«Implementação»

Chegou às lâmpadas

      «A Torre Eiffel é iluminada por 336 projetores e, à noite, 20 mil lâmpadas brilham durante cinco minutos ao início de cada hora, desde o anoitecer até à 01.00. A implementação de luzes LED vai permitir uma poupança significativa de energia» («Um futuro mais verde para a ‘dama de ferro’», Catarina Reis da Fonseca, Diário de Notícias, 6.08.2012, p. 22).
      Para quê «implementação», essa coisa tão arrevesada e alambicada e desportuguesa? Simples: «O uso de luzes LED vai permitir uma poupança significativa de energia.»
[Texto 1936]

Itálico

Itálico desnecessário

      «Os quatro painéis solares que vão ser colocados no telhado do Pavilhão Ferrié vão providenciar metade da água quente do monumento, usada principalmente nos restaurantes e nas casas de banho do primeiro andar. Além disso, quatro turbinas eólicas vão gerar cerca de oito mil kWh por ano e as turbinas hidráulicas formarão uma espécie de “minicentral elétrica”. Haverá ainda um reaproveitamento da água da chuva, que poderá ser usada nas casas de banho» («Um futuro mais verde para a ‘dama de ferro’», Catarina Reis da Fonseca, Diário de Notícias, 6.08.2012, p. 22).
[Texto 1935]

«O facto de»

Essa é que é essa

      «“A segunda razão, que tem a ver com o facto de a violência ter surgido noutros bairros num curto espaço de tempo, foi o facto de parecer que aqueles crimes não iriam ter quaisquer consequências e que a polícia não seria capaz de fazer nada”, afirma Pickles, que defende “sentenças exemplares”» («Londres ainda recupera das cicatrizes dos motins», Catarina Reis da Fonseca, Diário de Notícias, 6.08.2012, p. 21).
      Não serão «factos» a mais? São só dois, diz? Mas para traduzir o que afirmou o Sr. Pickles não precisamos de nenhum. Essa é que é essa. «But, secondly, the reason it really spread was that for a brief period – about 36 hours or so – it looked like it would be a consequence-free crime and that the police were powerless to do anything.»
[Texto 1934]

Léxico: «bateia», de novo

Quando não se sabe...

      Garimpo no rio Ocreza. Jornalista António Nunes Faria, no Bom Dia Portugal: «Faz tempo que tudo o que aqui reluzia no prato era ouro, como mostram estas imagens gravadas há alguns anos.» E as imagens o que mostram é um homem a agitar nas águas do Ocreza uma bateia, ou seja, a gamela em que se lavam os minérios.
[Texto 1932]

«Fachada tardoz»

Se nisto houvesse lógica

      Um incêndio destruiu o último andar de um prédio na Avenida da República, em Lisboa. Chefe Rodrigues, dos Sapadores Bombeiros de Lisboa, no Telejornal: «E a zona mais afectada são dois quartos junto à fachada tardoz.»
      Julgo nunca antes ter ouvido ou lido a expressão. Sempre ouvi e usei «tardoz». Que, lembro, é somente substantivo. No Lextec, porém, está registada. Fachada tardoz, alçado tardoz. Ora, se tardoz significa parede exterior de um edifício oposta à que se encontra virada para o arruamento e fachada é o mesmo que frontaria, isto é, a fachada principal de um edifício, não estou a ver nem a lógica nem a necessidade da expressão.
[Texto 1931]

Acordo Ortográfico

Eh pá, se é assim

      «Bem, então e agora? “Já está”, não é? Não! Felizmente, há uma maneira muito simples de resolver tudo isto: revogar (anular) a entrada em vigor do “acordo” “ortográfico” em Portugal. (A sério? Sim, sim, muito a sério.) Basta juntarmos 35.000 assinaturas (em papel) para entregarmos a Iniciativa Legislativa de Cidadãos (ILC) Contra o Acordo Ortográfico. É uma proposta de lei, tal e qual como as que são submetidas pelos deputados, mas com a diferença de sermos nós, os cidadãos, a apresentá-la» («Ortografia no Verão», Hermínia Castro, Público, 5.08.2012, p. 53).
      Tão simples? Parece uma receita: basta juntar água, etc., e pronto, volta tudo a ser o que era — e antes é que era bom, mas somos humanos, e um pouco estúpidos, por sinal, e não valorizamos o bem presente.

[Texto 1930]

Acordo Ortográfico

Hoje pouca gente o sabe

      «Mais irresistível ainda é o argumento de que temos que “ivoluir”. Impagável. Como se evoluir alguma vez pudesse significar cilindrar a riqueza e a diversidade do que quer que fosse, quanto mais de uma língua viva» («Ortografia no Verão», Hermínia Castro, Público, 5.08.2012, p. 53).
      Ó Fernando Venâncio, o que acha que quis dizer esta senhora, antes bióloga mas agora tradutora? «Toda a gente soube, até há pouco tempo, que o e inicial átono vale i. Hoje, pouca gente o sabe» (A Língua Portuguesa, João de Araújo Correia. Lisboa: Editorial Verbo [s/d, mas de 1959], p. 72).

[Texto 1929]

Arquivo do blogue