Léxico: «Folha-de-Figueira»

Em que se fala de Cunhal


      «Des travaux qui montrent également que le folha de figueira, toujours cultivé au Portugal, est le clone d’un plant qui était exploité à Ibiza, au Xle siècle» («L’ADN du pinot noir n’a pas changé depuis Jeanne d’Arc», Denis Delbecq, Le Temps, 25.03.2026, p. 11). 

      É impressionante: só pela leitura de um jornal suíço é que fico a saber que temos uma casta chamada Folha-de-Figueira, que até os nossos dicionários ignoram, isto quando é sinónimo da designação de uma das castas mais conhecidas. E não é uma casta qualquer, como poderão ver. Assim, proponho ➜ Folha-de-Figueira VITICULTURA casta de videira branca portuguesa, também conhecida por Dona-Branca, tradicionalmente cultivada em regiões do interior, integrada no conjunto das variedades autorizadas para produção de vinho em Portugal.

[Texto 22 693]

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P. S.: A Porto Editora, já o reconheci noutra ocasião, tem razão numa coisa, que é grafar em minúscula o título do verbete em que regista o nome de uma casta, pelo simples facto de normalmente ter várias acepções, desde logo o nome da casta — e este é em maiúscula — e quase sempre o nome do vinho produzido com essa uva. O problema é que não leva até ao fim essa coerência, já que nos verbetes de algumas castas em que só figura o nome da casta e não do vinho — como no de Dona-Branca —, o deixa com minúscula. Com razão ou sem razão, temos de ser coerentes até ao fim. Porque é que Álvaro Cunhal ainda hoje é elogiado?


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1 comentário:

Helder Guégués disse...

O vocábulo folha-de-figueira foi hoje registado no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora. Ficou assim: «1. BOTÂNICA apreciável casta de videira (ou os seus frutos), muito cultivada, que produz uvas brancas muito doces utilizadas para mesa e para vinho; 2. vinho produzido com uvas dessa casta».

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