Léxico: «associatividade»

Primeiro a geral


      Tens uma só acepção em associatividade, Porto Editora, «MATEMÁTICA propriedade de uma operação em que se verifica a associação entre elementos de um conjunto sem afectar o resultado». Prévia a essa está, obviamente, outra: capacidade, disposição ou tendência para se associar.

[Texto 22 410]

O que vale a nossa língua

Alguém teve juízo


      «As faculdades pertencentes à Universidade Nova de Lisboa terão de alterar os seus nomes e voltar a ter as designações em português. Esta decisão foi tomada pelo reitor, Paulo Pereira, num despacho assinado no final de janeiro» («Reitoria da Nova obriga faculdades a alterar nomes para português», Nascer do Sol, 11.02.2026, 16h03).

      Inacreditável é isto ter sido sequer alguma vez permitido. Aliás, por lei, devia ser obrigatório as empresas portuguesas terem nome em português. Se querem ter nome noutra língua, emigrem.

[Texto 22 409]

Definição: «co-gestão»

Poupem-me


      Se algum tradutor der de caras com uma codetermination, peço que não a verta à letra. Não se trata de «co-determinação», forma que até aparece por aí, é certo, mas que não é nossa. O termo correcto, claro e consagrado é outro: co-gestão. É assim que surgem os conselhos de empresa, é assim que se fala da presença de representantes dos trabalhadores nos órgãos de gestão, é assim que se traduz há décadas em textos da União Europeia e nas próprias práticas sindicais portuguesas. De caminho, bem podemos pensar numa definição mais ampla e clara do que a da Porto Editora, que acerta no essencial mas fica aquém. Assim, proponho ➜ co-gestão participação formal dos trabalhadores nos órgãos de gestão de uma empresa, especialmente por meio de representação em conselhos de administração ou conselhos de empresa, com graus variáveis de influência sobre as decisões estratégicas e, por vezes, sobre os resultados económicos da actividade empresarial.

[Texto 22 408]

Léxico: «marcha-atrás»

Falta sempre alguma coisa


      «Quando com ele falei, há cerca de um ano, confessou-me que não havia marcha atrás, seria mesmo candidato a Presidente da República» («Seguro», Luís Osório, Diário de Notícias, 6.02.3036, p. 4).

      É marcha-atrás que se escreve. Se houver — e há mesmo — por aí um dicionário que diga o contrário, está errado. Mas este vocábulo, Porto Editora, não significa somente «mudança na caixa de velocidades que permite a um veículo recuar», como indicas. Ora vê este título: «Há marcha-atrás no Acordo Ortográfico?» (Isabel Nery, Visão, 3.05.2016, 16h26). E neste sentido figurado é usado diariamente de norte a sul, tem isso presente.

[Texto 22 407]

Definição: «açorda | açorda alentejana»

Não serve para todas


      Duvido que com a receita da Porto Editora pudéssemos fazer uma ➜ açorda alentejana CULINÁRIA sopa de pão feita com água a ferver, azeite, sal, alho pisado e coentros, ou poejos pisados. Claro, há diversos tipos de açorda, e nem todos são sopas, mas também de nenhuma eu diria que é uma iguaria.

[Texto 22 406]

Duas palavras: «exúrbio» e «exurbano»

Podia ter sido pior


      Devo ter desaprendido também alguma coisa (e perdido um bocadinho a paciência), mas houve uma coisa que hoje fiquei a conhecer: as palavras, de alguma maneira exóticas, «exúrbio» e «exurbano», insuficientemente definidas nos nossos dicionários. Exúrbio é a zona periférica situada para lá dos subúrbios, caracterizada por baixa densidade populacional, fraca oferta de serviços e forte dependência do automóvel; o termo surgiu nos Estados Unidos nas décadas de 1950‑60 para designar áreas residenciais de classes médias e altas fora do tecido urbano contínuo.

[Texto 22 405]

Como se pontua por aí

Não seria barato


      Iam precisar de um revisor só para corrigir a pontuação: «Quando morreu, em 2013, os obituários publicados nos jornais sobre Ewald-Heinrich von Kleist, descreveram-no como o último dos oficiais alemães que estiveram envolvidos na conspiração para matar Adolf Hitler na fase final da Segunda Guerra Mundial» («O mundo visto de Munique», Leonídio Paulo Ferreira, Diário de Notícias, 11.02.2026, p. 2). «A ministra não respeitou esse princípio, o que revelou um lamentável défice de autoconhecimento – como é que alguém que se revelou tão ridiculamente frágil, aceitou ser ministra e logo na pasta da Administração Interna?» («A pobre ministra não será salva por um príncipe», Luís Osório, Diário de Notícias, 11.02.2026, p. 4).

[Texto 22 404]

Extras! Extras! Extras!

Porque não são apenas horas


      «Camas extras não chegam para resolver problema de casos sociais» (Patrícia Carvalho, Público, 20.01.2026, p. 16).

[Texto 22 403]

Arquivo do blogue