Plural: «wons»

Naturalmente

      «De acordo com o jornal Joong Ang Ilbo, da Coreia do Sul, este modelo da Dior está à venda em Seul por 1,8 milhões de won (1289 euros), um valor aproximado do rendimento anual de um norte-coreano» («Ri Sol-Ju exibe mala Dior num país com fome», Catarina Reis da Fonseca, Diário de Notícias, 9.08.2012, p. 16).
      Mas o Vocabulário Ortográfico Português e o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, por exemplo, indicam como plural «wons».
[Texto 1953]

«Promenades» na Madeira

Não resistem

      «Fonte ligada ao processo explicou à agência Lusa que a perseguição começou com a denúncia, na esquadra de Machico, de que um condutor “estaria a subir e a descer escadas na promenade” local» («Condutor em fuga destrói carros da PSP», Diário de Notícias, 9.08.2012, p. 16).
      Não sabia que na Madeira também havia promenades... Claro que o jornalistas não podia perder uma oportunidade de usar uma palavra estrangeira — sobretudo se desnecessária.
[Texto 1952]

Sobre «mandatório»

É indispensável?

      «É o procedimento mandatório, assegura o psiquiatra Daniel Sampaio» («Menino violado deve ter apoio por seis meses», Fernanda Câncio, Diário de Notícias, 9.08.2012, p. 16).
      Tem de ter sempre um pezinho no inglês. Qual a necessidade de usar a palavra «mandatório» quando temos outras que dizem o mesmo, mas em bom português? Uma aposta em como a mãe da criança não vai compreender quando ler a notícia? Não passava o exame Vieira — que devia ser mandatório obrigatório fazer em voz alta.
[Texto 1951]

Plural: «papos-secos»

É o que se ouve

      Em parte, temos de o admitir, a jornalista tem razão: o que ouvimos é «papo-secos». Mas é assim que se fala, a mascar e a engolir fonemas. No caso, o encontro de dois ss de sílabas diferentes tinha de dar nisto.
      O Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora garante que «papo-seco» é popular. Amílcar Ferreira de Castro, em A Gíria dos Estudantes de Coimbra, afirma que «em Lisboa costuma chamar-se aos pães pequenos “papos-secos”. Esta designação é dada também aos janotas, pelo que pãozinho veio provàvelmente a ter o mesmo sentido» (p. 91). Até agora, quase só ouvi a palavra no Alentejo e muito pouco em Lisboa.
      «O Pedro continuava, mais mais, agora os poemas do novo livro, já em provas, poemas que estalavam, novinhos em folha, moletes, papos-secos, pães a quebrar a crosta, vivinhos da costa, polidos na teta da origem» (O Mundo à Minha Procura, vol. 3, Rúben A. Lisboa: Parceria A. M. Pereira, 1968, p. 14).

[Texto 1950]

«Catequese» e «catequizar»

Saibam de cor

      Em parte, temos de o admitir, a jornalista tem razão: catequizar, a par de sintetizar e de sifilizar, é uma excepção, pois -izar só se usa nos verbos derivados de vocábulos sem s. Domício Proença Filho pergunta, com muita graça, se, no caso de «catequese» e «catequizar», estamos perante divergências de família. Não, responde, apenas tem que ver com caprichos da origem, grega, das palavras. Os Gregos só nos arranjam problemas. Ainda hoje.
[Texto 1949]

Léxico: «qatari»

Que remédio

      «Muitos já o consideram uma espécie de “homem dos sete ofícios” do desporto. A esse propósito, o qatari chegou mesmo a afirmar, antes dos Jogos Olímpicos que estão a decorrer na capital britânica: “Para conduzir e para disparar preciso de uma cabeça limpa e de uma mão firme.”» («Ás do volante e certeiro no tiro. O que falta ao príncipe do Qatar?», Octávio Lousada Oliveira, Diário de Notícias, 1.08.2012, p. 32).
      É estranho, como estranha é a grafia do topónimo. Mas não havendo outro...
[Texto 1898]

Léxico: «fuzo»

Desconheço

      «A GNR e a PJ, apoiada por fuzileiros da Marinha, desconheciam que ambas tinham efetivos prestes a intervir na operação noturna de combate à droga realizada em Odemira no fim de semana, o que poderia ter resultado num “banho de sangue” entre “forças amigas”, garantiram ao DN fontes envolvidas no caso» («GNR e ‘fuzas’ quase aos tiros na operação do rio Mira», Manuel Carlos Freire, Diário de Notícias, 1.08.2012, p. 16).
      «Fuças», sim, existe. O jornalista queria escrever «fuzos», que é o nome na gíria para fuzileiros.

[Texto 1897]

Léxico: «encosto»

Desencosta-te

      Na minha vida, não são nada raras estas coincidências. Ontem de manhã, vi pela primeira vez o termo «encosto» na acepção de espírito que acompanha uma pessoa viva, prejudicando-a com vibrações negativas. Coisas do espiritismo. Nem os dicionários actualizados ao minuto a registam. No 5 para a Meia-Noite (com D. Januário Torgal Ferreira como convidado?!), mesmo no fim, José Pedro Vasconcelos leu um anúncio de um jornal em que se usava a palavra nesta acepção.
[Texto 1896]

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