Léxico: «poliamor»

Ainda é o amor livre

      «Poliamor é uma prática, mas também pode ser interpretado como uma filosofia, que passa pela aceitação de se relacionar com mais de uma pessoa ao mesmo tempo, com o consentimento de todos os envolvidos. Na poligamia e na poliandria, quando um marido possui mais de uma esposa, ou quando a esposa possui mais de um marido, o casamento é uma condição» («Poliamor, poligamia e poliandria», Diário de Notícias, 8.09.2012, p. 28).
[Texto 2065]

Alta Sabóia

Já está melhor

      «O carro, de matrícula britânica, foi encontrado quarta-feira à tarde por um ciclista, britânico, na localidade de Chevaline, na zona do lago de Annecy, Alta Sabóia, centro este de França. Lá dentro, um homem e duas mulheres, mortos com disparos na cabeça» («Menina de 4 anos viva entre família chacinada», Patrícia Viegas, Diário de Notícias, 7.09.2012, p. 25).
      Até agora, era sempre Haute-Savoie que se lia em toda a imprensa — até no DN. Contudo, tendo este jornal adoptado as regras do Acordo Ortográfico de 1990, devia ter grafado Alta Saboia. E centro-este precisa de um hífen, sinal gráfico que este jornal está, erradamente, a deixar de usar quando devia.

[Texto 2064]

Léxico: «hantavírus»

Bunyaviridae

      «Dezassete portugueses estiveram no Parque Yosemite, nos EUA, durante o surto de infeção por hantavírus que matou dois americanos. Os cidadãos nacionais foram submetidos a exames de despiste da doença, e os resultados revelaram-se negativos» («Surto apanha 17 portugueses em Yosemite», André Rito, Diário de Notícias, 7.09.2012, p. 15).
      Na definição do Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, é o «género de vírus que infecta vários roedores e que pode provocar uma doença grave no homem, caracterizada por febre e atingimento pulmonar e renal».
[Texto 2063]

Mais crimes

Vejam lá isso

      «O alerta para o crime foi dado às 20.15 quando o homem se entregou no posto da GNR da Guia. Ao que o DN apurou, o indivíduo entrou muito nervoso e exaltado, confessando aos guardas que tinha acabado de matar o irmão e a cunhada. De imediato foi accionado a PJ, já que se trata de um caso de homicídio com arma de fogo» («Mata irmão e cunhada com tiros de caçadeira», Diário de Notícias, 6.09.2012, p. 19).
      Se a arma do crime tivesse sido uma faca de cozinha, por exemplo, já não seria assim? E se o desfecho não tivesse sido a morte da vítima? «O jovem foi detido pelos militares da GNR junto da sua residência, tendo a Polícia Judiciária sido chamada ao local para investigar a ocorrência, dado que envolveu uma arma [faca] e se trata de um crime de homicídio» («Jovem de 18 anos detido após esfaquear o pai», Diário de Notícias, 6.09.2012, p. 20).
[Texto 2062]

Crime semipúblico

Que avancem os juristas

      «O presidente do Governo Regional já formalizou a queixa no próprio domingo, apesar de ser um crime semipúblico» («Desespero de um desempregado motivou agressão a Jardim», Lília Bernardes, Diário de Notícias, 4.09.2012, p. 12).
      «Apesar de ser um crime semipúblico»... Mas este tipo de crime não exige que o ofendido apresente queixa? E hoje no mesmo jornal: «Um receio que pode ser partilhado pela vítima e pode, aliás, ser a explicação para o facto de José Manuel ter abdicado do direito de apresentar queixa. “Pode ser por receio ou pode ser por qualquer outra razão. Dizer o que quer que seja é especular. A vítima abdicou do direito de apurar a verdade e não deu qualquer explicação para o fazer. É um direito que lhe assiste e tendo em conta que o crime é semipúblico, ou seja, para ser investigado depende de queixa, não se pode fazer mais nada”, disse ao DN fonte ligada à investigação» («Homem sodomizado com pau abdica de queixa à PJ», Catarina Canotilho, Diário de Notícias, 6.09.2012, p. 19).
[Texto 2061]

«Paleta/palete»

Menos artístico

      «Mesmo assim, a investigação da GNR de Elvas veio a encontrar a aeronave cerca de 24 horas depois de ter sido furtada, detendo também os sete autores do furto, incluindo o empresário, ligado à produção de paletas, com empresa em Arranhó (Arruda dos Vinhos). [...] Três residem em Elvas, e o outro era o condutor e sócio da empresa proprietária do pesado que procedeu ao transporte e que foi contratado pelo empresário de paletas para o efeito» («Empresário roubou avião por encomenda», Carlos Varela e Teixeira Correia, Jornal de Notícias, 5.09.2012, p. 8).
      Sem mais informação, bem podem ser as pequenas tábuas com um orifício para se meter o polegar, onde o pintor dispõe e combina as tintas, mas algo me diz que são antes as plataformas de madeira sobre as quais se empilha carga a fim de ser transportada em grandes blocos — ou seja, paletes.

[Texto 2060]

«Eminentemente prática»

Sem fórmula

      «Voltemos ao exemplo do estado do tempo. A previsão a longo prazo é impossibilitada por duas ordens de factores. Uma é iminentemente prática» (A Fórmula de Deus, José Rodrigues dos Santos. Lisboa: Gradiva, 2006, p. 282).
      Como acabei de ver o mesmo erro noutro texto, aproveito para o expor aqui. É «eminentemente», isto é, no mais alto grau, muito, sobremaneira. É curioso, e talvez significativo, que o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora só registe o advérbio «eminentemente».
[Texto 2059]

Ortografia: «Cuíto/Kuíto»

Quase sempre mal

      Na maioria das vezes que o leio, está escrito, incorrectamente, sem acento agudo. Contam-se pelos dedos de uma mão as vezes que o vi escrito com c. Rebelo Gonçalves, no seu Vocabulário da Língua Portuguesa, apenas o regista (na página 305), como seria de esperar, com c.
[Texto 2037]

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