Léxico: «marcha-atrás»
12.2.26
Falta sempre alguma coisa
«Quando com ele falei, há cerca de um ano, confessou-me que não havia marcha atrás, seria mesmo candidato a Presidente da República» («Seguro», Luís Osório, Diário de Notícias, 6.02.3036, p. 4).
É marcha-atrás que se escreve. Se houver — e há mesmo — por aí um dicionário que diga o contrário, está errado. Mas este vocábulo, Porto Editora, não significa somente «mudança na caixa de velocidades que permite a um veículo recuar», como indicas. Ora vê este título: «Há marcha-atrás no Acordo Ortográfico?» (Isabel Nery, Visão, 3.05.2016, 16h26). E neste sentido figurado é usado diariamente de norte a sul, tem isso presente.
[Texto 22 407]
edit
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Esta acepção do vocábulo marcha-atrás foi hoje registada no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora. Ficou assim: «figurado desistência de projecto ou intenção; alteração de decisão já tomada; recuo».
Era espantoso que não estivesse no dicionário, quando se usa todos os dias: «Tendo escolhido a “equidistância” entre António José Seguro e André Ventura nas presidenciais, Montenegro foi um óbvio derrotado das últimas eleições. Ao escolher Luís Neves para ministro da Administração Interna, Montenegro parece estar a fazer marcha-atrás na dita equidistância entre propostas sociais-democratas e moderadas e propostas populistas do Chega» («Um novo ministro no Governo AD de que a esquerda gosta», Ana Sá Lopes, Público, 23.02.2026, p. 40).
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