Léxico: «haloterapia»

Fora dos dicionários

      «As partículas de sal estão por toda a parte, desde o chão às paredes, sal ionizado permite que várias pessoas estejam a recorrer à haloterapia em Castelo Branco por sofrerem de doenças respiratórias, stress ou depressão. Um projecto pioneiro no interior do País» («Centro de haloterapia em Castelo Branco», Sandra Salvado, Jornal da Tarde, 26.06.2013).
[Texto 3026]

Léxico: «pareiassauro»

Também falta esta

      «A equipa de Linda Tsuji demonstra que este pareiassauro, aquele que tem os maiores altos na cabeça, tem muitas características primitivas, mais próximas dos seus antepassados mais antigos» («O réptil com ‘borbulhas’ que vivia isolado no deserto», Pedro Vilela Marques, Diário de Notícias, 26.06.2013, p. 30).
      Não o vejo nos dicionários. Em nenhum, nem sequer no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora.
[Texto 3025]

«Mandado/mandato»

Era só saber ler

      «A porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Hua Chunying, considerou ontem “sem fundamento” as acusações de que Pequim teria “deliberadamente” deixado fugir Edward Snowden de Hong Kong, apesar de ter sido emitido um mandato pela sua captura e cancelado o seu passaporte» («China rejeita acusações “sem fundamento”», Diário de Notícias, 26.06.2013, p. 24).
      Lá continuam os jornalistas a confundir, e assim será enquanto o mundo for mundo, mandado com mandato, palavras divergentes e com significado diferente e bem preciso.

[Texto 3024]

Chega de inglês

Assim está bem

      «Putin, que está a ser pressionado para entregar Edward Snowden, lembrou que o seu país não tem acordo de extradição com os EUA e disse que “quanto mais cedo” o delator escolher o seu destino, melhor» («Putin afasta expulsão mas quer Snowden fora do país», Susana Salvador, Diário de Notícias, 26.06.2013, p. 24).
      Assim está bem, e não, como preferem (!) no Público, ou pelo menos escreveram uma vez, whistleblower. Até parece mentira como se escreve assim em jornais portugueses.
[Texto 3023]

«Tratar-se de»

Não é um caso singular

      «O diretor pedagógico do Externato [Nossa Senhora dos Remédios], a quem o jovem relatou “desentendimentos” com o padre, garantiu nas declarações que fez na fase de investigação do processo que não teve conhecimento dos factos que teriam motivado tal desentendimento e que nunca imaginou tratarem-se de abusos» («Padre abusava de crianças e dizia que “aquilo” era o que um pai fazia», Catarina Canotilho, Diário de Notícias, 25.06.2013, p. 2).
      Cara Catarina Canotilho, na acepção de «estar em causa», tratar-se é um verbo defectivo e impessoal, pelo que se usa sempre na 3.ª pessoa: «Tratar-se de abusos.»
[Texto 3022]

Galochas para morrer

Calçado para a morte

     «Do Reino Unido vêm também as galochas Hunter. Criadas em 1856 por Lee Norris, um empresário do ramo da borracha que prosperou com a venda destas galochas aos soldados que morriam nas trincheiras da Primeira Guerra Mundial» («Ferramentas de trabalho que se tornaram marcas de luxo», Joana Emídio Marques, Diário de Notícias, 24.06.2013, p. 48).
      Apenas os que prometessem morrer nas trincheiras da Primeira Guerra Mundial é que podiam comprar estas galochas, é isso?
[Texto 3021]

Outra na moda: «icónico»

Mas há alternativas

     «Só o logótipo [da Hèrmes] evoca essas origens humildes da marca que mais tarde criou objetos icónicos como as malas Birkin e Kelly» («Ferramentas de trabalho que se tornaram marcas de luxo», Joana Emídio Marques, Diário de Notícias, 24.06.2013, p. 48).
      «Esta fatalidade [morte do piloto dinamarquês Allan Simonsen [1978-2013)] veio ensombrar a 81.ª edição desta prova emblemática» («Perder a vida em Le Mans na sua corrida favorita», Diário de Notícias, 24.06.2013, p. 43).
[Texto 3020]

Como falam os advogados

Boa desculpa

      «Em relação ao episódio do papel que Luís Carito retirou das mãos de um investigador da PJ durante as buscas efetuadas na sua residência, acabando por o engolir, o advogado Sancho Carvalho Nunes apenas afirmou que o caso está “descontextualizado” no âmbito das investigações. Mas não confirmou tratar-se de um papel contendo [sic] informação sobre a vida íntima do autarca» («Autarcas suspeitos de corrupção arriscam-se a dez anos de cadeia», José Manuel Oliveira, Diário de Notícias, 24.06.2013, p. 22).
      Boa desculpa. Vamos a 240 km/h na A1, a polícia apanha-nos e que dizemos? «Desculpe, Sr. Agente, mas está descontextualizado.»

[Texto 3019]

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