Definição: «miosótis»

Pode acontecer


      «“Vergissmeinnicht”, “ne-m’ou-bliez-pas”, “forget-me-not” ou “nontiscordardimé”, le myosotis a droit au même surnom dans de multiples langues, surnom provenant d’une légende germanique: alors qu’un chevalier et sa dame se promenaient au bord d’une rivière, l’homme voulut cueillir une fleur sur la rive, mais le poids de son armure l’entraîna dans l’eau; avant de disparaître, il lança la fleur à son aimée en lui criant: “Vergiss mein nicht”» («Avec le myosotis, le printemps nous fait un clin d’œil bleu azur», Isabelle Erne, 24 heures, 2.05.2026, p. 22). 

      Muito interessante. Em relação ao Myosotis welwitschii, quando a Porto Editora diz que é «existente em Portugal», pode alguém entender que só existe em Portugal. Antes assim ➜ miosótis BOTÂNICA (Myosotis welwitschii) espécie de miosótis, planta herbácea anual ou bienal de habitats húmidos, presente em Portugal, com caules hirsutos, folhas alternas e flores azul-pálidas com centro amarelo, podendo atingir cerca de um metro de altura.

[Texto 22 969]

Léxico: «descarcerizar | descarcerização»

Ainda (mais ou menos) policial


      «“A modificação de execução de pena e a adaptação à liberdade condicional são residuais”, salienta aquela socióloga [Rafaela Granja, investigadora do Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade da Universidade do Minho]. “Se temos uma possibilidade de fazer um processo de descarcerização, de retirar pessoas da prisão para que elas possam voltar às suas casas e estar em processo de adaptação, porque não a usamos?”» («Sobrelotação subiu para os 106%: é “urgente” discutir como reduzir número de reclusos», Ana Cristina Pereira, Público, 11.05.2026, 7h00).

[Texto 22 968]

Como se fala por aí

Então agora é assim?


        O porta-voz da PSP, Sérgio Soares, que participou hoje no programa Consulta Pública, na Antena 1, lamentou o caso dos alegados maus-tratos nas esquadras do Rato e do Bairro Alto, em Lisboa. Sérgio Soares frisou que a PSP denunciou o que aconteceu e tem colaborado com a investigação. Era o que faltava que não colaborasse, digo eu. «É lamentável», afirmou, «que existam estas alegações e estes indícios. De referir que a Polícia de Segurança Pública, logo que teve conhecimento das alegadas suspeitas de polícias no cometimento de situações graves, que consideramos, aliás, muito graves, deu início à respectiva denúncia ao Ministério Público, à autoridade judiciária competente...» 

      Então agora são alegadas suspeitas? Já não são apenas os factos, as próprias suspeitas são meramente alegadas? A formulação acaba por insinuar — involuntariamente, decerto — que nem sequer está assente a existência de suspeitas reais. Como se alguém tivesse apenas alegado que havia suspeitas, mas essas suspeitas ainda carecessem elas próprias de confirmação. Reveja bem isto, senhor subintendente Sérgio Soares.

[Texto 22 967]

Extras! Extras! Extras!

Está a entrar


      «Uma das incompatibilidades é a prestação de serviços de médicos que não estão dispostos a fazer horas extras para além do previsto» («Governo quer menos peso dos tarefeiros na urgência», Edgar Nascimento, Correio da Manhã, 8.05.2026, p. 19). «Governo aprovou diploma que regula prestações de serviços, bem como regime de incentivos às horas extras na urgência» («Medidas “draconianas” podem levar a fuga do SNS», Inês Schreck e Ana Maia, Público, 8.05.2026, p. 12). «É o que está previsto no decreto-lei, aprovado pelo Governo na quinta-feira, que estabelece a atribuição de incentivos remuneratórios aos médicos que fazem mais horas extraordinárias na urgência do que as previstas na lei (150 horas extras/ano ou 250 horas, se for em dedicação plena)» («Médicos disponíveis para urgências terão bónus mesmo que não sejam chamados», Inês Schreck, Público, 9.05.2026, p. 19).

