Sobre «colégio»

Menos formal

      Ora vejamos: «Apesar de ter reunido um colégio de especialistas, que fez a despistagem das pinturas, a PJ não sabe ainda se o conjunto das pinturas foi feito por apenas um ou vários falsificadores» («Mais de 300 pinturas falsas de Palolo e Paula Rego apreendidas pela PJ», Vanessa Rato, Público, 25.05.2013, p. 28).
      «Colégio» remete sempre para uma ideia de corporação, de algo que permanece no tempo. O que a Polícia Judiciária fez foi contratar vários especialistas, e, até talvez de forma individual, ouvir a sua opinião sobre as pinturas.
[Texto 2892]

«Falsos Palolo»?

Não pode ser

      Há diversos tipos de falta de concordância, de desconcordância. «De qualquer forma, a quantidade de falsos Palolo encontrados aponta para um inundar do mercado onde muitas das falsificações podem ter entrada [sic] há já bastante tempo» («Mais de 300 pinturas falsas de Palolo e Paula Rego apreendidas pela PJ», Vanessa Rato, Público, 25.05.2013, p. 28).
[Texto 2891]

Optar pelo que é nosso

Et cetera

      Por vezes, o melhor seria os tradutores seguirem exactamente algumas das palavras que encontram do original. «In un passo decisivo dell’Etica Nicomachea, etc.» «Questo passo è stato citato innumeravoli volte, etc.» Ou então: trecho, excerto, relanço, lugar, etc. Outras vezes, pelo contrário, o mais acertado era procurarem, não por qualquer sanha persecutória, antes por amor à língua, formas mais vernáculas: «Mi rendo conto di essere forse, etc.» E escolherem algum dos sinónimos de que já falámos: advertir, atentar, cair na conta de, dar conta, dar fé, dar por, dar razão, enxergar, observar, reconhecer, etc.
[Texto 2890]

«Bagagem de cabina»

Tragam a fita métrica

      Então e sabiam que «50 cm por 40 cm e 20 cm é o novo limite que os passageiros da companhia aérea [easyJet] terão de cumprir para a bagagem de cabina»? («EasyJet tem novo limite de tamanho para as malas de cabina», «Liv»/i, 25.05.2013, p. 3).
      Mero pretexto, este, para lembrar que talvez seja mais habitual usar-se «bagagem de mão», que significa o mesmo. Também salta à vista que a frase não saiu lá muito bem.
      «Eles entravam no avião carregados de bagagem de cabina, sentavam-se nos seus lugares com o chapéu preto enfiado na cabeça, comprimiam os sacos e saquinhos, com chouriços e queijos para presentear os familiares que os aguardavam ansiosos num moderno aeroporto dum mundo desconhecido, entre as pernas, e o guarda-chuva no colo» (A Deriva dos Continentes, Clara Pinto Correia. Lisboa: Relógio D’Água, 1997, p. 159).
[Texto 2889]

«No último Censos»!

Agora é assim

      «Carlos Santos é um dos milhão e 200 mil idosos que vivem sozinhos em Portugal. O número foi identificado no último Censos, que mostra que 60% da população idosa vive sozinha ou na companhia de outros idosos» («Isolados. Para lá dos 65 anos há uma luta escondida contra a solidão», Filipe Morais, i, 25.05.2013, p. 18).
      Aqui falei de alguém normal. Mas agora isto é que vai sendo a norma, escrever com flagrantes desconcordâncias.
[Texto 2888]

Como se escreve nos jornais

Como calha

      «Neto de avós portugueses e filho de um shaper [fabricante de pranchas], Henrique parece ter já vindo com destino traçado quando veio ao mundo» («Pedro Henrique. Um surfista contra natura [sic] e um emigrante contra corrente», Beatriz Silva, i, 25.05.2013, p. 53).
      Queixamo-nos do preço dos jornais, mas temos de ver que nos dão a conhecer factos mais ou menos verdadeiros e ainda nos ensinam línguas, sobretudo inglês. Servido como se fosse português, sem aspas nem itálico. E é claro que os parênteses rectos não são os adequados. Pormenores.
[Texto 2887]

«Promotor público»?

Enganou-se, pois então

      «Na década de 30, o promotor público de Nova Iorque, Thomas Dewey, bem tentou passar a certidão de óbito da Máfia. Enganou-se» («Louis Ferrante. Palavra de honra que se aprende com a Máfia», Maria Ramos Silva, «Liv»/i, 25.05.2013, p. 9). Ora escrevem «promotor público», ora «promotor de justiça», como vimos aqui, tudo menos o correcto. Mesmo que seja apenas uma moda, vai deixar marcas.

[Texto 2886]

«Quando mais não seja»

Macaqueando e ensinando

      «Matéria relevante — parece-me — para ser noticiada, quanto mais não seja porque o exemplo de alguém tão conhecido é importante e formativo» («Isaltino e Angelina», Rui Patrício, i, 25.05.2013, p. 14).
      É mais ou menos isso, Sr. Dr. E trago-a aqui porque é matéria relevante — parece-me — para ser tratada, quando mais não seja porque o exemplo de alguém tão conhecido é importante e formativo.

[Texto 2885]

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