Uso da maiúscula

Porque a nossa é mais pequena...

      «Christopher O’Neill [noivo da princesa Madalena da Suécia] exerce funções na Bolsa de Nova Iorque e descende de uma família abastada dos EUA» («Madalena está noiva e casa-se no verão de 2013», Diário de Notícias, 26.10.2012, p. 53).
      «A bolsa de Lisboa encerrou a primeira sessão da semana em terreno negativo, a acompanhar as perdas registadas pelas pares europeias, pressionada pelos títulos do sector financeiro e pelo pesos-pesados» («Grécia e ‘Sandy’ assustam bolsas», Diário de Notícias, 30.10.2012, p. 35).
[Texto 2268]

Léxico: «gearing»

Temos de saber

      «Em Portugal, o Pingo Doce e o Recheio, apesar da envolvente muito difícil, continuaram a reforçar as respetivas quotas de mercado. O resultado líquido consolidado cresceu 6,2%, atingindo 271,5 milhões de euros. O cash flow gerado, após investimento, foi de 147,1 milhões de euros. A dívida líquida consolidada cifrou-se em 251,8 milhões de euros e o gearing foi de 16,0% no final de setembro» («Jerónimo Martins ganha na Polónia», Diário de Notícias, 26.10.2012, p. 31).
      Temos de saber inglês e economia. «Gearing é», leio no sítio da Deco Proteste, «o rácio entre o endividamento da empresa (dívida financeira) e os seus capitais próprios. Um gearing elevado é, em regra, um sinal de maior risco.»
[Texto 2267]

Tradução: «tile»

Combinem melhor

      «Depois das janelas, os mosaicos. A Microsoft deixou cair tudo o que era confortável no Windows e reinventou o seu sistema operativo, transformando-o em algo fluido e adaptado às expectativas de consumidores habituados a ecrãs táteis. O Windows 8 é lançado hoje em todo o mundo e traz uma vaga de novos computadores, incluindo portáteis com ecrã tátil e tablets que se convertem em portáteis» («Windows 8 é a mais ambiciosa reinvenção da Microsoft», Ana Rita Guerra, Diário de Notícias, 26.10.2012, p. 32). Num texto de apoio, lê-se: «Redesenho total, com interface organizada em torno de “telhas” (tiles) e mais parecida com os ambientes de smartphones e tablets
[Texto 2266]

Como se escreve nos jornais

Ora esta

      «No total, foram exibidas mais de cem fotografias durante a audição do detetive Ricardo Yanes, um dos elementos da Polícia de Nova Iorque responsáveis pelo processamento do local do crime. O corpo estava posicionado no canto do quarto, junto à janela, completamente nu, de barriga virada para cima. O seu rosto estava inchado, todo negro e vermelho, com uma enorme ferida na parte superior da cabeça, que deixava ver o branco do crânio, e duas chagas no lugar dos olhos» («Fotos exibidas em tribunal mostram horror na morte de Carlos Castro», Alexandre Soares, Diário de Notícias, 13.10.2012, p. 22).
      Já todos tínhamos ouvido falar em «processamento de salsichas», por exemplo, nunca do local de um crime.
[Texto 2199]

Infinitivo pessoal

Resta a eufonia, a música interior

      «Também Garrett era muito bom estilista, e aqui temos, no Frei Luís de Sousa: “Vai e deixa-te lá estar até veres chegar o bergantim.” Ver chegar era bastante para a clareza. Mais ênfase em veres do que em ver, não se lobriga. Resta a eufonia, a música interior: com veres cortou-se a série estar-ver-chegar. Seria isto?... Ao certo não sabemos nada, por muitas regras que a Gramática nos dê» (Glossário de Incertezas, Novidades, Curiosidades da Língua Portuguesa, e também de Atrocidades da Nossa Escrita Actual, Agostinho de Campos. Lisboa: Livraria Bertrand, 1938, p. 149).
[Texto 2198]

A dengue

Não quis saber

      Hoje ofereceram-me o Pequeno Dicionário da Língua Portuguesa de Cândido de Figueiredo (Lisboa: Livraria Bertrand, 1945, 10.ª ed.). Lá está «dengue» (p. 434) registada como sendo do género feminino. O tal «sábio» estava mesmo enganado. Não se quis dar ao trabalho de pesquisar, foi o que foi.

[Texto 2197]

«Fazer o possível»

E os impossíveis

      «Fazer o possível. — Assim dizem os cultos. O povo, porém, ouviu e aperfeiçoou: Farei os impossíveis — ouve-se na Beira e alhures. Assim a expressão, quer era baça e somítica, se tornou mais imaginosa, mais amável, e portanto mais expressiva» (Glossário de Incertezas, Novidades, Curiosidades da Língua Portuguesa, e também de Atrocidades da Nossa Escrita Actual, Agostinho de Campos. Lisboa: Livraria Bertrand, 1938, p. 136).
[Texto 2196]

«Entrevistar a testemunha»

Coisas dos amaricanos

      «A procuradora do caso, Maxine Rosenthal, foi a primeira a entrevistar a testemunha. Fez Vanda Pires recuar dois anos, até ao dia em que ouviu o nome Renato Seabra pela primeira vez. A 23 de outubro de 2010, pelo Facebook, Castro contava-lhe que ia aos EUA com “alguém muito especial” e “pedia segredo” da identidade do seu companheiro» («Últimos dias de Carlos Castro recordados no julgamento de Seabra», Alexandre Soares, Diário de Notícias, 11.10.2012, p. 19).
      Desde as Ordenações que as testemunhas eram inquiridas em tribunal — agora passaram a ser entrevistadas. Esperemos que seja apenas nos Estados Unidos da América.
[Texto 2195]

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