[Texto 22 966]

O AO90 no dia-a-dia

É a grande compreensão que têm


      «À luz do que se sabe, diz [a infecciologista e ex-secretária de Estado para a Promoção da Saúde Margarida Tavares], “podemos questionar se é preciso uma quarentena tão prolongada e a ser cumprida numa unidade de saúde. Penso que poderia haver uma recomendação para que as pessoas permanecessem em casa e se abstivessem de contatos próximos. Era muito mais humano, as pessoas serem aí vigiadas diariamente por um profissional de saúde”» («“Alarme social prova que países ainda não estão preparados para casos de saúde pública”», Ana Mafalda Inácio, Diário de Notícias, 11.05.2026, p. 5). 

      Isto é que é uma compreensão profunda da língua e do Acordo Ortográfico de 1990, Ana Mafalda Inácio. Convém que reveja urgentemente a matéria.

[Texto 22 965]

Léxico: «churra-mondegueira | manta lobeira | manta barrenta | râmbola»

Afinal, são várias


      Uma reportagem no Conta Lá sobre o cobertor de papa, produto artesanal feito em Maçaínhas, Guarda, veio contribuir para se perceber melhor as suas características. Maria do Céu Reis, fundadora da Associação O Genuíno Cobertor de Papa e artesã, explicou que a lã é apenas de ovelhas churras-mondegueiras e churras-do-campo (estas provenientes de Penamacor, e não tão genericamente da Beira Baixa, como se lê nos dicionários). O cobertor que se vende mais ainda é a manta lobeira (com listas nas cores verde, vermelha, amarela e castanha), apesar de cada vez mais os compradores quererem cobertores brancos ou castanhos, porque não têm os químicos dos que são tingidos. Às que bicolores, brancas e castanhas, dão o nome de mantas barrentas ou do pastor. Também fiquei a saber que às estruturas, quadros enormes, onde põem as mantas e cobertores bem esticados a secar se dá o nome de ramblas ou râmbolas.

[Texto 22 964]

Léxico: «republicanizar-se»

Também pronominal


      «Daí em diante fervem os pedidos: o hábito de S. Tiago para o editor Eduardo da Costa Santos, em perigo de republicanizar-se; o juiz de direito de S.ᵗᵒ Tirso que não quer ir para os Açores» (O Romance de Camilo, Vol. 3, Aquilino Ribeiro. Lisboa: Livraria Bertrand, 1974, p. 203). Límpido é no Houaiss: «tornar(-se) republicano; converter(-se) em república».

[Texto 22 963]

Léxico: «darija»

Terminamos assim


      «Asimismo, se le suele describir como un joven inteligente y bien preparado. Por ejemplo, es capaz de hablar fluidamente cuatro idiomas: el árabe, el francés, el inglés e incluso el castellano» («Mulay, el príncipe marroquí que acelera su preparación para relevar a Mohamed VI», Richard G. Samaranch, La Voz de Galicia, 10.05.2026, p. 27). Só? Outro jornalista foi tirar a coisa a limpo: «Habla árabe clásico у dialectal marroquí (dariya), amazig o bereber, inglés, francés y español, y también está aprendiendo chino mandarín» («Mulay Hasán, el príncipe de Marruecos, se prepara para reinar», Juan Carlos Sanz, El País, 9.05.2026, p. 50). 

      Também se dizia que Leão XIV falava português. Bem, diz-se sempre muita coisa. Espantoso, pela proximidade geográfica e histórica, é «darija» não estar nos nossos dicionários, quando abundam textos, sobretudo académicos, em que se usa a palavra assim transliterada. Dada a lacuna, proponho ➜ darija LINGUÍSTICA variedade dialectal do árabe magrebino falada sobretudo em Marrocos, caracterizada pela forte influência lexical e fonética do amazigue, do francês e do espanhol, usada principalmente na comunicação quotidiana e distinta do árabe padrão moderno.

[Texto 22 962]

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P. S.: Não posso concordar que seja um sentido figurado, e isto pela mais prosaica das razões: alguém conhece o sentido real de «escama-peixe»? Não, só pode haver aí confusão.


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