, Rita Pereira aproveitou o fim de semana para matar saudades. “Vim até ao Concurso de Saltos do Vimeiro com uma grupeta de atores. Vamos lá ver quem ganha”, contou a jovem aos fãs no Facebook» («Rita Pereira caiu do cavalo», Filomena Araújo, Jornal de Notícias, 10.09.2012, p. 44).
      Nunca li nem ouvi. Só grupeto: «conjunto de três ou quatro notas musicais, ornamentais, que se executam com muita rapidez», segundo o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora.

[Texto 2083]

Uso de termos estrangeiros

O leitor é inteligente

      «Em sinal de boas-vindas, receberam-na com uma lei havaiana, cordão que rapidamente Mio pôs ao pescoço» («Conhecer novas culturas sem sair de Portugal», Gina Pereira, Jornal de Notícias, 10.09.2012, p. 23).
      Uma adolescente japonesa de 15 anos, num programa de intercâmbio, recebida com uma lei havaiana... Ora esta! Se o desgraçado do leitor não souber que na língua havaiana lei é o colar ou grinalda de flores que se oferece aos visitantes na chegada e na partida, como símbolo de afeição, não vai perceber patavina. Só o uso do itálico ou das aspas já despertaria a atenção do leitor, precaução mínima para obviar equívocos.
[Texto 2082]

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