«Tratar-se de»

No futuro

      «Existem cerca de 55 mil cidadãos britânicos em Portugal e perto de um milhão em Espanha, segundo o Daily Telegraph, que diz tratarem-se sobretudo de reformados que vivem de pequenos rendimentos, a quem poderia ser enviada também ajuda em dinheiro» («Reino Unido prepara-se para crise do euro», Paulo Miguel Madeira, Público, 19.12.2011, p. 13).
      Nesta acepção, o verbo tratar-se é impessoal, pelo que é invariável na 3.ª pessoa do singular, em qualquer tempo e modo. Um dia, todos os jornalistas o saberão.
[Texto 853]

«Execução com um tiro»

Já não tem emenda

      «A execução com um tiro na cabeça do ourives Vítor Costa, na Azinhaga das Galinheiras, em Lisboa, na noite de sexta-feira, é um exemplo de como os bandos de assaltantes de ourivesarias estão cada vez mais violentos» («Gangue das ourivesarias são violentos e polivalentes», Rute Coelho, Diário de Notícias, 18.12.2011, p. 20).
      Até parece que o desgraçado foi sentenciado, em tribunal marcial, por traidor e executado.

[Texto 852]

Como se escreve nos jornais

Hum...

      «O facto de ter sido o herói da Segunda Guerra – o primeiro-ministro que avançou para o confronto com Hitler quando, na Grã-Bretanha, havia um sentimento pró-germânico bastante instalado – é tão poderoso que atira para plano secundário um facto interessante» («Winston Churchill. As memórias extraordinárias do homem das nossas vidas», Ana Sá Lopes, i, 17.12.2011, p. 8).
      O facto... o facto. Não é um pouco circular? Não são factos a mais? O que mais me espantou, porém, foi uma citação que Ana Sá Lopes faz da obra Memórias da II Guerra Mundial, de Winston S. Churchill (Texto Editora, 2011): «A ascensão de Hitler é explicada em parte pela violenta crise económica e pelo desemprego generalizado: “No auge da inflação, uma libra esterlina valia 4,3 biliões de marcos. As consequências sociais e económicas dessa inflação foram fatais e de grande alcance.”» Uma libra esterlina valia mesmo 4,3 biliões de marcos?
[Texto 851]

«Adstrito»

Obrigado a

      «A governante [Assunção Cristas] desvalorizou os casos em que houve diminuição de quota, sublinhando que “são casos com pouca expressão em Portugal e em que, normalmente, não cumprimos sequer a quota que nos está adstrita e que, portanto, não nos preocupam”» («Armadores colocam reservas às quotas de pesca para Portugal», Virgínia Alves, Diário de Notícias, 18.12.2011, p. 33).
      É a quota que nos está adstrita ou nós que estamos adstritos à quota? Adstrito significa «obrigado a; constrangido, sujeito». Foi um termo mal aprendido nos livros de Direito, em que se usa tanto.
      «De modo geral, o camponês está adstrito a um passadio frugal, esgotadas as reservas da salgadeira nos meses ingratos do Inverno, e carne, se a vê, é nos açougues da vila, quando vai à feira comprar os alhos» (Aldeia: Terra, Gente e Bichos, Aquilino Ribeiro. Lisboa: Livraria Bertrand, 1964, p. 108).

[Texto 850]

Como se escreve nos jornais

Cum caneco, já não há verbos

      «Resta introduzir que Ricardo foi apanhado a conduzir um Opel à meia-noite com 1,90 gramas de álcool no sangue – não sabemos se tinha álcool no sangue ou sangue no álcool – mas, como veremos, só o fez porque é um homem bom» («Ricardo. A matéria-prima que prova que homem bom é um bicho raro, mas não nos tribunais», Sílvia Caneco, i, 17.12.2011, p. 27).
[Texto 849]

Como se escreve nos jornais

No circo

      «A mulher bala volta a aparecer, desta vez com um capacete na mão e um mâio.[...] “O meu recorde pessoal é de 44 metros”, conta Jeniffer. “É três vezes mais do que estou a fazer aqui, porque não há espaço. Não posso ir mais longe se não bato no tecto e não posso puxar o airbag mais para cima porque ficava em cima das pessoas.”» («Mulher bala. É um pássaro? É um avião? É a atracção principal do Circo Cardinali», Clara Silva, i, 17.12.2011, pp. 44-45).
[Texto 848]

Como se escreve nos jornais

Em japonês

      «É também o caso de Neymar, que anda de táxi de um lado para o outro sem que alguém lhe importune por uma fotografia ou um autógrafo» («Tóquio. Uma versão divertida do Lost in Translation», Rui Miguel Tovar, i, 17.12.2011, p. 61).
[Texto 847]

Como vai o ensino

A escola moderna

      Acabou há minutos o programa Em Nome do Ouvinte, na Antena 1, que teve como convidada a linguista Regina Rocha. A propósito de dúvidas, a linguista disse que ainda há pouco um colega, professor de Direito no ensino secundário, lhe tinha perguntado se se dizia /prolicho/ ou /prolicso/.
[Texto 846]

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