Léxico: «cantineira | coito danado»

Nem com dicionários


      Na quarta-feira, vi na RTP2 o primeiro episódio da série francesa A Rebelde: as Aventuras da Jovem George Sand. Num diálogo pós-coito entre o marido de Aurore Dupin (nome real da escritora), o barão Dudevant, e a sua amante, esta diz, com menosprezo, que a mãe da baronesa era cantineira. Ora, hoje em dia nem os lexicógrafos têm presente o que significava exactamente o termo naquele tempo. É essa acepção histórica que está ausente dos dicionários e, afinal, faz falta, ou não se conseguirá interpretar um simples filme. Assim, proponho ➔ cantineira HISTÓRIA mulher autorizada a manter a cantina de um regimento e a acompanhá-lo nas suas deslocações, vendendo aos soldados vinho, aguardente, tabaco e pequenos alimentos; integrava o séquito civil que seguia os exércitos em campanha, sendo frequentemente esposa ou viúva de militar.

[Texto 22 564]

⋅ ── ✩ ── ⋅


P. S.: Mais ou menos (mais, na verdade) a propósito: até isto falta nos dicionários, e, contudo, de quando em quando (ainda que em sentido figurado) usa-se ➔ coito danado HISTÓRIA (direito canónico e direito civil antigos) união carnal considerada ilícita por envolver pessoa vinculada por votos religiosos, especialmente relação sexual entre sacerdote ou religioso e mulher, de que podia resultar descendência ilegítima.


Etiquetas ,
edit

Sem comentários:

Arquivo do blogue