Perifrástica

Logo os dois?

      «A primeira aula de Carlos Fiolhais foi em 1962. “Já lá vai meio século!”, exclama o catedrático de Coimbra, que haveria de doutorar-se em Física Teórica, vinte anos depois do primeiro dia de escola, na Alemanha. [...] Olhando para o seu percurso, é curiosa a confissão: “A minha meta era o exame da 4.ª classe.” Fiolhais é responsável pelo passo em frente da Física em Portugal, mas diz: “Não fazia ideia de que haveria de passar na escola os próximos 20 anos da minha vida. E não podia imaginar que os 30 anos seguintes também os ia passar na escola.”» («“Chorei baba e ranho no primeiro dia”», Jornal de Notícias, 13.09.2012, p. 9).
      Já vimos que a perifrástica, no condicional, se constrói com o auxiliar no pretérito imperfeito do indicativo (havia de) e com o verbo principal no infinitivo (doutorar-se e passar).

[Texto 2094]

«Chefiar» reabilitado

Um pouco, pelo menos

      «Ana Cristina Jorge inspetora superior do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), vai chefiar a unidade de operações da agência europeia Frontex, a Agência Europeia de Gestão da Cooperação Operacional nas Fronteiras Externas dos Estados-Membros da União Europeia, a partir de do dia 1 de novembro» («Portuguesa vai chefiar agência europeia», Jornal de Notícias, 13.09.2012, p. 6).
      Ena, ena, até já estão a esquecer-se um pouco do tal verbo.
[Texto 2093]

Tradução: «fiscal anticorrupción»

Traduziram mal

      «Segundo o El País, nos últimos meses o juiz e o fiscal anticorrupção que tem conduzido este caso têm defendido que o estatuto de organização não governamental do Instituto Nóos era “aproveitado” para realizarem negócios lucrativos com o governo regional de Valência, organizando assim eventos para os quais cobravam taxas muito elevadas, envolvendo o dobro ou até o triplo do preço real do serviço prestado» («Genro do Rei acusado de desviar três milhões», João Moço, Diário de Notícias, 11.09.2012, p. 26).
      Continuam a traduzir, erroneamente, fiscal anticorrupción por «fiscal anticorrupção», o que já tínhamos visto aqui. Também temos fiscais, mas exercem outras funções.
[Texto 2092]

Tradução: «con»

Traduziram bem

      «Na primeira página do jornal, o magnata aparece com uma mala de viagem e um sorriso na cara, uma imagem que critica a sua possível fuga ao fisco francês. “Vai-te lixar, rico estúpido!” [Casse-toi, riche con!], pode ler-se no título da manchete da publicação» («‘Libération’ critica dono da Louis Vuitton», Diário de Notícias, 11.09.2012, p. 53).
      É um mero pretexto para trazer para aqui a língua francesa. Quem não estiver farto do inglês levante a mão. Ah, ninguém...
[Texto 2091]

Roth não é fonte credível

Então quem é?

      «Segundo o diário espanhol ABC, o escritor Philip Roth fez um pedido à enciclopédia online Wikipedia para que corrigisse uma informação relacionada com o seu último romance, A Mancha Humana. Todavia, de acordo com uma carta que o escritor publicou na revista New Yorker, os responsáveis pela Wikipedia não consideraram o próprio autor uma “fonte credível”, pedindo por isso mais fontes» («Escritor não é “fonte credível”», Diário de Notícias, 11.09.2012, p. 49).
[Texto 2090]

Tradução: «contactless»

Difícil, não haja dúvida

      «Esta teoria está cada vez mais perto de se tornar numa realidade: os primeiros cartões contactless chegam a Portugal já no próximo mês» («Cartão sem código chega a Portugal em outubro», Tiago Figueiredo Silva, Diário de Notícias, 12.09.2012, p. 31).
      É palavra com que iremos topar com frequência nos próximos tempos. Como se fosse impossível traduzi-la.
[Texto 2089]

Com maiúsculas, pois claro

Para os teimosos

      «Desde Tucídides, pelo menos, que a grande História é também grande literatura. Mas não precisamos de recuar até aos Gregos e Romanos da Antiguidade Clássica. Temos excelentes exemplos intramuros, de Fernão Lopes, João de Barros e D. Francisco Manuel de Melo, a Alexandre Herculano, Oliveira Martins, Jaime Cortesão e Magalhães Godinho, isto para não falar dos vivos. Eu gostaria de aproximar a clareza da exposição e a limpidez do estilo conseguidas nesta obra desse exigente nível literário que gera no espírito do leitor o encantamento pela qualidade da prosa e uma equivalente avidez da leitura para saber, não como é que a história “acaba”, mas sim como é que ela continua...» («Uma ‘História de Portugal’», Vasco Graça Moura, Diário de Notícias, 12.09.2012, p. 54).
[Texto 2088]

«Bomba de extracção de água/motobomba»

Mas entretanto

      «O monóxido de carbono é um gás altamente letal e pode ter sido libertado por uma bomba de extração de água, que, soube o JN junto de fonte próxima das equipas de socorro, existe no poço. O qual, sublinhe-se, tapado com uma placa de betão, com uma pequena abertura onde cabe um homem e, também ela, com tampa de ferro, o que dificulta a ventilação. Aquele gás é um veneno silencioso, não detetável pelos sentidos. Uma vez inalado, entra na corrente sanguínea, chega às células e inativa os órgãos» («Autópsias confirmam morte por intoxicação», Eduardo Pinto e Margarida Luzio, Jornal de Notícias, 12.09.2012, p. 30).
      Cá está: neste jornal, não se fala em motobomba, mas em bomba de extracção de água. Entretanto, ainda não veio nenhum entendido esclarecer-nos sobre o funcionamento de uma motobomba, de que falei aqui.
[Texto 2087]

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